Lana Del Lovers
Lana Del Rey por Sebastien Micke para a revista francesa 'Paris Match' de 2017.

Lana Del Rey fala sobre felicidade, filhos, carreira, nova canção e muito mais em entrevista à ‘Paris Match’

Em entrevista concedida à revista francesa Paris Match, Lana Del Rey falou sobre felicidade, filhos, carreira, nova canção e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Lana Del Rey se recosta no divã.

Ela não abandonou seus cílios falsos, mas se livrou da tristeza. Depois de dois anos de ausência, a diva do “sad pop” voltou com uma “Rage De Vivre”, tradução francesa de Lust For Life, seu quinto álbum que será lançado dia 21 de Julho e Love, seu primeiro single, já passou de 50 milhões de visualizações no YouTube. Mesma voz hipnótica, mesmo universo poético de uma mulher que agora tem um certo gosto para a felicidade. Desde a sua estreia em 2012, na internet, com Born To Die, que a fez uma das maiores estrelas na música, Lana nos conta em incríveis músicas e lindos clipes sobre sua frágil vida como uma jovem garota assombrada pela morte e pelo fracasso. Hoje, ela diz que superou esses demônios e seus relacionamentos tóxicos. Solteira, talvez, mas com o coração mais leve.

Para ela, já virou história. Com 17 anos, Elizabeth Woolridge Grant escreveu suas próprias músicas e fez seus próprios clipes: “Eu tirei muitas fotos. Então eu comecei a me gravar, usar minha imagem.” Após sete anos conturbados cantando em bares no Brooklyn, seu clipe Video Games, postado em 2011 e que até hoje já foi visto mais de 155 milhões de vezes, levou em poucos minutos a jovem americana a uma notoriedade nunca antes vista. Ela evoluiu para Lana Del Rey, Lolita 2.0, fã dos anos sessenta que através de suas músicas conta uma história às vezes indecente e provocativa, mas sempre sensual. “Eu estou conectada com o futuro e com o passado ao mesmo tempo… É por isso que tenho poucos amigos…” Hoje, ela canta “Sou jovem e estou apaixonada”, mas confessa que achou a felicidade… Desde que não está mais namorando. “Eu nunca fui muito sortuda em escolher namorados.”

Ela sempre adorou fazer um show. “Quando eu era criança, eu adorava fazer da minha vida uma obra de arte.”

“Minha paixão por lindos filmes pode explicar minha estética”, diz a mulher que adoraria ter vivido o Flower Power[slogan usado pelos hippies dos anos 60 até o começo dos anos 70 como um símbolo da ideologia da não-violência] dos anos hippies.

“Crianças. Amigos, isso vai ser um bônus. Meu sonho é, simplesmente, ser feliz.”

Da nossa colega em Los Angeles, Karelle Fitoussi.

Nós te conhecemos sombria e melancólica, cantando suas histórias sobre amores atormentados. Você voltou com duas músicas que exalam a falta de preocupação e “joie de vivre” [alegria de viver]. O que aconteceu?

Eu não namoro há um ano e meio. Aparentemente, isso me fez muito bem. (Ela ri) Eu aprendi como falar não e a escutar à pequena voz na minha cabeça que me diz para fazer uma coisa ou outra.

Você tem “Trust no one” [não confie em ninguém] tatuado na sua mão… Você foi traída muitas vezes?

Sim. Eu nunca fui boa em escolher amigos. Mas agora está melhor, eu sei como lidar com isso. Eu aprendi uma coisa, as pessoas te mostram muito rapidamente quem elas realmente são. Você tem que ouvi-las, e prestar atenção aos sinais. No passado, algumas vezes eu tive namorados que me disseram coisas estranhas, coisas que eu deveria ter achado inaceitáveis, mas fechei meus olhos. Isso não acontece mais. No menor sinal de algo estranho, eu caio fora. Uma história de amor que não te faz bem é tóxica. Eu finalmente entendo isso.

Você teme que sua recém-encontrada felicidade possa arruinar sua inspiração?

Não. Quando eu estava escrevendo Born To Die, eu morava em Londres, e eu conheci muitas pessoas novas, eu não sabia o que ia acontecer, mas estava cheia de esperança. Eu me vi evoluindo para esse tipo de artista vanguardista e essa empolgação me fez criar algo simples e fácil. Quando os críticos começaram a ser muito duros, quando as coisas começaram a se tornar mais violentas, foi aí que a mágica me abandonou. Então felicidade é obviamente uma coisa boa. Eu não tenho medo.

