Lana Del Lovers

Complex: Lana Del Rey fala sobre composições, Dan Auerbach, críticas e muito mais

Em entrevista para a revista Complex, da qual a cantora é capa da edição de agosto/setembro com ensaio inédito por Neil Krug, Lana Del Rey falou sobre suas composições, pessoas, re-lançamento do álbum Ultraviolence, críticas, Dan Auerbach e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Vestidos de cetim, carros velozes, pílulas e festas são a alma do glamour americano. Tapetes vermelhos, opulência desenfreada, e o tipo de elegância que parece incrível em fotografias preto e branco de alto contraste são a sua parte principal. Ícones como Sinatra, os Kennedys, Elvis e Marilyn Monroe pareciam ser sinalizadores da boa vida, mas por trás da corda de veludo existia algo mais escuro: fofocas, o vício, traição e violência. Em 2014, nenhum artista abrange ambos mundos de forma mais aguda do que Lana Del Rey.

Com o seu incrível álbum de estreia, Born To Die, Del Rey lançou-se como uma estrela pop trágica de uma época passada. Seus videoclipes foram épicos: na faixa-título Born To Die, ela começa sentada em um trono ladeado por tigres de Bengala, e termina com o modelo Bradley Soileau levando seu corpo sangrento dos destroços ardente de um Ford Mustang Mach 1 de 1969; em National Anthem, ela interpreta Jacqueline Kennedy Onassis enquanto A$AP Rocky interpreta John F. Kennedy. Onde muitos de seus contemporâneos se deleitava com subculturas pouco conhecidas e artistas de fora, Del Rey foi para ícones. “Marilyn’s my mother/Elvis is my daddy/Jesus is my bestest friend”, ela canta na introdução do seu curta-metragem Tropico, dirigido por Anthony Mandler e lançado no ano passado. A nostalgia do século 20 de Del Rey se mostrou imensamente bem-sucedida. Apenas quatro álbuns lançados em 2012 superou Born To Die, que ganhou disco de platina nos EUA e alcançou ótimas posições em 11 países. Del Rey vendeu mais de 12 milhões de singles no mundo, recebeu duas indicações ao Grammy (Melhor Álbum Vocal Pop, por seu EP Paradise; Melhor Canção Escrita para Mídia Visual, por Young and Beautiful), e esgotou uma turnê norte-americana.

Sua chegada também atraiu críticas viscerais. A review do álbum Born To Die pelo The New York Times devastou sua estética e “pose” artística. Pitchfork comparou sua estréia com um falso orgasmo. Os meios de comunicação pareciam obcecados por qualquer coisa, menos pelo música do álbum: a suposta carreira musical de antes, sob seu nome real;  o ciclo de vida da campanha publicitária na internet que deu origem a ela, ou a ridicularizavam agressivamente sobre a performance no Saturday Night Live.

Em 2012, Del Rey mudou-se do Brooklyn para L.A., e um ano depois começou a trabalhar no sucessor de Born To Die. Lançado em junho e produzido por Dan Auerbach, Ultraviolence evita as melodias usadas no Born To Die e se joga em intros despojados de piano e solos de guitarra pesada que lhe dá alma. Liricamente, no entanto, a posição de Del Rey continua inflexível, com títulos como Money Power Glory e Fucked My Way Up To the Top explicitamente referenciando a sua imagem, e tendo como objetivo os seus  inúmeros detratores. E alguns de seus antigos críticos mudaram de opinião. Em sua review, o The New York Times chamou as críticas dirigidas contra o Born To Die de “imprecisas”, e elogiou a “sofisticação retrô” de Del Rey e sua “sinceridade inocente”; Pitchfork a chamou de “original da música pop”, acrescentando um “não há o suficiente de pessoas assim à volta”. Apesar de West Coast, primeiro single, não ter tido muitas execuções nas rádios, o álbum estreou em primeiro lugar na Billboard, vendendo 182 mil cópias em sua primeira semana (mais do que o dobro do que Born To Die), uma prova de que sua base de fãs está cada vez maior.

Sentada no telhado do Brooklyn’s Wythe Hotel para nossa entrevista, a “pop star” de 27 anos de idade se veste mais como um adolescente suburbana, jeans e uma camiseta apertada, branca, de mangas curtas com listras horizontais. Ela tem postura perfeita e cruza as pernas ordenadamente. Há uma graça no jeito que ela fuma um cigarro atrás do outro e diz “fuck” quando ela consegue lascar uma de suas unhas pontiagudas de acrílico roxo. Se tudo é um show, bem, é um dos bons. As rachaduras na fachada de glamour a “humanizam” e são uma das razões pelas quais ela tem sido capaz de misturar escrita sobre o verdadeiro amor e morte com linhas provocativas/cômicas, como o infame “My pussy tastes like Pepsi Cola”.

Durante os próximos 60 minutos, Del Rey reflete sobre o uso de duvidosos métodos para crescer na indústria da música, Marilyn, Elvis, e Jesus, e a reação irregular ao seu aparecimento na cena pop. E palavras. Del Rey é um escritora – não apenas o assunto, mas também a diretora de seu próprio drama. A única marca de sua riqueza é uma gargantilha de diamantes com um pingente de cruz pendurada logo acima do esterno [osso chato, localizado na parte anterior do tórax]. O seu brilho evoca o brilho caricatural de bijuterias, mas é tão real como ela acabou por ser.

Quando você está compondo, o que vem primeiro? Os títulos das músicas, as melodias, ou a música?

Bem, me levou muito tempo para escrever o álbum e deixá-lo como está agora. Eu estava escrevendo um monte de coisas desde que o último disco foi lançado, mas por alguma razão, 70% do que eu estava escrevendo não parecia certo para mim. Então, se eu tenho a sorte de ter uma experiência que realmente me impacta, ela vem com um verso e uma melodia. Elas se reúnem, a melodia e as palavras se juntam. Mas isso raramente acontece para mim.

O que você quer dizer?

Na verdade, ter isso acontecendo, onde apenas vem para mim. Lembro-me com Carmen, eu estava fora muito tarde e caminhando no tempo do meu próprio ritmo, e então eu comecei a cantar: “Carmen, Carmen doesn’t have a problem lying to herself cause her liquor’s top shelf.” E era uma cadência fácil. A coisa toda veio, e eu acho que eu estava em um lugar muito bom, então, por isso, era como se as coisas… era realmente fácil de canalizar.

O que define estar em um bom lugar?

Sentir-se muito feliz e apenas como se nada de errado está acontecendo, o que se torna mais difícil, mas isso é apenas a minha experiência. Eu acho que um monte de gente acha que a coisa toda é realmente grande. Fazer do Brooklyn minha base nas últimas duas semanas e meias realmente me ajudou. Eu realmente comecei a pensar conceitualmente que eu tenho esta adição, um complemento para este disco que poderia vir com facilidade. Isso não aconteceu em muito tempo. Não desde que escrevi o complemento do Born To Die, o Paradise. Que eu amei.

Você sente saudade do Brooklyn?

Sim, eu sinto saudade do Brooklyn. Sinto saudade das pessoas.

Como as pessoas aqui são diferentes?

Elas não são diferentes. Eu que sou um pouco diferente. As vibrações são as mesmas. Eu conheci uns caras daqui semana passada que nunca tinha conhecido antes, e foi fácil lidar com eles. Todos os tipos de artistas – compondo durante o dia e saindo para beber em bares a noite. Eu sinto falta disso, eu gosto disso. Eu ainda não encontrei isso na Califórnia. Eu me mudei para lá porque meu disco ganhou mais reconhecimento, mas eu realmente não encontrei um cenário musical de que eu fizesse parte. Havia alguma coisa acontecendo – tinha uma espécia de reaparecimento do som em Laurel Canyon. Jonathan Wilson, Father John Misty, e eu realmente gostei daqueles caras. Eu senti que talvez eu tivesse algo em comum com eles, e fui direto para aquela atmosfera tão boa.

