Lana Del Lovers
Lana Del Rey, por Neil Krug, para a revista britânica 'NME' (2017).

Lana Del Rey fala sobre novo álbum, colaborações, feminismo e muito mais em entrevista ao ‘The Sun’

Em entrevista ao tabloide The Sun, Lana Del Rey falou sobre seu novo álbum, colaborações, feminismo e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Em Lust For Life, seu álbum mais impressionante até o momento, Lana junta-se com os barras-pesadas da música: The Weeknd, Stevie Nicks, Sean Ono Lennon e A$AP Rocky.

Essas são as primeiras colaborações de sua carreira até o momento, que conta com cinco álbuns de estúdio, sendo quatro desses lançados nos últimos 5 anos — uma taxa impressionante de trabalho para a estrela moradora de Los Angeles.

Nós encontramos Lana em Santa Mônica, empolgada: “Bem-vindos ao nosso estúdio”, ela diz, toda abraços e sorrisos. “Aqui é onde gravamos o álbum e vocês terão uma tour pelo local.”

O estúdio pertence a Rick Nowels, seu produtor de longa data e cocompositor, que também já trabalhou com Stevie Nicks, Madonna, Tom Petty e Brandon Flowers. Discos de platina cobrem as paredes do estúdio.

“Estou muito orgulhoso da Lana por esse álbum”, diz Rick. “Suas ideias e a maneira como ela espontaneamente as escreve me espantam. Então, você escutou o álbum — quais músicas você mais gostou?”

Eu digo a ele que minhas favoritas são a faixa que denomina o título do álbum (Lust For Life) com participação do The Weeknd, assim como 13 Beaches, White Mustang e seu lindo dueto com [Stevie] Nicks, Beautiful People Beautiful Problems.

Um dia antes da entrevista fomos ao No Excuse Studio, do Dr. Dre, onde Kendrick Lamar gravou seus dois últimos álbuns: DAMN. e To Pimp A Butterfly. Lana encontra-se relaxada para nossa conversa, vestindo uma camiseta com jeans e bebendo café comprado em uma cafeteria.

Nós tocamos nove músicas através de caixas de som portáteis, revelando toda a glória do novo álbum de Lana.

Lana diz: “Esse álbum sou eu em meu momento atual. Eu em minha integridade. Sinto que fui tentando ser eu mesma em tempo real, o que foi ótimo. Não voltei atrás nesse álbum e isso parece menos catártico.”

“Mas ainda é bastante pessoal, o que pode ser difícil de balancear às vezes, tentar mostrar autenticamente quem você realmente é através das letras, mas sem ir além do que você pode realmente revelar. Eu sinto que consegui delicadamente balancear.”

O processo de criação do álbum começou com a brilhante faixa-título, na qual Lana diz ter escrito há um tempo.

“Essa música mudou muitas vezes durante o processo desde que foi primeiramente escrita até agora”, diz ela. “Nós conseguimos o Abel [Tesfaye, a.k.a. The Weeknd] para participar dela. No início tinha mais uma vibe Blade Runner e menos uma vibe The Shangri-Las. Um ano se passou e eu percebi que a música não parecia pronta. Nós começamos a refazê-la para que tivesse uma vibe mais anos 60.”

“Eu não sei se foi porque tínhamos acabado de escrever Love (o primeiro single) na época, que tem uma vibe nostálgica. Eu originalmente pensei que o álbum inteiro fosse representar esse sentimento.”

Então o que mudou?

Lana diz que escrever o álbum durante as eleições americanas teve um grande impacto.

“Eu não podia ignorar o que estava acontecendo”, diz ela. “Não sabia que o Reino Unido teria sua própria confusão e impacto ao mesmo tempo (devido à sua saída da União Europeia). Eu e meus amigos ficávamos ‘Que porra?!’. Nós acordávamos cedo para ligar uns para os outros e dizer ‘Vocês viram isso?'”

“Então, no estúdio percebemos que não conseguíamos parar de falar sobre política. Paramos de tentar não falar sobre o assunto e deixamos o álbum se tornar sobre isso.”

Sua faixa God Bless America – And All Beautiful Women In It foi influenciada pelos ataques Republicanos aos direitos das mulheres.

Lana diz: “Esse é um ótimo exemplo de uma música que é exatamente sobre o que o título diz. Na época, eu estava pensando sobre uma América onde as mulheres possuíam voz online e sobre as minhas próprias amigas. Isso foi antes da Marcha das Mulheres, quando ainda havia uma retórica sendo lançada que incomodava todo mundo. E se eles tirassem o direito à gravidez planejada e pílulas anticoncepcionais e ainda fechassem as clínicas? O que as mulheres deveriam fazer? Então, antes das marchas das mulheres começarem, escrevi essa música rapidamente e Rick amou. Ela tem tons suaves de teclado. É uma boa música sensível.”

Quando perguntada no passado sobre sua visão a respeito do feminismo, Lana não estava interessada em discutir sobre o mesmo. Ela não gosta de rótulos nem de ser rotulada a respeito de qualquer coisa.

