Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Billboard (2017 - Austin Hargrave)

Lana Del Rey fala sobre o processo de criação do álbum ‘Lust For Life’ em entrevista à ‘Billboard’

Em entrevista à edição norte-americana da revista Billboard, Lana Del Rey, Ben Mawson e John Janick falaram sobre o processo de criação do álbum Lust For Life. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Como Lana Del Rey escreveu seu mais politicamente engajado álbum até agora.

Quando a misteriosa e melancólica Lana Del Rey anunciou seu quinto álbum com um sorriso radiante e um lead single simplesmente chamado Love, parecia que a mudança estava no vento. Seguindo o introspectivo e sombrio Honeymoon de 2015, álbum que alcançou o segundo lugar na Billboard 200, os fãs disseram que este seria o “álbum feliz” de Del Rey. Em vez disso, quando a eleição de 2016 surgiu durante seu processo de escrita, Del Rey, 32, metabolizou o caos circundante em um trabalho comprometido e consciente. “Eu gosto desse verso de Leonard Cohen: ‘Há uma rachadura em tudo, é assim que a luz entra'”, Del Rey diz. “Sinto que este é o ano onde estamos vendo várias rachaduras — as mesmas que estão lá desde sempre. Mas o lado positivo nisso é que iluminamos os problemas que têm estado na sociedade por um longo tempo, e esperançosamente consertá-los. Isso me deixa animada, na verdade.” Acompanhada de seu colaborador de longa data, o produtor Rick Nowels, Del Rey mescla o folk dos anos sessenta com uma despojada percussão de hip-hop e, pela primeira vez em sua carreira, recebe uma eclética lista de convidados (incluindo Stevie Nicks, The Weeknd e Playboi Carti). Para Del Rey, um dos poucos artistas contemporâneos que se foca em álbuns, tocar no estado de espírito do momento valeu a pena: o primeiro single Love passou duas semanas no topo na lista Rock Digital Song Sales e Lust For Life tornou-se o seu segundo álbum a conquistar o primeiro lugar da Billboard 200.

Lana Del Rey: Honeymoon foi como um projeto de vaidade, para mim. Com ele, eu estava pensando em coisas mais amplas do que apenas meus relacionamentos, o que era bom para mim, e provavelmente bom para meus fãs também. John Janick e o caras com quem eu trabalho amaram Love e Lust For Life, então esses foram os dois singles sobre os quais nós pensamos. Estou dizendo “singles” com aspas — para nós, isso significa que a canção vai ter um vídeo.

Del Rey: Começou como Young And In Love, mas eu realmente não gostava daquele título; não era o tema da canção. Então trabalhei com Sean Ono Lennon. O legado de Lennon é tão vinculado naquela única palavra. Então eu pensei, “Você sabe o quê? Eu apenas quero ir para isso.” A gravação inteira está apontando o seu pequeno nariz nessa direção. E eu gostei disso, é bastante literal — pareceu bom e confortável para necessariamente não ter camadas em todos os singles. Esse e o Lust For Life eram meio que apenas sobre se divertir.

Ben Mawson (empresário): O mais importante para Lana é que seus álbuns sejam um produto coeso. Seu processo de escrita é muito natural, sem pensar diretamente nas rádios ou em singles.

Del Rey: Eu queria ver se o [Lust For Life] seria ouvido pelo o que ele realmente dizia. Em geral, do que eu li, foi interpretado corretamente. O que é um bom sinal para mim: significa que eu não estou vendo coisas de um jeito e a cultura está vendo coisas de outra maneira. Isso quer dizer que você precisa checar você mesmo, e eu não quero me conferir. Eu quero ficar no fluxo. Talvez eu precisasse de muito tempo para ser eu, e ser estranha. Quem sabe por que a cronometragem funciona da maneira que funciona? Mas eu realmente gosto desse álbum. Penso que se esse foi o primeiro álbum que algumas pessoas ouviram de mim, eu ficaria muito orgulhosa disso.

John Janick (presidente/CEO da Interscope Geffen A&M): Todo projeto que eu estive envolvido com ela, ela sabia onde estava indo com tudo: a ideia, a aparência, o sentimento. E ela tinha isso com muito antecedência [para o Lust For Life].

Del Rey: Eu acho que uma boa palavra [para descrever a mudança de humor de Lust For Life] seria presente — menos olhando de fora, e numa perspectiva mas integrada liricamente. Comecei a escrever as canções sombrias primeiro: Heroin, Get Free, 13 Beaches. Então, tive que atravessar toda minha lástimas [risos]. Então, uma vez que consegui ser catártica dessa maneira, pensei: “Tudo bem, agora eu quero convidar meus amigos.” Obviamente, as eleições estavam acontecendo durante o meu processo de escrita do álbum, logo, acabei escrevendo When The World Was At War We Kept Dancing e God Bless America – And All Beautiful Women In It. Todas essas pequenas coisas culminaram em um produto final.

Janick: Eu lembro de ir no estúdio um dia e ela estava tocando provavelmente uma parte do que está no álbum agora. Ouvindo Love pela primeira vez — foi um daqueles momentos de arrepiar.

Tradução por BryanCássio Bauer e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Meaghan Garvey à Billboard.