Vamos falar sobre o Ultraviolence. A escolha da foto de capa do álbum é semelhante as dos dois últimos álbuns.

Eu gostei dela, eu queria uma continuação. Eu não tinha isso para a capa na época, e eu queria que fosse uma continuação da história. Eu gostei da ideia de ser preto e branco para que houvesse, literalmente e figurativamente, mais a ser revelado.

Você queria uma continuação em termos de estética para esse álbum? Isso foi uma coisa importante para você musicalmente falando para o Ultraviolence?

Sim. Não sendo enganosa em termos de estética pessoal, como a sua psique que vem através de um design sábio e musicalmente – eu gosto da continuação.

Você tem essa maneira de exigir a sua visão criativa através de tantas partes diferentes de sua arte – videoclipes, letras, tom e melodia, estilo de se vestir. Você planeja essas coisa com antecedência quando você pensa em um álbum?  É um conceito que cresce a partir de suas ideias?

Eu não sei. Eu estava na faculdade na Fordham quando eu tinha 18 anos. Eu estava vivendo entre o Brooklyn e  New Jersey e eu estava trabalhando com esse cara que era mais famoso do qualquer um outro que eu tinha conhecido na época, esse produtor David Kahne. Eu tive que gravar – você sabe que eles engavetaram esse trabalho por dois anos – e eu tive todo esse tempo para pensar o que era realmente importante para mim e o que eu realmente queria se eu tivesse a oportunidade de fazer o que eu queria. Eu sabia que eu queria fazer a vida mais fácil para mim do jeito que eu estaria sempre vivendo em um mundo construído por mim mesma com tudo o que eu senti ser verdadeiro, independentemente do que pareceu ser para as outras pessoas. Isso, definitivamente, se estende ao título das canções, se eu estivesse filmando em preto e branco, a cor do cabelo, coisas como essas. Realmente não são coisas que planejei com antecedência. Eu tive a sensação de que eu queria que o mundo em que vivia pudesse ser realmente personalizado da maneira que eu gostava.

Quando eu ouvi as palavras “ultra” e “violence”, eu pensei sobre WorldStarHipHop. O que essas palavras significam para você?

É engraçado. Eu me sinto conectada por duas emoções – agressão e suavidade. Eu gosto do luxuoso som da palavra “ultra” e o significado sonoro da palavra “violence” juntos. Eu pensei que essas palavras poderiam se complementar.

Qual a relação entre amor e violência?

Eu gosto de um amor físico. [Silêncio] Como posso dizer isso sem entrar em muitos problemas? Eu gosto de um amor palpável, apaixonado. Para mim, se não é físico, eu não estou interessada. Tudo o que faço é tão organizado: turnê, fazendo um show noite após noite, com alguns meses livres no meio para fazer um disco, e estando no comando de tudo isso – mixando, masterizando. Às vezes eu encontro pessoas com uma grande quantidade de fogo e energia. Mentalmente, talvez a gente não seja tão similar. Telepaticamente, não estamos no mesmo comprimento de onda. Se há um aspecto físico e um químico, isso acaba ganhando para mim toda vez, porque isso é o oposto do que eu tenho todos os dias.

Quem foi a última pessoa que fez você se sentir assim?

Dan Auerbach, para melhor ou para pior.

Você acha que um “prazer culpado” é uma coisa real?

Sim, mas eu não tenho muito disso musicalmente. Eu tenho toneladas disso na vida.

Fale mais à respeito.

Bem, fumar é um deles. Açúcar, café. Devo tomar uns 13 copos por dia. É uma pena sobre as consequências para a saúde, porque um monte de grandes coisas acontecem durante o café e um cigarro. Um monte de grandes canções foram escritas.

