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Lana Del Rey - West Coast

Billboard: As melhores faixas de Lana Del Rey que não estão em álbuns oficiais

Em um artigo publicado no último dia 14, o site da revista norte-americana Billboard listou as 11 (onze) melhores canções de Lana Del Rey que não estão em álbuns oficiais. Leia abaixo a tradução do artigo:

O problema com autores não é o fato de deixarem um bom material de lado em busca de uma visão singular. Uma vez que possuem essa visão, eles não voltam atrás e não fazem nada com as sobras. Então agradeça aos deuses do YouTube por Lana Del Rey, uma artista cult lançada na década de 2010, possuir um grupo grande de fãs que estão focados em encontrar e vazar tudo o que não está incluído em seus trabalhos oficiais.

Por um lado, muitas músicas vazadas são de ritmos mais rápidos e mais sombriamente divertidas; nem todas são baladas românticas. Muitas também precedem o disfarce de Lana Del Rey como um todo, marcando suas paradas fascinantes ao longo do caminho conforme Lizzy Grant elaborava sua persona pública. Aqui estão 11 entre as melhores.

Smarty

“Do I make you feel like Christmastime?” (“Eu te faço se sentir como em época de Natal?”) é a abertura da música de uma cantora e compositora, até então, desconhecida, enquanto ela pula em sua cama como uma protagonista meio Evan Rachel Wood e usa suas drogas. Nesta música de Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant, ela canta e faz raps convincentemente e transforma a narrativa de Steely Dan, Janie Runaway (“Vamos planejar um fim de semana a sós / Dirigir para a casa de Binky / A doce barraca na Pensilvânia / Ou isso seria um caso federal?”), do avesso. Isto é, ela murmura e concede hilariamente durante todo o refrão para um nerd: “Quem tem um rosto como o de Smarty? Quem tem uma voz como a de Smarty?” Tudo o que falta é um terceiro ato onde Smarty acorda sozinho e algemado em uma cama.

Queen Of The Gas Station

Apesar do hipnotizante cenário slow motion de Ultraviolence, que lembra um pouco o de Pink Floyd, Del Rey decidiu, de uma vez por todas, com o seu novo pseudônimo, que uma coisa que ela não era, era uma roqueira. Mas de acordo com as suas músicas descartadas, Queen Of The Gas Station é um bom cartão postal de realidade alternativa, onde ela prega uma coisa atmosférica do Centro-Oeste à la Wussy e obtém mais dos jogos usuais divertidos de criar novos nomes para si mesma para dizer a estranhos. O gancho é um pedido incomum (“Amo cassinos, reservas indianas / Mas, querido, se você me ama, me leve ao posto de gasolina”), que evoca sexo no banheiro, mas fala da sua solidariedade de estacionamento de trailers. Ela não queria nada além da sua cantora glamourosamente depressiva florescendo no meio do nada mais sujo que ela pudesse encontrar.

Gramma

Sua inflexão extremamente jovem para a sua vó, nesta junção de acordeão e reggae (!), é um bom enquadramento para a sua ostentação estilo Liz Phair, de que ela tem sido “louca desde que tinha três anos” e espera que, aqueles que zombaram da sua auto-seriedade estudada em suas aparências na mídia, pudessem ouvi-la soluçando “eu quero ser a garota do mundo inteiro, vovó” em um post amador no MySpace. É uma de suas canções mais chocantes; não que Lana Del Rey tenha tido interesse em ser estar nas rádios. Mas suas melodias incontestáveis merecem uma reputação tão notável quanto seus títulos chamativos.

Put Me In A Movie

Esta é a música que revela que Lizzy Grant era verdadeiramente algo a mais, uma criança subversiva de voz suave que queria parecer submissa ao olhar canônico masculino apenas para apunhalá-lo na garganta, uma vez que o convenceu a dividir uma cama no motel. Em Put Me In A Movie, ela torce metáforas romantizadas de relações com menores de idade até que quebrem, ronronando “você pode ser o meu daddy”, mas também “vamos, você sabe que gosta de garotinhas” e, em seguida, faz o papel do próprio daddy: “Você é minha pequena e ofuscante jump-rope queen”. É também o nascimento do seu slogan “luzes, câmera, ação”, que causa um efeito mais perturbador nesta canção do que em High By The Beach. Independente de Del Rey seduzir um pedófilo ou apenas se envolver em elaborar papéis que são tabus previamente inexplorados na visão feminina na música popular, ela criou uma peça tão perturbadora e digna de análise em Put Me In A Movie, como qualquer faixa de Eminem.

Lolyta

Com um “y” para não ser confundida com Lolita, a versão lenta, de orquestras e trechos anexados à edição de luxo de 2011 no álbum Born To Die, o arranjo original superior não acompanhou a marca finalizada e mais limitada de Lana. Ao invés disso, é um rock sinistro que lembra Toxic, de Britney Spears, com sua linha de serpente charmosa, meio líder de torcida (“kiss me in the D-A-R-K dark tonight”) para pregar a vibe da nova versão. Como a menosprezada Off To The Races, a música teria sido uma adição crucial ao álbum, antes de sabermos que ela iria apenas se agarrar a velocidades mais narcolépticas a partir daí.

Kinda Outta Luck

Mesmo que Kinda Outta Luck nunca tenha sido lançada oficialmente, foi um ensaio da persona própria de Lana, postada no YouTube com um vídeo. Com a introdução de Bang Bang e o penteado mais montanhoso que ela já exibiu, esta foi a aparição da sua persona “gangsta Nancy Sinatra” pela primeira vez. Cantando sobre os prazeres de matar alguém com a ponta de uma arma e com o daddy de Put Me In A Movie agora corretamente descartado no porta-malas, esta é a canção mais divertida que Lana Del Rey tinha gravado até então, assim como era a sua música mais rápida de ser impulsionada. Sua carreira certamente não teria alavancado do jeito que ela planejou se continuasse com a direção caseira, mas isso não é motivo para não lamentar as possibilidades caso ela tivesse continuado.

Brite Lites

Uma miniatura de uma casa com atmosferas assombrosas e um gancho refrescante dissonante não diz nada de novo, realmente (“me dê as suas luzes brilhantes” até o infinito), mas a sua facilidade de lançar coisas aleatórias é viciante como sempre, como quando ela entona “eu estou acenando na tela prateada” duas vezes antes de se transformar em “eu estou acenando no trampolim”. Esta tende a ser a música que mais repete o nome de um brinquedo infantil em toda a história da música.

Driving In Cars With Boys

É incrível que Del Rey não tenha usado a batida de Be My Baby com mais frequência, mas quando ela finalmente usou, transformou álbuns completos de The Raveonettes em novos, com mudanças enormes de acordes e um de seus refrões mais líricos: “Eu passei a minha vida toda dirigindo carros com garotos / Passeando no centro, bebendo em todos os ruídos”. É uma imagem de abertura e se encaixa perfeitamente com “nós costumávamos falar sobre onde estaríamos e para onde iríamos / Agora sabemos, querido”. O nomes de batons usuais, “Miss America” e o melhor acoplamento de “diamantes e armas / garotas só querem se divertir”, garantem que este é um clássico de Lana entre Video Games e Honeymoon.

Dangerous Girl

Por favor, deixe que Lana Del Rey lance seu álbum fast-rock algum dia, mesmo que o título American Honey já esteja sendo usado, apenas para dar um bom lar à sua adaptação da maldita The Star-Spangled Banner como uma trilha sonora de um atraente thriller-action da década de 90.

Queen Of Disaster

Uma vez que Del Rey usa tanto as orquestras em câmaras, por que não deixá-la fazer algo diferente? Neste misto de glockenspiel e um solo, ela se imagina uma bailarina sobre uma progressão de acordes, com apoios que ecoam a frase “so far gone” e vangloriando-se de como ela comemora só torcendo o destino. Sua habilidade de transformar uma frase, melódica ou lexical, é ofuscada pela máscara de sua autoria, mas como líder de uma banda, ela certamente soa muito mais disciplinada do que Kanye West atualmente.

BBM Baby

https://www.youtube.com/watch?v=M4arjjH6Qvk

Por causa das dúzias de músicas vazadas de Del Rey que chegam ao público sem ritmo previsível, uma joia de synth-pop completamente inédita como esta pode cair do céu, no verão de 2016, deixando as ferramentas de busca da tecnologia completamente desatualizadas em seus dispositivos metafóricos. BBM Baby é uma música pop A+, talvez a coisa mais fofa que ela criou, e é uma ode à dirty talks em um Blackberry (“text me, chase me”), que se encaixa deliciosamente com a vasta discografia rica em anacronismos. Até mesmo seus haters não poderão ser capazes de manter uma cara séria em “eu sei que é amor verdadeiro porque o meu coração faz ‘yay'”. Carly Rae Jepsen pode não ser do tipo ciumenta, mas você sabe que ela ao menos recuou.

Tradução por Beatriz Nascimento. – Equipe Lana Del Lovers.
Artigo original por Billboard.