O The New York Times disse que você era um “reflexo cínico de um pesadelo e da falsidade Americana”.

Um começo interessante para a carreira de alguém, não é? (Ela ri) Foi horrível, completamente horrível. Eu realmente devia amar música para continuar depois disso. Mas eu deveria ter parado. Ainda bem que as coisas mudaram. Eu nunca vou me mudar para ser mais popular ou para fazer outra pessoa feliz.

As pessoas realmente te atacaram por sua imagem pública pesadamente construída. Alguns até disseram que você é um fantoche.

Por um longo tempo, eu não entendia essas reações. É claro que eu prestava atenção na minha aparência. Eu tinha um cabelo longo e estiloso, mas eu estava muito preocupada com a música para entender porque eles falavam de mim desse jeito. Eu estava esperando as pessoas descobrirem por si mesmas que eu era inteligente… Eu realmente tive que me questionar, me perguntar porque os outros reagiram a mim daquela maneira. Uma questão de energia, talvez. Com um pouco de espaço, até eu acho [o que eles estão falando] ridículo, eu consigo entender.

Se, com o aceno de uma varinha mágica, você pudesse começar tudo de novo, o que você mudaria?

Tudo! Não sei nem por onde começar!

Você não seria cantora?

Eu amo música, houve vezes em que ela me salvou dos meus próprios demônios, mas é uma faca de dois gumes. Se eu tivesse a oportunidade de tomar um caminho mais simples, eu faria isso, sem hesitar.

Quando você era mais jovem, você sonhou em ser escritora…

Sim, mas depois de ter tentado enquanto era jovem, eu sabia que não tinha alma de escritora. Eu tentei escrever histórias pequenas, mas elas eram terríveis. Então, eu tentei poesia… Mas ainda não era pra mim! Foi assim que eu decidi escrever música. (Ela ri). O próximo passo seria fazer Haiku [forma curta de poesia japonesa]!

Entre dois álbuns e duas turnês, o que você faz?

Eu vou à praia. Eu nado uma vez por semana, faço exercícios com a minha irmã que mora na mesma casa que eu. Eu aproveito o sol e a natureza maravilhosa da Califórnia: com as minhas amigas, nós vamos a Big Sur ou à Carmel-by-the-Sea… Eu nunca supero a visão da luz brilhante das 7:30 da manhã. Para uma nova-iorquina como eu, toda vez é encantador. Sim, eu sou a garota que constantemente fala sobre o tempo e o clima! Mas acima de tudo isso o que eu mais amo em Los Angeles é que aqui temos tantos músicos. Todas as bandas de Londres até Nova Iorque mudaram pra cá! Arctic Monkeys, The Last Shadow Puppets, Father John Misty… Eles estão todos em Los Angeles!

Você finalmente encontrou a comunidade de artistas da qual você sempre sonhou em fazer parte?

Sim. E quando eu saio em turnê, depois de quatro meses na estrada, eles estão como eu. Eles querem retomar de onde paramos. Meus amigos que não fazem música, suas vidas seguem em frente.

Como você lida viver com a constante presença dos paparazzi?

Eu escrevi uma música chamada 13 Beaches que fala sobre como eu faço isso. No último verão, tive que ir a 13 praias diferentes antes de encontrar uma sem paparazzi, onde eu deitei com um livro. Mas nós podemos nos acostumar com qualquer coisa. E talvez valha a pena. O que eu não consigo me acostumar é em sistematicamente encontrar minhas músicas na internet antes de elas serem lançadas. Leva tanto tempo para fazer um álbum… Um ano e meio! Quando saio do estúdio, sempre tenho que torcer que tudo esteja seguro.

Por que você estabeleceu esse ciclo de dois anos para cada álbum?

É o tempo que eu preciso para refletir e contemplar. Meus álbuns são como cartas de amor para mim mesma.

E você vai ter filhos?

Quando eu tiver filhos… Eu vou levá-los pra estrada comigo. Os garotos do Muse e o Chris Martin [vocalista da banda Coldplay] fazem isso bem! Eu sinto que vai funcionar, qualquer coisa que eu decida fazer. Seria uma agradável surpresa. Sim, eu adoraria ter uma família.

Isso está nos seus planos?

(Ela ri). Vai acontecer um dia. Nos próximos cinco anos, sem dúvidas. Crianças. Amigos, isso vai ser um bônus. Meu sonho é, simplesmente, ser feliz. Assim como eu sou, agora.

Tradução por Giovana Parisi e Vinícius Dias. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Karelle Fitoussi à Paris Match.

  • Tawan Pessoa

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