Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Ultraviolence (2014 - Neil Krug)

BHmagazino: A adolescência melancólica de Lana Del Rey

Em entrevista para o site grego BHmagazino, Lana Del Rey falou sobre o álbum Ultraviolence, o que gosta de fazer que os fãs não sabem, talento, prazeres e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

A adolescência melancólica de Lana Del Rey

O Ultraviolence passa a impressão de que ele poderia ter sido escrito na década de 60 em Laurel Canyon, onde uma comunidade informal de artistas como Frank Zappa e Jim Morrison foram criados.

Sim, eu realmente amo essa época, especialmente Joni Mitchell, que minha mãe adorava. Quando eu estava morando em Nova Iorque, era isso que eu estava procurando, a sensação de comunidade, algo semelhante ao que Jeff Buckley fez na década de 90, ou Bob Dylan na década de 60. No entanto, eu nunca encontrei a minha “gangue”, a minha família.

Quando cheguei a Los Angeles, eu encontrei pessoas com quem eu gostaria de tocar, pessoas com quem eu poderia falar. Todos aqueles que de alguma forma reconstruíram Laurel Canyon, como Father John Misty e Jonathan Wilson, com quem eu comecei a escrever o álbum. Tudo o que eu estava procurando em Nova Iorque, eu encontrei na Costa Oeste. Eu costumava dirigir no meu antigo Mercedes de uma casa para outra, eu sentia como se estivesse de volta no colegial. A cada sete anos, o centro de gravidade na indústria da música se move de uma costa a outra. Agora tudo está em West Coast.

Suas músicas parecem colocar melancolia em um ambiente de opulência. Este foi o seu objetivo ou isso aconteceu acidentalmente?

Eu sinto que faço músicas felizes, mas quando outras pessoas as escutam, elas pensam que são tristes. Eu não posso escapar da minha vida, que tem sido conturbada. Três anos depois do meu primeiro álbum, eu ainda estou sofrendo de insegurança e depressão. Diante de mim há incerteza e um sentimento de vazio. Eu não gosto quando eu não sei para onde estou indo. Minha vida amorosa, a minha família – são tão frágeis. Eu não tenho certeza de nada.

O que os seus fãs talvez não imaginam sobre sua vida?

Ninguém sabe, mas eu realmente amo dançar. Enquanto estávamos gravando em Nashville, quando nós terminamos com as faixas, ouvimos tudo o que tínhamos feito e dançamos juntos como uns loucos. Convidamos as pessoas que havíamos conhecido em uma loja perto da área do estúdio e nossos amigos como Juliette Lewis ou Harmony Korine. Eu nunca trabalhei assim antes. Foi a primeira vez que estive com essas pessoas criativas em estúdio. Eu aprendi muito, agora eu posso me isolar, posso experimentar sem tentar, mesmo que haja muitas pessoas no estúdio. Há um enorme universo em minha mente que eu normalmente vou encontrar abrigo. Eu posso não ser aquela sortuda na minha vida de todos os dias, mas quando meu trabalho está em causa, – sou abençoada. No estúdio, eu estou sempre cercada de boas pessoas. Meu humor é sempre bom lá.

Você passou por muita coisa antes de lançar o Born To Die. Quando você percebeu que tinha que insistir em trabalhar?

Durante a gravação do Born To Die, nunca vou me esquecer quando meu pai me visitou. Ele ficou tão surpreso quando me viu tão certa, tão determinada, pedindo uma batida ou um acorde com o meu produtor. Ele não tinha idéia do que eu estava fazendo por 6 anos, o fato de que eu estava construindo o meu próprio mundinho com paixão. Meus pais nem sabiam que eu estava cantando. No entanto, quando o meu pai me viu no estúdio, ele me disse que era um dos mais belos dias de sua vida. Ele ficou tão chocado, ele percebeu que a música era a minha paixão. Minha família insistiu em me dizer para não abandonar a escola pela música.. Eu terminei meus estudos em Filosofia porque eu sabia que iria me ajudar a “alimentar” minhas músicas.

