Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Honeymoon

BLITZ: Quem tem medo de Lana Del Rey?

Em um artigo publicado na edição de novembro da revista portuguesa BLITZ, o jornalista Mário Rui fez uma retrospectiva da carreira de Lana Del Rey, desde a época em que era apenas Lizzy Grant até agora, passando pelo lançamento o álbum Born To Die, como a polêmica apresentação no Saturday Night Live. Leia abaixo o artigo:

Passaram-se três anos desde que Elizabeth Grant saiu do anonimato e saltou para a ribalta com um álbum que incluía as canções que fizeram dela a queridinha do mundo indie e aquelas que a tornaram um sucesso comercial a nível global. Video Games e Blue Jeans sopraram uma nova vida em Lana Del Rey, mas a artista norte-americana, hoje com 30 anos, já tinha tentado a sorte em 2010 com um primeiro disco — intitulado Lana Del Ray a.k.a. Lizzy Grant — disponibilizado digitalmente mas retirado três meses depois. Del Rey nunca explicou bem as razões que a levaram a tirar o disco do mercado, mas dois anos depois se apresentaria com uma imagem bastante diferente e uma sonoridade bem afastada daquela que apresentara na estreia. A artista alimenta até hoje uma certa aura de secretismo em seu redor e são cada vez mais raros as entrevistas que dá… Afinal, quem é Lana Del Rey?

1. A nova musa indie

O fenômeno Lana Del Rey começou quando a artista publicou no YouTube o vídeo caseiro que fez para Video Games, no verão de 2011. O vídeo juntava imagens da própria cantora, filmadas com uma webcam, trechos de vídeos de skatistas, filmes antigos, desenhos animados e imagens da atriz Paz de la Huerta, a cair de bêbada, em frente das câmeras dos paparazzi. O caráter amador do vídeo e o ambiente cinematográfico da canção chamaram a atenção do melômanos [pessoa que gosta muito de música] mais atentos e rapidamente Del Rey começou a ser apontada como uma nova musa de música independente. Blue Jeans, single que lançou em seguida, ajudaria a fazer crescer o fenômeno e poucos meses depois de ser “descoberta” pela editora Stranger Records assinaria contratos com a Interscope e a Polydor, ambas pertencentes à Universal Music, para gravar um segundo álbum (no fundo, o disco de estreia de Lana Del Rey). Quando, em dezembro, divulgou Born To Die, em antecipação do álbum com o mesmo nome, começou a sua queda aos olhos daqueles que primeiro a abraçaram e iniciou-se uma nova etapa rumo ao sucesso comercial.

2. O SNLgate e o mergulho no mainstream

A recepção a Born To Die pode não ter sido particularmente calorosa, mas ainda antes de o álbum ser lançado, no final de Janeiro de 2012, a artista deu o verdadeiro “passo em falso”. A sua participação no programa televisivo de humor Saturday Night Live, em 14 de Janeiro, durante a qual apresentou precisamente Video Games e Blue Jeans, foi alvo de violentas críticas e rapidamente considerada “a pior atuação musical de sempre” do programa. A postura rígida da cantora e da utilização de um timbre mais grave que o habitual estiveram na origem das críticas, mas, dando força a máxima “toda a publicidade é boa publicidade”, a polêmica não impediu Born To Die de estrear no primeiro lugar nas paradas de vendas britânicas e em segundo no top norte-americano (ficando apenas atrás de 21, de Adele). Em dois anos, o álbum acabou vendendo mais de 7 milhões de cópias por todo o mundo. O single Summertime Sadness foi alvo de um remix feito por Cedric Gervais e o mesmo subiu até o sexto lugar da tabela de singles norte-americana em 2013. Permanecendo até hoje o seu maior sucesso do lado de lá do Atlântico.

