Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Ultraviolence (2014 - Neil Krug)

Kronen Zeitung: Lana Del Rey fala sobre sonhos, realidade, o processo de criação do álbum ‘Ultraviolence’ e muito mais

Em entrevista ao site austríaco Kronen Zeitung, Lana Del Rey falou sobre sonhos, realidade, o processo de criação do álbum Ultraviolence e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Lana, em uma recente entrevista você disse que quando escreve músicas para documentar algo presente ou sonhando com o futuro. Então, você é uma sonhadora?

Absolutamente. Eu acho que os sonhos são tão importantes quanto a realidade. Aprendi isso com o autor Charles F. Haanel que escreveu um livro chamado The Master Key System. Ainda me lembro quando eu era muito jovem e sonhava com o meu futuro. Este futuro imaginado vem tornando-se mais e mais a minha realidade. É muito importante imaginar o seu mundo interior e acreditar em seus sonhos.

Então você está muitas vezes deliberadamente deixando realidade?

Às vezes, mas eu sinto que meus sonhos são bem próximos da realidade, porque eles são tão reais. Muitos deles, na verdade, tornaram-se realidade, só que um pouco mais diferente do que eu estava imaginando. (Risos)

Em contraste com o seu álbum de estreia, Born To Die, seu novo disco, o Ultraviolence, soa mais vulnerável. O ouvinte pode, literalmente, ouvir a dor em algumas de suas canções. Por que este álbum tornou-se tão melancólico?

Eu acho que para todas as coisas boas e bonitas que me aconteceram nos últimos três anos, há também uma certa amargura. Algumas experiências que eu passei tinham um tom triste ou difícil. Eu acho que muitas vezes eu fui mal interpretada. Além disso, eu tive que lidar com algumas coisas difíceis da minha vida pessoal. Certas coisas que eu não posso controlar, às vezes acabam colocando uma pressão sobre mim e assim fortemente influenciando o som do álbum, que aqui e ali é bastante pesado. Há um certo peso no álbum, mas eu não tentei fazê-lo triste de propósito.

A canção Sad Girl é autobiográfica? Você está descrevendo a si mesmo como uma menina triste na música?

Bem, eu meio que estou jogando e brincando com os clichês. Talvez eu tenha sido um pouco sarcástica nela. Mas a música tem uma vibração jazz e de uma certa maneira ela teve uma influência autobiográfica.

Será que às vezes é doloroso para você quando está escrevendo letras muito pessoais e você está chegando a um acordo com o passado em suas músicas?

Não, na verdade, é uma grande diversão e um alívio para mim. É realmente doloroso para falar – depois que as músicas estão finalizadas – com as pessoas que consideram você uma inspiração e podem se decepcionar com você. Então, você está tentando explicar a si mesmo e isso é muito duro e até mesmo doloroso.

Em Cruel World você está chegando a um acordo com o final de um longo relacionamento. Então, não é difícil para você escrever letras como essa?

Não, eu acho que o mundo é libertador. Nesta canção, eu mergulho nessa libertação, há uma grande quantidade de beleza e reflexão nela. Talvez entristece quando você estiver ouvindo a música, mas na verdade não era para ter este efeito.

O que exatamente você quer dizer com Ultraviolence? Este título parece bastante agressivo.

Eu amo palavras que possuem uma grande força de expressão. Palavras que colam imediatamente na mente das pessoas. Eu também sou influenciada por certas pessoas e com o Ultraviolence eu queria criar um mundo que se encaixa no contexto da palavra. No entanto, eu tinha o título antes mesmo do álbum. Eu amo escolher palavras e construir algo em torno delas. É uma palavra forte e isso é extremamente importante para mim.

Desde o seu aparecimento fulminante no palco do pop, você tem sido criticada por todos os lados. Como você lida com isso?

Não tão bem, para ser honesta. Quando trata-se disso, eu não sou realmente diferente de qualquer outro ser humano – nem tudo me deixa fria, mas está ficando mais fácil a cada dia. Quando os críticos falam sobre a minha família, eles devem esclarecer, porque para mim é um tabu absoluto. Quando as pessoas dizem que a minha musica é chata, eu entendo como um insulto, porque todos que estão criticando minha música estão me criticando como pessoa bem na minha cara. É um frequente julgamento sem ir um pouco mais profundamente e pensar o que pode estar por trás disso. Contudo, eu diria que isso realmente me toca, mas me chateia menos a cada dia. E também depende no quão importate a mídia é. Se não é uma das importantes mas está completamente errado, então isso não me incomoda.

Você levou isso ainda mais para o lado pessoal, então?

Eu realmente me preocupo muito com as minhas músicas, bem como sobre a história de todas elas. Estou sempre tentando proteger minhas músicas novas e antigas da melhor forma possível. É por isso que eu levo isso muito para o lado pessoal, então.

Qual humor que você precisa para escrever canções?

Eu preciso me divertir. Essa também é a razão pela qual o álbum foi produzido por Dan Auerbach do The Black Keys. Eu o conheci em um clube e notei que ele é um cara muito descontraído e legal. Ele definitivamente trouxe muita espontaneidade para o álbum. Gostaria de participar de uma canção do The Black Keys, do qual sou uma grande fã. Vamos ver se algo surge.

O especial em suas músicas é que elas têm um grande contraste com quase todas as outras que estão indo bem nos charts, sendo que as suas não têm quaisquer elementos eletrônicos. Por que você então, no entanto, é bem-sucedida?