Hoje ela diz: “Na minha vida, eu tenho uma irmã e diversas irmãs de coração. Coisas assim. Mulheres sempre foram grande parte da minha vida. Nós sempre fomos apenas amigas, nunca teve muito o que protestar. Se tem um momento específico, esse com certeza é agora e as pessoas estão fazendo isso.”

Lana, de 32 anos, adiciona: “Quando eu estava com meus 20 e poucos anos, eu realmente não sabia aonde queria chegar como mulher. Eu não sei se um dia irei casar. Você ainda está descobrindo as coisas. Quando eu era mais nova, na escola, a palavra ‘feminismo’ não era muito usada.”

“Porém era uma palavra muito importante para a geração da minha mãe. É uma pergunta muito mais relevante nos últimos 8 meses do que era cinco anos atrás. Honestamente, agora é um prazer falar sobre isso. Soa mais como uma pergunta relevante do que algo que poderia ser usado como uma granada contra mim, estando às vezes disposta a sacrificar só pra irritar alguém. Não você, mas tiveram pessoas no passado que eu ficava tipo, ‘Vá se foder!'”

Sobre estar pessoalmente mais relaxada, Lana concorda que ela também está mais autoconfiante em comparação à última vez que nos encontramos, que foi uma conversa em 2014 a respeito do álbum Ultraviolence.

“Sim”, ela responde. “Acho que estou mais confiante. Música é um emprego e é como se fosse um segundo emprego manter as coisas normais. Eu ainda faço muitas coisas sozinha. Eu dirijo, vou ao posto de gasolina e pego meu café. Eu ainda saio.”

Devido à mágoas decorrentes em entrevistas passadas, Lana decidiu não realizar nenhuma para o álbum posterior ao Ultraviolence, Honeymoon (2015).

Hoje ela admite que está mais resistente.

“Eu acho que sim”, ela diz. “No passado, as pessoas não eram só não minhas amigas, eu sabia que elas me odiavam. Valia a pena não fazer uma boa entrevista só pra eles não conseguirem o que queriam.”

“Muitos artistas nunca vão desapontar um fã porque eles não fazem nada esquisito ou dizem coisas que fogem do padrão. Eu não sou uma dessas pessoas, eu estou aprendendo! As únicas duas vezes em que isso me incomodou foram quando me contaram que os jornalistas eram fãs. Eu particularmente amo como antigamente os jornalistas, paparazzi e fotógrafos tinham o número dos artistas e tinham conversas constantes — ao invés de usarem da força no processo.”

“Eu acho mais fácil conseguir a verdade utilizando da delicadeza. É ótimo poder falar sobre música. Mas alguns querem saber o que você vai fazer na quarta-feira e bem… esse é meio que o meu dia de folga.”

Uma faixa excepcional do Lust For Life é o hino 13 Beaches, uma música sobre Lana fugindo dos holofotes em uma praia vazia.

“Eu amo que você tenha mencionado essa faixa”, ela diz, sorrindo. “Parece um problema fútil, mas é esse conceito abstrato de precisar deixar muitas praias apenas para encontrar uma não ocupada. Por mim, para que eu possa usar aquele espaço — daquele exato espaço físico e tempo — sozinha pra pensar, escrever e meditar. Essa definitivamente foi uma das primeiras músicas escritas, quando eu ainda me sentia levemente impedida ao ser notada em público.”

Duas colaborações no Lust For Life representam momentos especiais para Lana como uma fã de música.

Uma é seu dueto com a lenda do grupo Fleetwood Mac, Stevie Nicks, em Beautiful People Beautiful Problems.

Lana insiste ter estado nervosa sobre cantar com Stevie, mas chama o dueto de um “momento definidor de carreira”.

Outra foi seu trabalho com Sean Ono Lennon na empolgante Tomorrow Never Came.

Lana diz: “Essa foi a única faixa que pensei não ser uma música ‘minha’ ou não pra mim. Eu não estava pensando em alguém específico quando escrevi. Eu tinha essa pequena letra sobre [John] Lennon e Yoko [Ono] e pensei: ‘Eu me pergunto se Sean se sentiria confortável cantando uma música direcionada a seus pais?’ Então eu consegui seu número e falei com ele por FaceTime. Eu não o conhecia, então estava super nervosa. Mas assim que ele respondeu, estava muito empolgado. Então me senti muito orgulhosa por ter seguido meu coração e me senti realmente gratificada por aquilo.”

Ele se tornou um ótimo amigo desde então.

“Ele não soa como o pai dele na música? Ele soa como si mesmo, mas ainda assim como seu pai. Rick também disse isso a ele.”

Lana fez um show excepcional na segunda, na O2 Academy Brixton em Londres, Inglaterra. E nós arrumamos um tempinho para falar sobre seus planos, visualmente, para suas próximas performances. Também conversamos sobre seu incrível projeto com o rapper e produtor A$AP Rocky.

Ela diz: “Nós somos a turma de 2011! Eu conheci ele e Tyler, The Creator nessa época e é ótimo que todos nós ainda estamos fazendo música. Fazer esse álbum me trouxe de volta. Eu segui adiante e só quero me aprofundar nesse sentimento. Tem tido muitos imprevistos, mas estou bem e tudo sobre esse álbum parece novo.”

Tradução por Carolina Nunes. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Jacqui Swift ao The Sun.