Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Galore (2014)

Lana Del Rey é capa da edição de dezembro da revista ‘Galore’

Lana Del Rey é a estrela da capa e recheio da edição de dezembro da revista norte-americana Galore. A cantora posou para as lentes de Francesco Carrozzini — fotógrafo italiano responsável pelas fotos da revista L’Uomo Vogue e atual namorado da cantora — em um novo ensaio fotográfico. Leia abaixo a tradução da entrevista realizada por Chuck Grant, irmã de Lana, para a publicação:

GALORE APRESENTA: LANA DEL REY MANIA

Esta capa marca o segundo aniversário da Galore. Estamos comemorando com uma matéria para colecionadores especiais, com a nossa cantora favorita Lana Del Rey, que sentimos que ela encarna todo o carisma e sex appeal que amamos na Galore. Fotografada pelo namorado, Francesco Carrozzini, na praia em Malibu, e em sua casa, em Los Angeles, Califórnia. O clássico ensaio irradia o glamour atemporal de Lana e a beleza poética e misteriosa de sua música.

Você está trabalhando em algo novo?

Sim, eu acabei de escrever duas músicas para o filme de Tim Burton e Harvey Weinstein, chamado Big Eyes, e estou trabalhando em um novo disco. Eu também estou sempre escrevendo pequenas composições para filmes independentes, etc. Dan Heath e Rick Nowels são dois dos meus mais queridos amigos e produtores e estamos sempre aprontando alguma coisa.

Onde você mora e quantos carros você tem?

Eu moro em Koreatown, no leste de Los Angeles e eu tenho dois carros da marca Jaguar.

Quem você ouve?

Eu sintonizo na KJazz onde quer que eu esteja, no meu telefone. Essa é a única coisa que eu escuto.

Com quem você transaria na indústria da música?

Eu transaria com Azealia Banks, porque eu tenho as mesmas inclinações artísticas que ela, e o mesmo gosto para homens.

Quem você acha que você está conectado na música em um nível psíquico e psicológico?

Cat Power e Father John Misty.

Quem você acha que se relaciona com você em termos de sua carreira agora?

Lil’ Kim.

O que você ama?

Eu amo a praia. Eu amo quando eu tenho esses momentos raros em que eu simplesmente desligo e não me preocupo com nada — talvez ligar o rádio, dirigir de Los Angeles até Santa Barbara. Talvez pegar um barco ao longo da costa. Eu também gosto de escrever, tarde da noite perto da Wilshire Boulevard.

Eu sei que, quando você morou em Nova Iorque por 8 anos, você disse que nunca iria sair. O que aconteceu?

Eu amava Nova Iorque. Quando eu estava lá, era quase como a minha única fonte de inspiração, mais do que qualquer outro homem, escritor ou rapper, mas é mais difícil para mim voltar agora. Eu costumava dar caminhadas tarde da noite sobre a ponte de Williamsburg, ir a todos os cafés-restaurantes 24 horas com $5 e implorar os garçons para me deixar ficar a noite toda em troca da compra de uma gigante fatia de bolo de chocolate. Ficava horas sentada, lendo sobre pessoas interessantes, como Karl Lagerfeld [designer de moda alemão] e ouvindo livros em cassete por Tony Robins [escritor e palestrante motivacional estadunidense], para me fazer companhia. Pegava o trem D para Coney Island, e pegar o trem D de volta para o Bronx onde eu morava na Avenida Hughes.

Eu me pergunto quantos cadernos você preencheu sobre os passeios de metrô…

Muitos mesmo.

Me lembro do pouco tempo que vivemos juntas em Nova Iorque, eu costumava chegar em casa do trabalho e ver toda a parede do nosso apartamento estúdio coberto de cenários tropicais estranhos da loja Party City. Havia ouropel em todo o lado, e serpentinas coladas nas paredes, e eu ficava furiosa porque parecia o set de filmagem amador mais bizarro, e mais, eu estava preocupada por sua sanidade, porque eu não conseguia ver onde estava querendo chegar com tudo isso. Olhando para trás, porém, a sua obsessão com bijuterias estranhas e enfeites havaianos pareciam como pequenas dicas de cores para músicas e vídeos futuros.

Sim, é claro que eu me lembro daqueles dias. Você odiava meu aquário elétrico, que me deu a diversão sem fim. (Ela pisca o olho!)

Para o registro, eu amava esse tanque de peixes, você me deu no meu aniversário de 19 anos. Eu acredito que o inadvertido tema foi ‘Chinatown’. Agora, eu sei que você não gosta de falar sobre isso, porque os jornalistas têm uma espécie de imagem mitificada de seu passado, mas vamos falar sobre o trailer onde você viveu por alguns anos — eu te fotografei lá quando você tinha 22 anos e continuei fotografando por dois anos, enquanto você estava escrevendo e se divertido e terminado seu álbum com David Kahne. Você era tão doce e feliz que você teve o seu próprio lugar para escrever e residir, e dinheiro extra daquele contrato de 10.000 dólares com a gravadora. Foi também um momento triste para você, porque se separou de Steven Mertens, que tinha originalmente produzido esse álbum, e era seu namorado na época. Eu não tenho que te perguntar isso porque, como sua irmã, eu acho que já sei, mas você diria que esse foi o seu momento mais enriquecedor como artista e o momento mais feliz em Nova Iorque (apesar da separação do Steven.)

