Lana Del Lovers
Première do videoclipe de 'Freak' no teatro 'The Wiltern', em Los Angeles, no dia 09 de fevereiro de 2016.

Billboard: 9 letras de Lana Del Rey que provam que ela está sempre um passo à frente dos haters

Em um artigo publicado neste último domingo (05), o site da revista norte-americana Billboard listou 9 (nove) letras de Lana Del Rey que provam que a cantora está sempre um passo à frente de seus haters. Leia abaixo a tradução do artigo:

Lana Del Rey tem uma das personalidades mais enigmáticas do pop moderno e ganhou uma das audiências mais devotadas desta década, mas isso não significa que foi fácil chegar lá.

Por alguma razão, muitas pessoas que não tinham nenhum problema com o fato de que Bob Dylan costumava ser Robert Zimmerman foram escandalizados pela transformação de Lizzy Grant vivendo em um personagem de David Lynch. As controvérsias (muitas vezes sexistas) em torno de seus lábios mais carnudos, suas campanhas publicitárias e sua estreia prematura no Saturday Night Live foram todas misturadas com a personalidade artística da cantora e a recusa a mentir em entrevistas.

Mas agora em 2017, ela ainda permanece firmemente na lista A, e não foi só porque ela resistiu à tempestade. Seus trabalhos costumam transmitir mais do que as palavras têm a dizer para aqueles que deixarem ela fazer a sua coisa enquanto as seções de comentários explodem e caem em suas armadilhas. Aqui estão as 9 vezes em que ela te acertou em cheio.

1. “Vamos, você sabe que gosta de garotinhas”, “Você é minha pequena faísca”

Put Me In A Movie (do álbum Lana Del Rey A.K.A. Lizzy Grant)

Antes de ser Lana Del Rey, Lizzy Grant já estava brincando com as presunções dos olhares masculinos sob ela, tanto na arte como sendo uma mulher sujeita a avanços indesejáveis, provavelmente na vida também. Put Me In A Movie é uma canção assustadora, pois não sabemos se ela está indo brincar com o papai ou se ela está atraindo predadores para matá-los. “Você pode ser meu papai / Coloque-me em um filme” é mais do que os clichês do pornô-pop habituais. Mas superando com “Vamos, você sabe que gosta de garotinhas” é um sinal de parada enorme. De repente, nós realmente temos que saber o que está acontecendo aqui, mas Lana não nos diz e ela sabe que ela não precisa. O personagem desta música não nos deve seu consentimento, mas nós devemos o nosso a ela. Raramente um cantor pop se atreve a manter seu público no gancho e os deixa desconfortáveis. Faz com que Blurred Lines pareça com alguma música de Adele.

2. “Você gosta de suas garotas loucas”

Born To Die (do álbum Born To Die, 2012)

“Você” é muitas vezes uma chave central para o ponto de vista na música de Lana, e sanidade, particularmente no que diz respeito às relações, é um tema que ela explora com frequência. Antes de seu primeiro álbum, as pessoas, incluindo muitos homens, agiam escandalizados pela natureza submissa de sua protagonista em Video Games. Na faixa-título de seu disco de estreia, ela deixa claro quem está patrocinando esta fantasia: Você. Isso brilha diferente do que, digamos, Brandy Clark cantando “mulheres loucas são feitas por homens loucos”, em Born To Die, ela liga diretamente a sua sanidade às especificações do seu amante.

3. “Luz da minha vida, fogo dos meus quadris / Me dê aquelas moedas de ouro, me dê aquelas moedas”

Off To The Races (do álbum Born To Die, 2012)

Vamos falar sobre a intenção artística: Vladimir Nabokov escreve um romance sobre a experiência masculina de pagar uma adolescente para realizar atos sexuais e recebe níveis históricos de aclamação. Lana Del Rey habita o personagem da dita adolescente, até as inflexões estridentes, com referências flagrantes ao romance Lolita, e não se esquiva de incluir a parte onde ela pede dinheiro. Os gostosos se encolhem; eles acham que é um mau ato. Mas talvez ela faça um trabalho tão bom para homens mais velhos que ela mereça cada moeda.