Por que vocês escolheu cantar a faixa de Nina Simone, The Other Woman, no Ultraviolence?

[Ela canta: “The other woman has time to manicure her nails, the other woman is perfect where her rival fails”.] Eu me identifico como sendo a pessoa que as pessoas vêm para a “tal mudança da velha rotina”, mas não sendo a coisa principal. Eu tive um relacionamento de longo prazo, sete anos, com alguém que era o chefe de uma gravadora e eu me senti como se eu fosse aquela mudança de rotina. Eu estava sempre esperando me tornar a pessoa para quem seus filhos viriam para casa, e isso nunca aconteceu. Obviamente, eu tive que buscar outras relações, e eu senti que isso se tornou um padrão. Eu era mais jovem, 24 ou 25 na época. Eu sabia o que queria fazer há muito tempo. Eu era séria sobre a música desde o ensino médio, e parei de beber quando eu tinha 18 anos. Quando estava com 24, era uma pessoa bem séria. Eu pensava ser uma escritora, e era cantora. Eu achava que sabia o que eu queria para o meu caminho. As pessoas a quais eu estava atraída já estavam estabelecidas, mas eles provavelmente estavam procurando por alguém mais em seu nível, da sua idade. Mas eu amo a ideia de envolver o disco com uma referência.

Muitos artistas usam referências obscuras para tentar provar a individualidade e originalidade. Por que você escolhe ícones como Marilyn, Elvis e Jesus?

Quando tinha lançado apenas Blue Jeans e Video Games, eu me senti machucada pelo fato de um monte de jornalistas me perguntarem o por quê eu estava sendo tão literal e óbvia. Eu referenciava coisas como Marilyn sem tentar ser acessível. Eu tenho uma relação pessoal com minha percepção de quem era Marilyn. Ela era o tipo de mulher que era muito calorosa e dada. Eu gosto desse tipo de garota que é amigável e fácil. Eu estava sempre à procura de garotas assim como amigas. Eu sinto como se eu a conhecesse nessa forma. E Jesus – quero dizer, ser criado na religião católica, Ele era apenas um modo de vida. Espiritualidade e religião eram fortes. Eu estudei em escola católica até os meus 13 anos. Como um monte de outras pessoas, eu acho que, inicialmente, estava inspirada nos hinos – hinos musicais, e não Ele, Jesus. [Risos]

Como você conheceu o Dan?

Eu conheci Dan no clube de strip The Riviera no Queens. Ele estava com Tom Elmhirst e eu estava com Emile Haynie. Emile perguntou-me se queria sair com ele, e me diverti bastante pela primeira vez em um longo tempo. Dan estava mixando um disco de Ray Lamontagne com Tom, nos Electric Lady Studios. E ele saiu no momento em que eu estava lá – Lee Foster me deixou sozinha no Electric Lady Studios por três semanas.

Uau.

Foi incrível. No final das três semanas eu pensei que estava pronto. Então eu conheci Dan e ele disse: “Por que não vamos a Nashville e vemos o que acontece?” Eu fui porque soava como um bom tempo. Eu não queria que a festa terminasse. Eu voei para lá com Lee e alugamos uma fazenda por seis semanas. Fomos para o estúdio de Dan na 8th Street todos os dias e eu adorei. Ele era o que eu estava procurando, porque ele era um facilitador. Ele disse “sim” muito. Se dissesse, “Eu só quero cantar isso através de uma vez”, isso era normal para ele. Era natural que alguém gostasse do que tinha na primeira tentativa. Ele era legal assim. [Acende um Parliament com o isqueiro roxo de plástico.]

Você fuma bastante no palco.

Cara, eu tenho que fazer isso. Eu não posso lutar contra isso.

É um vício?

Sim. Eu sou uma “chain-smoker” [pessoa que acende um cigarro atrás do outro].

Há quanto tempo você fuma?