(Sorriso) Sim.

Você se lembra quando decorou o estúdio de David Kahne? Me lembro de estar sentada do lado de uma urna decorativa durante uma de suas sessões de gravação. Mesmo agora, você traz fitas ou laços ou iconografia específica para sessões de gravação. O quão é importante que o seu espaço reflita seu estilo pessoal ou personalidade?

Honestamente, eu não penso nisso há muito tempo. Eu costumava ter algum tipo de talismã comigo, se eu estivesse escrevendo. Algo ligado às letras como uma corda brilhante ou um espelho compacto dourado — naquele tempo era bastante importante. Agora eu internalizei tanto o que eu passei a amar, que eu não penso muito mais nisso.

Por que algumas pessoas te sufocam em geral?

Eu escolho escrever sobre o que eu sei. Eu opto por não discutir essas histórias mais distantes do que a minha música. Isso não torna as coisas mais fáceis para mim publicamente ou em entrevistas, e eu dou entrevistas, porque eu acredito que a música é boa o suficiente para apoiá-la da melhor forma que consigo. Às vezes, quando as coisas que você diz e a sua aparência não se somam — as pessoas são rápidas para rotular você como um imitador, ou sentem que você não tem direito as experiências de vida que você viveu. Elas não são profundas o suficiente para intuir.

Eu sei que você me disse pessoalmente que você estava grata pelo tempo que passou com Jon Pareles, do The New York Times, o que fez com que essa experiência fosse melhor do que as outras?

Por um lado, ele tinha boas maneiras. Ele era articulado, perspicaz e ciente de que eu não dava entrevistas há um ano. Ele fez o que muita gente não fez, que é aferir o que uma pessoa é através da intuição e do sentimento. Também conhecido como ler nas entrelinhas. Ele tem sua própria bússola moral interna e não tinha nada a ganhar dizendo mentiras.

Apesar das dificuldades que você teve e a relação tumultuada com a mídia, parece que as pessoas que realmente ouviram o seu álbum concordam unanimemente que Ultraviolence é rico em belas melodias e intransigentemente fiel à sua estética inata. Descreva seu processo de escrita deste último álbum… Foi significativamente diferente de escrever o seu primeiro?

Não realmente. Quando você tem uma verdadeira estética natural, tudo vem do mesmo lugar e se sente da mesma forma que borbulha. Para mim, é o momento em que eu vou ser inspirada que é imprevisível. A musa, como acho que você poderia chamar. Eu poderia ter sorte de uma sequência perfeita de melodias melancólicas que vêm a mim. Ou eu poderia esperar por anos e não ouvir nada. É claro que eu sempre escrevo independentemente da inspiração — mas isso é diferente de estar no fluxo e sem esforço, canalizando rimas e ritmos etc.

O que você faz quando a inspiração está difícil de vir?

Falar sobre a inspiração só faz sentido quando você está falando com alguém que verdadeiramente tenha sido inspirado e criado a partir desse lugar. É difícil quando não me sinto inspirada e é, geralmente, um sinal de que não estou vivendo da maneira certa.

Este ano, nós conversamos muito sobre as nossas ligações pessoais a um poder superior, que tipo de papel a oração ou meditação tem em seu processo artístico?

Eu acho que eu diria que, o bonito sobre sentir-me ligada a algo maior é que mesmo no meu ponto mais baixo, eu sempre tenho a sensação de que estou sendo cuidada.

Eu fui com você a Nashville este ano, junto com seu amigo de longa data e dono da Electric Lady Studios, Lee Foster. Você gostou do seu tempo lá? Eu sei que, para mim, foi um sonho. Nós três vivendo naquelas pequenas cabines em Mount Juliette, com a banheira de hidromassagem no quarto, tentando tirar o caminhão da lama, os lotes de flanela, dirigir em Nashville cada dia… Você sentiu que ele deu-lhe o que você precisava do ambiente?

Sim. Primeiramente, estava longe de casa então isso foi influente em sua própria maneira. Ter você e Lee lá e, claro, a emoção de trabalhar com Dan [Aurbach] criou um bom ambiente. Ele me deu aquele fuzz e aquele buzz. Eu também conheci algumas meninas que eu amava, ou seja, Nikki Lane, para quem você fez o ensaio da Rolling Stone, eu acho? Ela era uma garota incrível. Eu amei o seu espírito e sua voz e todos nós indo para um par de house-parties juntos durante o meu tempo lá me deu uma boa sensação acolhedora.

Algum plano para o futuro?

Não realmente.

(Risos) Ok, bem, provavelmente devemos nos concentrar na estrada agora, nossas 250 milhas em I-97 estão quase acabando. Qual episódio de Snapped você quer assistir? Eu estou procurando agora, é entre uma ex-stripper com três noivos e uma apólice de seguro de vida, OU uma dupla de mãe e filha, cujo caso de assassinato está, provavelmente, em obras para um filme para a vida.

Temos tempo para os dois.

 

Tradução por Carolina Araújo e Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Galore.

Confira as fotos na galeria abaixo: