Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Interview (2015)

Interview: Lana Del Rey fala sobre próximo álbum, turnê, ‘Honeymoon’ e muito mais

Em entrevista concedida ao cantor e amigo Abel Tesfaye (The Weeknd) para a edição de outubro da revista Interview, Lana Del Rey falou sobre o disco Honeymoon, próximo álbum, turnê e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Lana!

Abel!

Onde posso encontrar você?

Estou sentada em um pequena e pitoresca praça em Paris, cujo nome nunca reparei (risos).

Eu já lhe disse o quão feliz me faz que finalmente fomos capazes de trabalhar juntos?

O prazer foi todo meu. Eu amo a nossa música para o seu novo álbum.

Essa canção foi muito importante para mim, pois acho que você é uma das melhores artistas do nosso tempo. Eu admiro que você nunca se curvou e manteve a sua visão artística tão forte.

Oh, obrigada. Este é, naturalmente, um grande elogio, especialmente quando vem de alguém que você tanto gosta.

É difícil para você manter sempre a sua visão em mente?

Na verdade, não. Eu só faço somente aquelas coisas que me fazem sentir bem. Então eu decido com quem eu trabalho, para quem eu trabalho e que tipo de material eu quero lançar. Estou pensando antes de cada projeto, como eles poderiam caber em minha estética — e me prender a isso.

Mas, no entanto, vemos uma evolução.

Até os meus gostos mudaram. No entanto, eu sei exatamente como que eu quero que as coisas que eu gosto soem ou se pareçam.

É por isso que você raramente trabalha com outros artistas?

Eu sou apenas tímida demais, então eu acho que é difícil chegar nas pessoas. Com você foi diferente: eu amo a sua voz e seu dom para encontrar uma frase melódica surpreendente para cada canção.

Mas você tem trabalhado com diferentes produtores.

Sim, mas ainda há uma limitação. Quando eu conheci o meu produtor Rick [Nowels] há quatro anos, eu soube naquele momento que iríamos trabalhar juntos por muito tempo. Para o meu próximo álbum eu planejo me abrir um pouco e trabalhar com mais pessoas.

Você cresceu em Nova Iorque — e ainda assim parece estar realmente atraída pela costa oeste. Sua música é como uma declaração de amor remanescente à Califórnia. De onde vem esse amor pela outra costa?

Eu me apaixonei bem cedo pelas paisagens da Califórnia. Não há praticamente qualquer natureza comparável no mundo: as pequenas aldeias e vilas, que se aninham entre a costa e as montanhas, são únicas. E assim românticas. Acima de tudo isso, eu adoro Hollywood. Quando saí de Nova Iorque, vivi por quatro anos em Londres. Depois disso, Los Angeles foi o único destino em mente.

Você gosta das pessoas lá?

Eu amo as pessoas da Califórnia!

Por quê?

Porque eles são por um lado politicamente informados e prestam atenção à sua saúde. No entanto, ao mesmo tempo, atribuem grande importância ao seu lado selvagem. Acho legal este contraste: responsabilidade e selvageria ao mesmo tempo, yeah!

Eu gostei muito de conhecer sua família. Seu pai é tão legal, ele é uma pessoa tão especial!

Obrigada!

E sua irmã Chuck… Como foi a experiência de crescer com ela? Você sentia que vocês iriam trabalhar juntas várias vezes?

Não, de forma alguma, a gente não tinha a menor ideia. Eu nunca pensei que seria uma cantora, e ela não fazia ideia como lidar com o quão impressionada fiquei com suas primeiras fotos. Eu estava então com 17 anos, tinha acabado de começar a faculdade, ela 15. Já nas primeiras fotos era possível ver este grande talento — [as fotos] eram perfeitamente expostas, absolutamente simétricas. Fotografa mulheres de uma forma especial. Ela tem seu próprio estilo de fotografar, o que eu acho ótimo.

Sua música é muito cinematográfica: sempre me recordo de filmes como Chinatown de [Roman] Polanski após ouvir seus álbuns.

Esse é um elogio agradável. Eu amo todos os grandes filmes como Chinatown ou Sunset Boulevard [Crepúsculo dos Deuses, título em português].

Te atrairia dirigir algo por você mesma?

Em qualquer dos casos, eu misturaria sempre realidade com surrealismo e eu usaria diferentes câmeras para diferentes cenários para criar um estado de espírito diferente, isso me interessa muito mesmo. Nas sequências de sonho, por exemplo, eu gosto de trabalhar com uma câmera Phantom, mas se é para parecer mais vintage, eu prefiro as antigas câmeras de VHS.

Você poderia se imaginar fazendo um vídeo ou curta-metragem para mim?

Eu adoraria!

Seu novo álbum tem Honeymoon como título. Por que esse título?

Eu apenas gosto de palavras que apresentam uma bela melodia. E eu amo a palavra Honeymoon [lua de mel, em português] — e tudo o que ela simboliza. A ideia de um encontro romântico, que significa amor eterno, eu acho encantador.

Em que tipo de humor você estava quando encontrou o título?

Praticamente no oposto da lua de mel. No ano passado, houve uma confusão em minha mente. No entanto, eu gosto de contrastes e opostos, coisas que eu quero, mas não consigo, positivo e negativo, interna e externa, tais combinações muitas vezes eu uso em linhas de textos ou em títulos.

Summertime Sadness.

Exatamente (risos).

Como você diria que o Honeymoon soa?

Quando eu comecei a trabalhar no novo álbum, três meses após o Ultraviolence, parecia apenas como um álbum de jazz. Então, no inverno, depois de que três trimestres se passaram, nós brincamos com batidas da trap music e tentamos descobrir como elas se encaixam nas faixas.

Okay.

Portanto, o álbum agora soa, de alguma forma, retrô-futurista.

Você diria que esse álbum está relacionado a Los Angeles assim como o último?

De certa forma. Ele surgiu logo após minha mudança para a Califórnia: de repente, a Costa Oeste suplicou para entrar no meio do meu processo criativo. Aqui é apenas o melhor lugar para se viver. E se você só observar quem está se mudando para cá, você percebe: Outros estão reconhecendo esse poder de atração que vem da Califórnia, também. Até os últimos resmungões em Nova Iorque, que sempre reclamaram de Los Angeles, fizeram as malas e, eventualmente, trocaram de costa.

Você vai estar aqui quando o álbum sair ou estará viajando?

Em Londres, pois ainda não estou muito enraizada. E no início do próximo ano vou entrar em turnê. Nesse período, vou passar o máximo de tempo possível em LA; Não poderia fazer outra coisa sem ser isso.

Tradução por Carolina Araújo, Gabriela Mendes e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Agradecimentos: Adriano Lemos.
Entrevista original por Interview.