3. Dan Auerbach, de difamador a produtor

Do ódio ao amor vai um pequeno passo e prova disso é a forma como Dan Auerbach passou de assumir que não era fã de Lana Del Rey a produtor de Ultraviolence, álbum lançado em 2014. Dois anos antes, questionado sobre a artista pela MTV, o músico dos The Black Keys respondia: “Já vimos esta coisa da Lana Del Rey várias vezes desde que começamos. De repente, vemos uma nova banda a ser headline de festivais e ficamos ‘espera, como é que eles conseguiram?’. Andamos aqui há dois, três, quatro, cinco anos e ainda estamos a batalhar para chegar ao topo. Mas depois, da mesma forma que rapidamente chegam lá acima, desaparecem.” Em maio do ano passado, um mês antes de Ultraviolence ser lançado, Auerbach desdobrava-se em elogios numa entrevista à Rolling Stone: “Ela é uma verdadeira excêntrica e é extremamente talentosa. Tem uma visão clara daquilo que é e daquilo que quer ser, mas musicalmente e visualmente, o que é legal.” Os dois conheceram-se através de um amigo em comum, “passamos algum tempo juntos, falamos sobre música e percebemos que tínhamos coisas em comum.” Auerbach convidou a artista para o seu estúdio de Nashville e acabaram passando duas semanas gravando o álbum.

4. David Lynch e outros filmes

A influência do cinema no trabalho de Lana Del Rey é mais que óbvia e um dos seus grandes ídolos é David Lynch. Quando a artista gravou uma versão de Blue Velvet, clássico dos anos 50 que inspirou o filme de 1986 com o mesmo nome, o diretor declarou: “Lana Del Rey é muito carismática e parece ter nascido em outra época. Tem algo que cativa as pessoas. E não sabia que ela era influenciada por mim!” A ligação direta da artista ao cinema começou em 2013, quando gravou Young and Beautiful, para o filme The Great Gatsby [O Grande Gatsby, título em português]. Desde então, cantou Once Upon A Dream para Maleficent [Malévola, título em português], Big Eyes e I Can Fly para Big Eyes [Olhos Grandes, título em português] e Life Is Beautiful para The Age of Adaline [A Incrível História de Adaline, título em português].

5. Lana, a antifeminista

“O luxo que temos enquanto geração mais nova é o de sermos capazes de descobrir para onde queremos ir, por isso disse coisas como ‘não me concentro no feminismo, mas sim no futuro’.”. É desta forma que Lana Del Rey se defende a quem a acusa de ser antifeminista, na sequência de declarações feitas no ano passado em entrevista a revista nova-iorquina The Fader. Recentemente, em conversa com o ator James Franco, para um artigo da revista V, explica: “Não quis dizer que não há mais trabalho a fazer nessa área. Testemunhei, ao longo da história, a evolução de tantos movimentos e agora estou na linha da frente e novos movimentos tecnológicos. Não quero desvalorizar outros assuntos… Mas sinto que isso é óbvio e acho que nem deveria ser preciso abordar esse tema.” As declarações na origem da polêmica: “Simplesmente, para mim, o feminismo não é um conceito interessante… Sempre que falam de feminismo fico tipo, ‘não estou assim tão interessada’. Interesso-me mais pelo SpaceX ou Tesla, pelas nossas possibilidades intergaláticas.”

6. Honeymoon, um doce de álbum

O terceiro álbum de Del Rey que chegou recentemente as lojas e está longe da postura mais pop adotada em Born To Die também não está particularmente longe do registro mais negro de Ultraviolence. “Honeymoon é a palavra que melhor resume o sonho final”, disse a artista para James Franco, “a vida é uma lua de mel, entende? Vida, amor, paraíso, liberdades… Isso é eterno.” Numa outra entrevista, à BBC Radio 1, explicou que o disco foi gravado integralmente na Califórnia. “Não viajei muito”, diz, “trabalhei com o mesmo cara que fiz os dois últimos álbuns, o Rick Nowels, no estúdio dele em Santa Mônica.” Depois de assumir que considera “honeymoon” [lua de mel, em português] “a palavra mais romântica de todas”, Del Rey fala também da sonoridade mais arriscada: “Quando comecei sabia exatamente aquilo que queria fazer, mas quando tentei tornar tudo mais grandioso aconteceu o contrário. As canções ficaram bem alternativas, dessa forma, a produção se sobressaiu. É dai que vem aquela sensação meio alucinada. Tem quase um toque de psicodelismo e está mais afastado do pop.”

Via Lana Del Rey Portugal.
Artigo original por BLITZ.

  • Manel Del Rey

    Não tenho medo dela, muito pelo contrario a amo!!!, oque ela passou no passado a transformou na mulher que é hoje