Desde meus 17 anos. Isso é loucura. É por isso que tento cantar em festivais ao ar livre. [Risos] Porque, 45 minutos nos bastidores, quando você ainda tem mais 45 minutos para cantar… Você precisa fumar.

Isso é muito tempo para estar na frente das pessoas.

É muito tempo. Se as pessoas vêm e vê um show seu por 80 minutos, elas literalmente sabem tudo sobre você. Com 5.000 pessoas, eles filmam você para que as pessoas na parte de trás possam ter ver nos telões. Não há um momento em que você pode virar de costas e se recompor. Tudo que você sente, toda sua emoção está ali. Estou em turnê muito mais do que eu pensei que eu iria estar; pensei que seria mais uma cantora de estúdio. Mas eu estive em turnê pela Europa por dois anos.

Houve um tempo após o lançamento do EP Paradise que você disse que não tinha certeza sobre continuar fazendo música. O que mudou?

Um ano após o lançamento do Born To Die, muita gente me perguntava sobre como o novo álbum iria soar e quando ele seria lançado. Eu disse: “Eu não sei se haverá outro disco.” Eu não tinha músicas que eu sentia que eram boas ou pessoais o suficiente. Dan Auerbach mudou as coisas para mim, e eu não tenho ideia do porquê. Ele estava interessado em mim. Isso me fez sentir como se talvez o que eu estava fazendo era interessante. Ele me deu alguma confiança de volta. Ele ouviu músicas que eram canções populares na época, e ele pensou que talvez, com alguma revisão, elas poderiam ser mais dinâmicas. Eu comecei a ver algo maior. Para mim, se eu não tenho um conceito, então não vale a pena escrever um álbum inteiro. Eu não gosto disso se não há uma boa história.

Existem algumas maneiras diferentes de tentar entender sua música Fucked My Way Up To The Top. É sobre pessoas que não querem lhe dar os créditos para o seu sucesso? Ou é sobre foder com as pessoas para chegar ao topo?

É um comentário, como: “Eu sei o que você pensa de mim” e eu estou fazendo alusão a isso. Você sabe, eu dormi com um monte de caras na indústria, mas nenhum deles me ajudou a chegar à um bom contrato com uma gravadora. O que é irritante.

Qual é o pior conselho sobre relacionamento que você recebeu?

Que o amor não é fácil e que as relações devem ser uma luta. Todo o resto é tão difícil; espero que o amor seja a única coisa que é realmente divertida.

Isso me lembra de uma entrevista da Eartha Kitt que você postou uma vez. Questionada sobre amor e compromisso, ela diz: “O que há para comprometer? Eu me apaixono comigo mesmo e quero alguém para compartilhar isso comigo.”

Ela estava tão certa sobre isso. É bom ter um relacionamento fogoso, que aumenta tudo que você faz, que não se sente como parte de que não é o que você quer.

Qual é a coisa mais valiosa que você destruiu na vida?

Em termos de dinheiro?

Não necessariamente sobre dinheiro, mas algo que encaixe na pergunta.

Eu não sei. Eu não acho que o dinheiro tem tido uma influência em coisas que eu tenha sabotado. Mas há coisas.

O que é algo que você tenha destruído que é realmente importante para você?

Provavelmente o relacionamento que estive nos últimos três anos. Definitivamente, ele foi demolido por causa de toneladas de depressão e insegurança. Agora é apenas uma relação insustentável, impossível por causa da minha instabilidade emocional.

Às vezes as pessoas escrevem melhor quando estão fodidas.

E eu sou um pouco fodida. Toda esta experiência tem me fodido.

Te fodeu como?

Eu não sei. Tem sido difícil. Eu estava em um bom lugar quando eu escrevi meu primeiro disco, pois eu o escrevi por diversão, mas depois, eu senti como se tudo o que aconteceu com o álbum fosse pesado. Eu também estava tentando lidar problemas familiares. O mundo esteve pesado por um par de anos. É por isso que eu gostava de Dan: ele era casual. Não precisava ser sério.