Você acredita em talento?

Eu sinto que tenho um carisma para fazer música. No entanto, nestes últimos anos, houve momentos em que eu não tinha escrito uma palavra que eu gostava e orava por minha musa para voltar para mim. E de repente, no inverno passado, uma canção como Old Money veio à minha mente. O que aconteceu com uma música mais antiga chamada Carmen, é que eu me inspirei durante uma caminhada e escrevi depois. Aquele tempo da minha vida que eu costumava andar muito, era o meu ritual. Agora, eu dirijo e nado no Oceano Pacífico. E a inspiração vem para mim a partir dessas ações cotidianas. Gravo mim mesma no meu carro, cantando em voz alta.

Qual parte de seu trabalho é prazerosa e qual parte é uma tortura?

O prazer começa e termina com a gravação do álbum. Então a dor começa, turnês, divulgações, coisas difíceis. Porque mesmo se eu tentar me convencer de que está tudo bem, equívocos e ideias distorcidas sobre quem eu sou, estão constantemente a serem espalhados, e eu sinto que tenho que levantar por mim mesma, como eu tenho que desculpar tudo o que faço e eu não preciso disso. Minha música é muito boa para eu não precisar me desculpar. Lá no fundo, eu prefiro ficar em silêncio.

O quão concentrada você é enquanto trabalha?

Eu posso fazer o meu produtor ficar louco, porque eu tenho uma visão muito clara das minhas músicas e no final eu quero que os auto-falantes executem exatamente o que eu tinha na minha cabeça. O mesmo vale para os vídeos. Eu tenho os storyboards prontos na minha mente. Eu devo ter feito [Dan] Aurebach tão louco esse ano, mas no final do dia, haverá um só nome na capa do álbum e esse é o meu nome. Eu tenho que proteger isso.

Há uma faixa no Ultraviolence chamada Brooklyn Baby, onde você mencionou Lou Reed.

Eu estava sonhando em compartilhar com ele, pensei que ele iria achar a letra muito divertida. Eu escrevi pensando nele. No dia em que eu voei para Nova Iorque para encontrá-lo, ele morreu.

Muitos de seus ídolos morreram jovens: Elliott Smith, Amy Winehouse, Marilyn Monroe, Jeff Buckley…

Eu não os amo, porque eles morreram jovens, mas este parece ser o destino de quase todo mundo que eu admiro. Felizmente, isso não aconteceu com Leonard Cohen. Eu não romantizo a morte na juventude, os artistas são mais úteis vivos do que mortos.

Você dá a impressão de que não gosta de grandes shows, isso é verdade?

Estou em turnê nos Estados Unidos desde os primeiros dias de abril, e é a primeira vez que eu faço tantos shows e tudo vai muito bem. Estes últimos dois anos, não tenho me sentido muito bem fisicamente, eu sofro de úlcera gástrica, mas eu consigo fazer shows em que a capacidade pode ser mais de 9.000 pessoas. Eu fumo, tomo muito café. Eu como chocolate e pizza. Minha maneira de viver quando não estou em turnê não é muito certa. O fato de eu ter tocado no Coachella e Glastonbury no mesmo ano é uma grande honra. Quando eu acabar com a minha turnê, gostaria de me ocupar com o cinema e com os filmes. Tenho recebido algumas sugestões interessantes e estou realmente tentada a dizer “Sim!”. Quando eu era pequena, costumava sonhar com Cannes, o festival, o prestígio e o tapete vermelho. Eu cantei lá em maio passado, pelo terceiro ano consecutivo. Quando adolescente, eu sonhei em viver na França, ser uma poetisa exilada. Eu era louca pela cultura francesa, especialmente por Serge Gainsbourg.

 

Tradução por Eduarda Metzger e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por BHmagazino.