Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Lust For Life

Faixa a faixa: ‘Lust For Life’

Ao que tudo indica, Lana Del Rey está nos servindo uma vasta gama de possibilidades e fusões com seu quinto álbum de inéditas, Lust For Life, lançado pelas gravadoras Polydor e Interscope no dia 21 de julho. Nele, há uma reunião de elementos de cada álbum já lançado pela cantora, porém de uma forma mais equilibrada e honesta, o que no passado foi um problema quando a mídia rotulava a imagem e suas músicas de ”fabricado” e ”falso”.

Antes mesmo do lançamento do disco, Lana Del Rey declarou que este álbum seria mais político, e de fato é. Pela primeira vez fora de sua zona de conforto, Del Rey resolveu por um fim em sua tristeza de verão e decidiu passar uma mensagem encorajadora aos seus seguidores. Essa nova fase discográfica trouxe um novo respiro de vida literalmente, a começar pela figura sorridente de Lana na capa do disco feita por sua irmã, Chuck Grant, responsável pela identidade visual do mesmo. De fato, não se pode esperar menos do que um álbum genuíno, ousado e que sobrepõe a antiga imagem de uma estrela que gostaria de estar morta e que agora está sedenta pela vida.

Love

O carro-chefe do disco nada mais é do que uma mensagem otimista aos que estão ouvindo. Definitivamente, Del Rey nunca soou tão cautelosa ao lançar uma faixa direcionada a sua geração de fãs que em sua grande maioria procuram artistas que possam se identificar e alimentar sua fome por obras grandiosas, o que é o caso de Love. O vídeo despretensioso nos trás a sensação de flutuar pelos arranjos arrastados, juntamente com a mesclagem da fotografia futurista e vintage, e pela primeira vez vemos Lana com uma imagem de uma verdadeira líder que tomou a frente de seus seguidores para propagar uma mensagem de amor e libertação. Love foi considerada uma das melhores canções de 2017 por vários veículos especializados em música e também agradou muito aos fãs por trazer uma sonoridade e arranjos parecidos com os do álbum Born To Die.

Lust For Life (feat. The Weeknd)

O segundo single, com participação do cantor The Weeknd, trouxe um ar refrescante e sombrio aos seguidores dos dois artistas. Apesar da composição e arranjos serem inspirados nos ano sessenta, a contribuição do produtor Max Martin foi suficiente para uma interpretação acessível aos ouvidos de seus seguidores. O instrumental repleto de sinos trouxe uma sonoridade muito próxima do disco Born To Die, porém dessa vez com uma carga extra de romantismo e sensualidade. Resumidamente, a faixa-título do álbum resume a atmosfera sombria, nostálgica e hollywoodiana que rodeia Lana Del Rey desde os primórdios de sua carreira discográfica. Essa não é a primeira colaboração de Lana e Abel, mas certamente é a mais bem sucedida e aclamada.

13 Beaches

Essa faixa futurista e épica já caiu nas graças dos ouvintes pela sua forte semelhança com a sonoridade atemporal do último álbum de 2015, Honeymoon, porém não tão óbvia, um vez que os vocais frescos da canção foram convertidos em nevoa e depressão. Nos versos introdutórios, extraídos do longa-metragem de terror O Parque Macabro de 1962, Lana Del Rey profere: ”Eu não pertenço ao mundo / Algo me separa das outras pessoas.” Ao longo dos quase 5 minutos, é possível notar um grande avanço na extensão vocal de Lana, que geralmente soa arrastada nas demais faixas presentes no disco. Pelo fato de soar familiar, essa faixa com certeza tem um grande potencial, tanto pelo tema abordado quanto pelo autenticidade do trabalho anterior.

Cherry

Mais uma vez, trazendo um pouco da essência de obras anteriores, Cherry é uma espécie de fusão entre Pretty When You Cry e Cola, o que obviamente é enlouquecedor para os fãs que já conspiravam por um terceiro single e eis aqui uma forte candidata. Os temas ”desilusão” ou ”desamor” já são nossos velhos conhecidos, porém dessa vez vieram potencializados e são abordados por Lana em uma narrativa corajosa e heroica, ressaltando que até mesmo o verdadeiro amor (se é que ele existe) passa por momentos de total provação. Quanto ao arranjo que é o destaque da canção, foram usados tambores, instrumentos de cordas mais arrastadas (assim como em Ultraviolence de 2014) e sintetizadores, que sem dúvida trazem uma sensação mais arrojada no resultado final. 

White Mustang

Para quem não sabe, o Mustang é um carro esportivo de luxo que ilustra essa faixa quando comparado a um amante imparável e veloz. Apesar de um refrão pegajoso e repetitivo, a faixa conta com a presença de efeitos sonoros, como assovios sincronizados e sons de carros de corridas finalizando a parte instrumental, que deram um acabamento mais estruturado, já que a faixa requer um cuidado maior. Todos sabemos que Lana tem uma grande paixão por carros, e é fácil encontrar referências automobilísticas ao longo de sua carreira, desde as capas de quase todos os álbuns até mesmo o vídeo de Burning Desire de 2012, onde ela foi garota propaganda da marca de carros de luxo Jaguar. Assim como em todos os álbuns, alguma faixa costuma se destacar pelo potencial videográfico, e eis aqui a estrela da vez.

Summer Bummer (feat. A$AP Rocky & Playboi Carti)

A faixa promocional em parceria com A$AP Rocky e Playboi Carti foi disponibilizada em todas as plataformas digitais com pouco mais de uma semana antes do lançamento oficial do disco e dividiu opiniões entre os fãs devido a uma polêmica envolvendo a cantora americana Azealia Banks. Através do Twitter, a rapper criticou Lana Del Rey por colaborar com Rocky, uma vez que o cantor já foi supostamente pego batendo em mulheres e, segundo ela, a cantora havia recusado uma colaboração com ela devido as polêmicas constantes em que Azealia protagoniza. Controvérsias à parte, a faixa tem um excelente teor comercial, e foi produzida por Boi-1da e T-Minus que já trabalharam com Rihanna, Drake, Kendrick Lamar, entre outros grandes nomes da música. Apesar de ser um experimento arriscado, o resultado final ficou sem sombra de dúvidas peculiar e agradável, uma vez que não é a primeira experiência de Lana nas vertentes do hip hop.

Groupie Love (feat. A$AP Rocky)

A segunda colaboração com  A$AP Rocky é bem diferente e mais introspectiva sonoramente falando, em relação à Summer Bummer.  A narrativa sobre um jovem relacionamento com um artista que está sempre ocupado com o ofício de ser uma estrela. Lana Del Rey enaltece seus poucos momentos com seu amante aspirante a fama. Sobre o aspecto musical, a faixa não deixa a desejar e apresenta acordes muito confortáveis e tímidos.

In My Feelings

Com uma letra extremamente coerente e audaciosa, aqui de fato não houve economia nem por parte da produção de arranjos, instrumentais e muito menos na parte vocal. Todo esse cuidado rendeu uma faixa com potencial que surpreendeu a todos e eleva muito a qualidade do álbum como um todo. O trecho “Estou fazendo amor, enquanto estou fazendo um bom dinheiro” com um duplo sentido abrilhanta e enriquece a letra repleta de trocadilhos e frases que causam um certo desconforto, porém apresentam autenticidade. Vale a pena prestar uma atenção em especial nessa faixa cinco estrelas.

Coachella – Woodstock In My Mind

A controversa faixa, que foi composta e produzida em pouco menos de um mês, é querida por alguns e odiada por outros em maior ou menor grau. Tudo começou quando a cantora foi ao festival americano Coachella assistir ao show de seu amigo Father John Misty acompanhada da esposa do músico. Voltando do festival, Lana Del Rey percebeu as tensões entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, e então compôs rapidamente a música e decidiu entrar em estúdio para gravá-la. A decisão de incluir essa faixa na tracklist oficial do disco pode ter demandado o adiamento do disco, que a princípio já deveria ter sido lançado. Apesar do título muito óbvio e sugestivo e o instrumental que não agregou muito na mixagem da música, o refrão é muito agradável com o background profundo e sonoro. A preocupação com o futuro dos jovens americanos é real e afeta não somente a cantora, mas todos que estão presenciando esse momento conturbado na gestão politica do país. Apesar de tudo, é uma faixa extremamente necessária.

God Bless America – And All Beautiful Women In It

Nesta faixa, a cantora continua seguindo o contexto político, mas dessa vez com uma mensagem encorajadora para as mulheres americanas que vem enfrentando um presidente com uma postura radicalista e que, de certa forma, não tem grandes planos para promover a igualdade entre homens e mulheres. Esta canção tem como intuito enaltecer a união de todas as mulheres em prol de um bem maior e estimula a todos a manter a positividade mesmo nos momentos de conflitos. Basicamente, é uma típica canção americana com alguns sintetizadores ao longo do refrão e violão na intro e ao longo das pontes, o que resultou em uma mistura coesa.

When The World Was At War We Just Kept Dancing

Apesar do título longo (o que causou um certo desconforto em alguns fãs), ao ouvir a faixa na íntegra é mais fácil de absorver a mensagem que basicamente tem um teor progressista que vai além de relações politicas, mas sim sobre preocupação coletiva. Apesar da letra ter um tom bem intencionado, a música não traz um sentimento feliz, como Lana Del Rey declarou: “O tom da produção é bem obscuro, e isso não leva exatamente a um sentimento feliz.” No refrão surge um questionamento, ”É o fim de uma era?”, e logo na sequência surge um trecho entusiasta: ”Não, é apenas o começo, se aguardamos com esperança, teremos um final feliz.”

Beautiful People Beautiful Problems (feat. Stevie Nicks)

O dueto com a cantora Stevie Nicks carrega um tom dos anos setenta e uma narrativa reflexiva sobre o cotidiano como uma forma realista de acordo com uma perspectiva agradecida por tudo o que nos acontece, inclusive os problemas que eventualmente possam existir. Lana escolheu Stevie quando estava escolhendo artistas para agregar nas gravações e a convocou pela sua representatividade artística e pessoal. Apesar de figurarem o mundo da música em gerações diferentes, o legado de Lana é atualmente semelhante a carreira de Nicks há algumas décadas.

Tomorrow Never Came (feat. Sean Ono Lennon)

Ilustrando a parte mais acústica que finaliza o disco, o dueto com Sean Ono Lennon trouxe uma vibração mais melancólica típica de seus respectivos trabalhos individuais, sendo assim uma ótima contribuição próxima daquilo que ambos já produzem. Apesar de não ser uma letra autobiográfica, o casal idealizado em questão é conhecido por todos, John Lennon e Yoko Ono, os pais do músico. Lana Del Rey declarou recentemente: “Eu imagino os dois sentados intimamente em um banco no Central Park. Então eu propus que Sean se juntasse a mim, já que também gosto da música dele. E ele imediatamente disse que participaria.”

Heroin

Mais estruturada e complexa, essa faixa pode não agradar aqueles que estão acostumados com o pop mais açucarado que toma frente das paradas musicais e outrora até mesmo foi o oposto da carreira discográfica de Lana, porém, vendo pela perspectiva artística, é uma formula mais consistente. O contraste entre as alucinações da qual a letra se refere e as referências as altas temperaturas do Condado de Los Angeles formam um mix de sensações entre a intensidade do refrão fervoroso e o calor do heavy metal.

Change

Facilmente podemos resumir a persona Lana Del Rey nesta faixa, que ao longo dos últimos anos tem demonstrado uma enorme disposição em conciliar sua visão artística com aquilo que é mais eficaz para saciar a sede de seus seguidores, carentes de imagens revolucionárias e músicas refrescantes e jovens. Change traz um coral como background no refrão composto apenas por Lana que soa mais como um hino de liberdade e um piano ao longo de toda a extensão de seus cinco minutos e vinte e um segundos de duração. Essa foi a última faixa a ser composta e as quatro palavras ditas no refrão definem a pessoa que Lana gostaria de ser: honestidade, capacidade, beleza e estabilidade. Sem dúvidas, esta é faixa mais profunda do álbum e uma das mais importantes de toda sua carreira.

Get Free

Finalizando o disco com uma faixa uptempo extremamente intuitiva e bem intencionada. Lana optou por um tom de esperança no último respiro do álbum, diferente do convencional que geralmente trazia um tom oposto ao final feliz. O cenário de Get Free pode parecer um tanto catastrófico e apocalíptico, porém a forma com que Lana lida com a passagem do limiar é encorajadora e de fato conclui o disco correspondendo as expectativas de trazer uma sensação de desejo pela vida.

Jallison Campos

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