Lana Del Lovers
Lana Del Rey por Neil Krug (2017).

Lana Del Rey fala sobre novo álbum, colaborações, feminismo e muito mais em entrevista à ‘BON’

Em entrevista ao site da revista sueca BON, Lana Del Rey falou sobre seu novo álbum, colaborações, feminismo e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

O desejo de mudança de Lana Del Rey.

No tardar de uma noite finalmente acontece. A entrevista foi reagendada algumas vezes, mas agora estou sentada na minha cozinha enquanto um número desconhecido de Santa Mônica me liga.

Oi Annah, como você está? Aqui é a Lana Del Rey. Aqui na Califórnia ainda está de manhã.

Bom dia, Lana! Estou bem, e você? É bom estar falando com você novamente, a entrevistei em 2012.

Ah, uau. Sério?

Sim, pelo telefone. Você estava em Paris.

Ah sim, eu me lembro agora. Naquele quarto de hotel… Sim. Isso foi há muito tempo.

O que aconteceu desde a última vez que conversamos?

Tudo tem sido bem fantástico. Quando você só lançou um álbum, você não sabe o que esperar, então eu acho que é muito legal que eu também tive a chance de fazer Ultraviolence e Honeymoon.

Qual foi a maior mudança desde então?

Bem, eu me mudei para a Califórnia. Eu não morava aqui na época. Mas eu realmente gosto e me sinto confortável em Los Angeles agora.

Você apresenta um grande sorriso na capa de Lust For Life. Isso significa que Lana Del Rey é… Feliz agora?

(Risos) Bem…

Garota triste não mais?

Digamos que está sempre em progresso. Mas é verdade que tem muitas coisas na minha vida que me deixam excitada. Eu amo meu trabalho e o que eu faço. Eu também tenho muito tempo para sair e encontrar meus amigos. Então, digamos que me tornei mais enraizada.

Conte-me mais sobre a ideia de aparecer sorrindo na capa.

Minha irmã mais nova tirou a foto, assim como ela tirou a maioria das minhas fotos. Ambas concordamos que queríamos capturar um novo sentimento — em referência ao primeiro álbum. Nós estávamos na frente de um caminhão branco, e a imagem tem um brilho que eu gosto.

Seguir você através da música e dos vídeos e curtas é como entrar em um mundo de fantasia. Você diria que o sorriso é parte da história que você está contando através de “Lana Del Rey”? Você sabe, de Born To Die a Lust For Life.

Ainda não há resposta para essa questão. Eu realmente não sei como a história de Lana Del Rey termina ou para onde está indo. Estou realmente criando isso enquanto estou vivendo. Mas sei que as primeiras músicas que escrevi para o álbum foram Love, Lust For Life e outra música que não entrou para o disco. A intenção era trazer um novo humor para a música, para tornar algo mais leve. Eu queria seguir em frente. Sinto que estou avançando e explorando coisas novas. Uma parte disso significou convidar alguns amigos para estarem no disco. Eu trouxe A$AP Rocky e The Weeknd para minha casa para fazermos coisas juntas, e tudo isso foi super legal. Mas também fiz alguns novos amigos, Sean Ono Lennon e Stevie Nicks. Os dois realmente incorporaram a ideia que eu tinha para o álbum. Sean Lennon é puro amor, e Stevie Nicks é uma música poderosa personificada — ela é TÃO legal.

O dueto com Sean Ono Lennon tem muitas harmonias de John Lennon. Você escreveu essa música antes ou depois de ter perguntado a Sean se ele queria estar nela?

Sim, está cheio de influências de Lennon. A parte em que eu canto “Lay lady lay, on this side of paradise…”, acho que é uma progressão direta dos The Beatles, mas não tenho certeza. De qualquer forma, foi quando eu escrevi a parte “Nós poderíamos ligar o rádio, tocar nossa música favorita, Lennon e Yoko, poderíamos tocar o dia inteiro”, que eu percebi que essa música era para Sean.

Vocês gravaram juntos?

Não, ele mora no norte do país. Liguei para Sean e ele estava super feliz. Ele me disse que estava a procura de um novo projeto, e que sua namorada gostava dos meus álbuns. Então, essa parte foi bastante fácil. Tomorrow Never Came é a única música que escrevi que não tenho certeza de onde veio, nem os acordes nem nada. A música apenas escreveu-se.

Sobre o que é a música Change?

Trata-se de sentir como se você tivesse que mudar em vários níveis diferentes. Em primeiro lugar, que algo deve mudar no mundo. No primeiro verso, eu canto “Há algo no vento, eu posso sentir isso soprando”, e no segundo verso eu canto que é “nas asas de uma música”. Quando eu expresso meus pensamentos sobre mudanças através de letras e música, pode ser sobre a Coreia do Norte lançando mísseis ou o que quer que seja. Mas também pode ser direcionado para o interior. Então, no segundo verso, torno pessoal quando falo sobre ser estável, forte e segura, e não procurar novas descobertas quando eu ainda nem tenho minha vida em ordem.

Sinto que Change é muito política, o que é algo novo para você. O que fez você seguir nessa direção?

Sim, mas esses são os tempos em que vivemos. Como eu digo na música, “Há uma mudança que virá, eu não sei onde ou quando, mas quando acontecer, estaremos aqui para isso”. Eu quero estar envolvida em acender uma faísca; uma faísca que seja o começo do fim do que está acontecendo no nosso país agora. Eu quero fazer parte da conversa e abrir caminho. Eu não acredito necessariamente que serei um catalisador para essa mudança, mas definitivamente ficarei aqui quando acontecer — e serei parte disso.

Quando pergunto-lhe se a música God Bless America – And All The Beautiful Women In It é uma música feminista, Lana Del Rey fica visivelmente desconfortável. No começo, ela fica quieta e depois responde cautelosamente, como se tivesse medo de cair numa armadilha.

Sim… Sim, provavelmente. Eu acho. Quero dizer, não é, não uma música feminista. Mas eu… (suspiros) Eu sempre me sinto desconfortável quando me fazem essa pergunta, já que não estou exatamente associada à… ÀQUELA palavra. Nos meus últimos álbuns, tenho cantado sobre minhas próprias experiências e talvez nem sempre tenham sido empoderadoras para as mulheres… Mas agora estou em um lugar diferente na minha vida, especialmente considerando as mudanças pelas quais estamos passando aqui na América. E ficaria mais do que feliz se eu pudesse ser mais aberta e cantar sobre outras mulheres que conheço. Ou para apoiar as mulheres em geral.

Eu não quero encaixar minha música em gêneros; é só minha música. Mas não estou infeliz em dizer que minha música é feminista, é só que eu sei o que outras pessoas dirão sobre isso. Eu já posso imaginar. Eles vão dizer “Sim, sim, eu sei o que ela está tentando fazer, virando uma nova folha e assim por diante”. Mas eu acho que o feminismo vem naturalmente se você apenas observar o que está acontecendo ao redor do mundo… É apenas senso comum.

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Annah Björk à BON.