Falando sobre algo não-sério, qual restaurante tem o melhor molho vermelho no mundo?

Essa é uma boa pergunta. Eu vou para o mesmo lugar em Los Angeles o tempo todo, Ago na Avenida Melrose. Eu peço a mesma coisa o tempo todo, penne alla vodka [macarrão com molho feito com tomates, creme de leite e vodka].

O que você estava ouvindo enquanto você estava escrevendo?

Eu amo jazz. Eu amo o documentário Let’s Get Lost sobre Chet Baker, com direção de Bruce Weber, que influenciou o meu vídeo de West Coast. Eu amo Nina Simone e Billie Holiday como todo mundo. Eu tenho uma playlist dos anos 70 que eu escuto diariamente. Um monte de Bob Seger, que eu amo. Ele é, provavelmente, a principal pessoa que eu escuto, e também The Eagles, Chris Isaak, Dennis Wilson e Brian Wilson. Eu gosto de Echo And The Bunnymen.

Você tem uma música que se sente prazerosamente culpada por ouvir, nessa lista?

Não, todas elas são muito boas.

Você experimentou um nível de examinação que era muito pessoal. Como isso afetou você?

A coisa boa sobre receber tantas coisas por parte dos críticos é que você literalmente não se importa. Me coloquei em uma moldura mental onde eu espero que as coisas não irão ser boas, porque elas geralmente não são. Mas não é um lugar pessimista. A música é sempre boa, na minha opinião. Isso é o que eu espero para a minha carreira a partir de agora, que as músicas serão boas.

Porque você acha que eles reagiram de forma tão veemente ao que você estava fazendo?

Se eles achavam que deveria ser classificado como música pop, esse foi o primeiro erro. Não foi feito para ser popular. Foi mais uma música psicológica. Eu não estava lá para promover diversão, canções verso-refrão-verso-refrão. Eu estava descrevendo minha história através da música. As pessoas estavam confusas sobre eu estar no palco e apenas cantar e não performar. Para mim, performar é apenas canalização e emoção através de inflexão, cadência, fraseado. Isso é muito diferente do que é popular, então eu acho que talvez eles pensaram que não deveria ser popular. O que você acha?

Parecia que você estava sendo criticada não como uma artista, mas sim como uma celebutante [uma celebridade que é bem conhecida na sociedade moderna somente por ser rica e fabulosa / famosa por ser famosa]. Você apresentou um projeto abrangente, aparentemente calculado – os vídeos, o estilo, as referências, etc. – que as pessoas se sentiam obrigadas a buscá-lo à parte. 

É engraçado, porque meu processo foi natural. Lembro-me de fazer Video Games, e eu fiz a minha maquiagem como eu faço todos os dias. Coloquei meu cabelo para cima, como eu faço. Eu estava usando um vestido e me filmando. Eu não achei que a justaposição com imagens da internet da lua de mel das pessoas no Super 8 teria a reação que teve. A reação a tudo, seis anos antes disso, a partir do dia em que o YouTube realmente nasceu, foi uma não-reação. As pessoas simplesmente não se importavam.

Você sente-se vingada?

Sinto-me aliviada, mas eu não me sinto vingada.

Por quê?

Eu não sinto que as coisas estão indo bem. Não é a maneira que eu escolhi ir. Portanto, não é como se eu sentisse que tudo mudou e isso é ótimo.

Você tem vários discos de ouro e alguns de platina.

Sim, mas eu ainda não encontrei essa comunidade de pessoas que eu estava procurando, da mesma forma como Bob Dylan encontrou seus amigos, ou o respeito por ser um escritor. Porque essas coisas de ouro e platina não significam tanto se você está andando na rua e pode ouvir as pessoas dizendo coisas sobre você.

Confira as fotos na galeria abaixo:

Confira os bastidores no player abaixo:

Tradução por Gabriela Mendes, Igor Fortunato e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Complex.