Lana Del Lovers

Anthony Mandler, diretor de ‘Tropico’, fala sobre o curta

Depois de meses de divulgação online, Tropico de Lana Del Rey foi liberado na quinta-feira pela VEVO. O clipe de 27 minutos – anunciado como um curta-metragem – mostra Del Rey e o modelo Shaun Ross como um casal (Adão e Eva, para ser preciso) em uma série de sonhos vagamente conectados. Os cenários incluem o Jardim do Éden, uma loja de conveniência, as colinas de L.A e um espaço exterior – bem do jeito Lana. Na première para o filme no Cinerama Dome, em Hollywood, Del Rey disse à audiência: “Eu realmente queria que estivéssemos todos juntos para tentar visualmente fechar este capítulo antes de lançar o meu novo álbum, Ultraviolence.”

Tropico também inclui três faixas do álbum de Del Rey, Born To Die – The Paradise Edition, sendo Body Electric, Gods & Monsters e Bel Air. Filmado durante três dias em Junho de 2013, em Los Angeles, o curta foi dirigido pelo veterano Anthony Mandler, que já havia trabalhado com Del Rey em “National Anthem” e “Ride”. Mandler conversou com o TIME sobre as filmagens de Tropico, trabalhar com Lana e chocar seus atores.

Muita coisa acontece em Tropico. Como Lana explicou o conceito para você?

Geralmente, quando trabalhamos juntos eu entendo sua escrita, com a revira-volta de personagens e da história. Alguns são muito bem pensados, alguns são como um fluxo da consciência. Então o meu papel têm sido o de entrar e “sacudir a árvore” e realinhar as coisas para torná-las possíveis de se realizar. Lana tem essa grande paisagem selvagem na mente que ela coloca para fora, mas ela definitivamente tem uma forte visão sobre o mundo que ela quer ocupar. É um processo muito colaborativo, especialmente na extremidade dianteira.

Ao fim é uma história de amor, certo?

Sim. Eu acho que é uma história de amor entre duas pessoas mas também uma história sobre amar a si mesmo. É aquela clássica ideia sobre a perda de confiança ou a quebra de algo sagrado e como você encontra isso novamente. Ok, eles são banidos do Jardim de Éden: e agora? Como vamos levar para as lentes modernas? Estamos olhando para essa espécie de inferno moderno na Terra em que a pessoas trabalham em uma loja de conveniência, fazem strip-tease pelo dinheiro, não fazem muito de algo. Há um momento – e eu amo isso que o personagem de Shaun, Adam, faz – em que ele diz “você sabe que não será sempre assim”. O terceiro ato é sobre a volta para o paraíso e o encontro de outro Eden, que não está na Terra.

Há uma qualidade de sonho para Tropico, embora haja um pouco de aspereza, com as strippers e o roubo. Qual foi a parte mais difícil de filmar?

Nenhuma, na verdade. Uma coisa que acho que fizemos muito bem foi escalar pessoas reais. Todo mundo era o que você vê. Um espaço com Jesus, Marylin, Elvis e John Wayne foi muito legal. Àqueles são como os melhores imitadores; pessoas que vivem suas vidas representando essas pessoas. E todos aqueles caras interpretando empresários – eu amo aquela cena! – eles eram tão bons e naturais no que faziam. Eu não disse à eles o que estávamos fazend o e eles não sabiam que ocorreria um roubo. 

Sério?

Eu não disse nada à eles. E então as coisas estavam sendo quebradas e as pessoas sendo jogadas ao redor. Você pode ver o olhar em seus olhos [depois do roubo], eles estavam chocados. Foi ótimo e muito real. Eu amei dar aquele momento para Shaun. Ele é uma pessoa tão gentil que após a filmagem da cena voltou correndo para pedir desculpas por apontar a arma na cara de quem o tinha feito. Ele é tão não-violento que eu tinha que repetir sempre para que ele focasse no personagem. 

Qual o significado do título?

A palavra “se empresta” como paraíso e um paraíso perdido. Lana sempre teve este nome em sua mente como o título.

E sobre a decisão de usar partes de “Howl” de Allen Ginsberg’s e a narração de John Wayne de “America, Why I Love Her”?

Essa sequência era muito intacta desde a ideia original. A peça realmente criativa é ideia de Lana. Ela tinha esse conceito há um tempo e eu acho que sempre foi parte do plano chegar a este momento. Ela fala sobre esse curta como um suporte para este personagem, eu acho que é o suporte para o personagem que ela é/faz desde que entrou no centro das atenções. Eu não sei sobre o novo projeto, mas assumo que seja o próximo capítulo.

Tradução por Gabriela Mendes – Equipe Lana Del Lovers