A partir deste ponto de vista, você pode realmente dizer que eu sou muito sortuda. Eu estou fazendo exatamente o tipo de música que eu gosto de ouvir quando estou dirigindo no meu carro ou quando ouço um vinil em minha casa à noite. É importante para mim que a música crie um clima especial e/ou atmosférico. As críticas, em sua maioria, são realmente cruéis, mas eu tenho sorte de ter vindo de mais longe. No final do dia, você é apenas feliz se você fez o que é diversão para você – eu estou tendo esse sentimento. Eu gosto de músicas felizes e otimistas, mas eu sou apenas uma pessoa mais reflexiva e pensativa. Portanto, a minha música é mais lenta também.

Você gravou o álbum em cidades diferentes. Isso dependeu do seu humor ou foi apenas por causa de razões de produção?

Foi principalmente por causa da produção. Eu comecei na Califórnia, juntamente com Rick Nowels, pois eu já tinha escrito Summertime Sadness e Dark Paradise com ele – agora West Coast. Eu escrevi as letras e as melodias e ele fez os acordes. Eu produzi o álbum no Electric Lady Studios, em Nova York, e quando conheci Dan Auerbach fomos para Nashville.

Você acabou de dizer que para escrever canções você precisa estar com um bom humor. Mas uma de suas canções chama-se Pretty When You Cry. Então, você só sente-se bonita quando está chorando?

Não, um cara me disse isso uma vez quando eu estava com raiva e derramei algumas lágrimas. Eu realmente não gosto que ele tenha me dito isso, mas que era a frase perfeita para o título da canção. (Risos)

Com a canção Money Power Glory você está atacando os críticos de seu primeiro álbum de uma maneira sarcástica.

Um pouco, sim. A canção tem um ano e meio de idade, portanto, é a mais antiga no Ultraviolence. A música surgiu em uma época em que eu estava realmente frustrada com o mundo externo. Algumas pessoas se limitaram a associar-me com dinheiro. Eu tive muita sorte e poder, então havia uma conotação negativa em termos de vergonha, mas não glória. Eu não queria ser vista assim, mas ao mesmo tempo eu sabia que teria de aceitar. Eu acho que essa música é a minha versão de agressividade. Mas não é uma agressão direta, prefiro brincar com metáforas. Mesmo assim, sobre a escrita da canção: eu sempre pensei que a coisa toda não valia a raiva porque eu não gosto de ser sarcástica. No entanto, essa canção só tinha que ser simples.

O que você aprendeu neste tanque de tubarões da indústria da música nos últimos anos depois de ter subido tão rápido?

O que eu aprendi foi que, mesmo antes eu costumava ser diferente e nada mudou sobre isso. Assim como eu estou sentada aqui, eu sei mais sobre por que as pessoas não gostam de mim ou da minha música. Quando eu tinha uns 20 anos e eu escrevia músicas, eu era invisível. Eu vim de um fundo alternativo e não tinha de lidar com más notícias. Quando as pessoas começaram a ouvir Born To Die e o álbum se tornou cada vez mais popular, provavelmente pensaram: “Quem diabos ela pensa que ela é? Se ela quer estar influenciando, deve pelo menos ser alguém mais inspirador.” Minha música nunca deveria ter se tornado popular, é por isso que nunca foi música pop. É, de preferência, música alternativa. Eu acho que isso incomodou muitas pessoas porque as expectativas não se encontravam. Mas, acima de tudo, eu escrevo para mim e, portanto, não tenho nada a ver com as histórias que são escritas sobre mim. Agora, há uma total separação da minha vida pública.

Às vezes é difícil para você ser famosa?

Às vezes. Porque a verdade é o que as pessoas realmente pensam sobre você. A verdade é que o que as pessoas pensam que sabem sobre você. É difícil viver a minha vida normalmente, se eu já estou em uma determinada categoria para muitos. Visto de um ponto de vista psicológico, é muito louco. Mas bem, está tudo bem.

Como você relaxa de todo o estresse e os problemas que o seu trabalho e a fama lhe trazem?

Há duas coisas que eu realmente amo. Por um lado, eu realmente gosto de ir a concertos. Recentemente, vi Courtney Love no Troubadour. Eu também vi Guns N ‘Roses, Kiss, Mötley Crüe e The Who. Você sabe que eu sou uma garota do rock. E eu gosto de estar na praia e eu amo Califórnia. Essas duas coisas me trazem de volta muito rapidamente.

Quanto tempo demora até que você esteja completamente satisfeita com uma música?

Não necessariamente depende do tempo, mas sim sobre a forma como as letras se parecem, como eu canto certas passagens e como a melodia se encaixa. Se você considerar todo o tempo que demorou para ele [Ultraviolence] ficar pronto, foram uns dois anos e meio. (Risos) Algumas músicas como Cruel World ou Pretty When You Cry foram feitas muito rapidamente, mas em outros eu trabalhei por mais de um ano.

Você está sentindo-se mais confortável agora no palco quando você está fazendo um show ao vivo?

Sim, estou me sentindo muito mais confortável agora. No começo eu era muito tímida, mas com a experiência, adquirida em cada apresentação, está ficando cada vez melhor. O público é sempre muito receptivo e feliz. Eles simplesmente não se importam que eu não sou tão extravagante e tão animada.

Finalmente: Você está planejando para apresentar o seu novo álbum na Europa? Se sim, quando?

Espero poder me apresentar com o álbum em todos os lugares no ano que vem. Eu não posso dizer muito sobre isso agora.

 

Tradução por Eduarda MetzgerGabriela Mendes e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Kronen Zeitung.