4. “Eles dizem que o mundo foi construído para dois / Só vale a pena viver se alguém estiver amando você”

Video Games (do álbum Born To Die, 2012)

Claro, nada pode ser provado sobre esta música. Video Games é sobre alguém que fará qualquer coisa para agradar seu homem. Ninguém, incluindo a própria cantora, parece discordar de que é uma canção infeliz. Ela disse ao site holandês 3voor12 em 2011 que a música é sobre contentamento e descontentamento ao mesmo tempo, “foi escrita em um momento em que eu tinha de deixar ir todas as minhas ambições de carreira pessoal.” Podemos concordar que esta amada artista sabe o que está fazendo.

5. “Isso é o que nos faz garotas / Não ficamos juntas, porque colocamos o amor em primeiro lugar”

This Is What Makes Us Girls (do álbum Born To Die, 2012)

Muitas pessoas olhavam para este título com horror em como uma nova artista com, digamos, construções de gênero escorregadias definiriam toda a feminilidade. Lana Del Rey horroriza as pessoas falando de uma realidade presente ou passada, em vez de uma idealista, muitas vezes; sua vítima pode ser algo que ela tenta fazer de melhor ou algo onde ela não consegue encontrar o seu caminho. Nem todos os seus críticos se opõem a ela por causa da misoginia internalizada, mas ela tem muita consciência de que está cantando sobre a misoginia internalizada. Lana Del Rey ensina-nos a ter empatia, mesmo com aqueles que você acredita que são superficiais, e não há valor.

6. “Estou cansada de me sentir uma porra louca”

Ride (do EP Paradise, 2012)

É possível que a própria Lana não soubesse que a música de abertura de seu primeiro álbum ostenta a vida “louca” e que o primeiro single de seu disco sucessor declara sua exasperação com ele. Born To Die nem sempre se sentiu como se gostasse do papel que estava realizando. Ela estava, como um suposto rival iria dizer, “pega em um romance ruim.” Mas ela não estava desatenta disso, ou do custo emocional. O primeiro single do Paradise trabalha sobre muitos dos temas habituais (“Você pode ser meu o tempo todo, meu bem” — soa familiar?) com mais de uma sensação desafiadora: “Não me quebre”, “Eu tenho uma guerra em minha mente”. Parece que ela está tendo uma epifania em tempo real, durante uma longa viagem. Mas tudo o que sabemos com certeza é que ela está cansada de sua situação atual.

7. “Minha vagina tem gosto de Pepsi Cola”

Cola (do EP Paradise, 2012)

O que? Ela não pode se divertir um pouco com seus haters? Chame isso de sua Come Together [canção dos The Beatles], se você precisar contextualizá-la dessa forma, mas os grandes artistas historicamente gostam de cuspir um absurdo completo e ver quem fica louco. A propósito, Cola é mencionada em Come Together também.

8. “Eu fodi meu caminho até o topo”

Fucked My Way Up To The Top  (do álbum Ultraviolence, 2014)

Não há muito nesta faixa além do seu título sintaticamente ambíguo (e perfeito). Ele pode ser lido para qualquer um de seus haters de tantas maneiras. É indicativo de uma de suas maiores qualidades: o fato de que ela pode idealizar fantasia após fantasia, mas ela sempre deixa as costuras à mostra. Ela não teve suas fotos pré-Lana apagadas do Google nem músicas retiradas do YouTube. Ela deixa uma trilha, porque ela nunca fingiu que não é uma pessoa real por baixo de todo esse glamour. Lana Del Rey está interessada na relação entre os tropeços e a realidade, não banindo uns dos outros.

9. “A verdade é que eu nunca caí nessa conversa”

High By The Beach (do álbum Honeymoon, 2015)

Aí está! Ela nunca caiu nos joguinhos de seu “velho homem”/”papai”/Axl Rose ou quem seja depois de tudo. Ela não pode acreditar que nos apaixonamos por isso. Ela também não está surpresa. Você sabe que são apenas canções, certo? Tem fogo?

Tradução por Gabriela dos Santos. – Equipe Lana Del Lovers.
Artigo original por Dan Weiss à Billboard.