Lana Del Lovers

Depressão pós-show

 08/11/2013 –  Campo de Marte. Chegava eu e uma amiga, sem nenhuma perspectiva de encontrar algum sinal de vida, e de fato fomos os primeiros a chegar e ficar na espera pela abertura dos portões. Era manhã de sexta, o tempo estava nublado mas estávamos animados e ansiosos, até que mais 3 fãs maravilhosos chegaram e ficaram pra esperar também. Eu me senti tão maravilhoso de ter chegado primeiro, pois eu tinha certeza de que iria vê-la de perto e ela iria me ver. Seria meu maior e mais sincero sonho se tornando realidade. Além de mim, haviam mais 4 sonhadores aflitos esperando comigo (um de São Paulo, um do Paraná, uma de Osasco e uma de Minas Gerais).

No decorrer do dia mais fãs chegaram e fomos nos aproximando, juntando nossas camas improvisadas e trocando ideias, compartilhando a ansiedade e nos distraindo pra fazer o tempo passar mais rápido. Houve total organização entre os fãs em questão de ordem de chegada, foi tudo muito harmônico e justo. Durante a noite parecia um woodstock sadcore, foi realmente um pré-show, todos se relacionando e conhecendo, sem nenhum desentendimento, nenhum conflito, no regrest, just love…

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A noite do dia 08>09 foi maravilhosa. Todos que estavam ali já tinham praticamente um lugar reservado na grade do palco, tanto é que todos os fãs que receberam selinho estavam no acampamento. Felizmente o esforço de todos valeu muito a pena. Rolou de tudo, dança, jogos de cartas, muito bate-papo e até tequilla. Foi uma noite realmente feliz e tranquila pra todo mundo que estava ali na Avenida das Nações Unidas.

O grande dia chegou, e pra nós chegou mais cedo ainda, porque nós mesmos fomos responsáveis pela organização de quem já estava esperando e de quem foi chegando no decorrer do dia (deixo aqui meu total descontentamento com a organização por parte da equipe responsável pelo evento, eles não foram justos com a ordem de entrada, e não distribuíram os fãs de maneira correta).

Não começou de uma forma fácil, pelo contrário, foi muito empurra-empurra e a temperatura chegava os 30°C, mas nós nos mantemos ali, juntos e irredutíveis. O portão foi aberto com 40 minutos de atraso, e quem estava na frente ficou na grade. Em pouco mais de 2 minutos ela já estava totalmente ocupada.

Eu tive a sorte de conseguir a grade, e o azar de passar mal depois de 5 minutos que cheguei. Os bombeiros me retiraram e me acompanharam até o ambulatório. Eu chorei muito, não pela dor e pela sede, mas por ter perdido o lugar na grade, mas mesmo assim eu não desisti. Quando já estava me sentindo melhor eu voltei, estudei bem os dois lados do palco e optei por ficar a direta (do lado da escada onde a Lana desceria). Eu assisti ao show do Hatchets (eles são muito bons), O Terno (queria dormir), B Negão (dormi forte o show inteiro) e por último Travis (dancei muito com as senhoras da 3° idade). Um pouco antes do show da Lana começar, eu fiz amizade com um casal de namoradas, nos conhecemos e elas também estavam ali pra ver a Lana. Com muita sorte eu consegui voltar para a grade junto com elas e fiz amizade com uma segurança, e ela me deixou ficar em um lugar melhor que as outras pessoas que estavam ali na lateral. Eu fiquei bem em frente a escada, o universo conspirou ao meu favor e agora eu só precisava gritar muito pra que ela me notasse.

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Os organizadores montaram o cenário do show dela, que foi o único que recebeu uma personalização especial, com as palmeiras, e então nós já começamos a gritar freneticamente. A vista era linda, o por do sol ao fundo da roda gigante parecia um festival internacional, o clima estava ótimo, já não fazia tanto calor, até que ouvimos os primeiros acordes da intro de “Cola”. Foi exatamente como eu sempre pensei (insano), eu gritei, chorei, pulei, e então ela entrou. Ela estava maravilhosa e ficou surpresa com a nossa recepção. Ela realmente não esperava por aquilo, foi diferente de todos os outros festivais que ela já tinha se apresentado. Desceu pela primeira vez e foi ao encontro dos fãs que estavam em frente ao palco, alguém puxou o cabelo e o brinco dela, mas ela continuou sorrindo e cantando. Recebeu uma coroa de flores de um dos rapazes do acampamento, um ramo de rosas vermelhas, uma bandeira do Brasil e muitos outros presentes foram jogados no palco. Foi realmente diferente dos shows que ela costuma fazer.

No decorrer da apresentação ela disse algumas vezes que aquilo era muito louco e que era inacreditável, mas pra mim o momento mais maravilhoso foi quando ela cantou minha música favorita, “American”, e mudou o trecho “Be Young, Be Dope, Be Proud. Like an American” por “Be Young, Be Dope, Be Proud. Like a Brazilian”. Foi maravilhoso quando ela cantou “Dark Paradise”, ela parecia se divertir com o nosso ”coral”, aliás todo mundo cantou desde a primeira até a ultima música. Ela interagiu com todos nós durante o intervalo de uma música para outra, e a única pausa que ela fez foi durante o monólogo de Ride, logo depois ela voltou para o palco.

O show estava acabando, começou a tocar os acordes de “National Anthem” e eu já tinha perdido as esperanças de tocar nela. Realmente achei que meu esforço teria sido em vão, até que ela parou de cantar, deixou o microfone na escada e desceu pela última vez e veio na minha direção. Eu gritei muito, ela pegou as minhas duas mãos e eu disse ”Please, kiss me”, então ela fechou os olhos e me deixou dar um selinho nela. Ela seguiu se despedindo de todos, distribuiu autógrafos, tirou mais algumas fotos, voltou ao palco e finalizou o show.

Não tenho duvidas que esse foi o melhor dia da minha vida. Pude ver que todos os textos que eu escrevo aqui são parte do meu carinho e admiração por essa mulher que mudou a minha vida. Ainda estou sentindo aquele vazio que fica quando alguém que amamos vai embora. Esses dois dias vão deixar muita saudade. Espero que um dia algo parecido possa se repetir, e que seja logo.

Vídeo do momento em que ela me dá um selinho: