Lana Del Lovers
Lana Del Rey por Neil Krug (2017).

Lana Del Rey fala sobre Stevie Nicks, novo álbum, falta de privacidade e muito mais em entrevista à ‘BBC News’

Em entrevista ao site BBC News, Lana Del Rey falou sobre seu novo álbum, Stevie Nicks, falta de privacidade e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Lana Del Rey: “Eu fui sacudida no mundo real.”

Lana Del Rey está de bom humor.

Ela acabou de passar pelo estúdio com o Nick Grimshaw da BBC Radio 1, tentando fazê-lo rir enquanto ele fazia alguns negócios sérios de apresentação de rádio; e ela está sonhando acordada com a sua comida favorita do Reino Unido — um sanduíche da Pret.

Quando ela descobre que está no mesmo prédio que a redação da BBC Newsroom Live, a estrela pede educadamente uma visita guiada. “Eu nunca consigo fazer coisas assim”, estranha a cantora, enquanto ela caminha de olhos arregalados pelos estúdios e torres de satélite.

Neste contexto, Del Rey é estranhamente anônima. Jane Hill, que se prepara para ler as notícias da hora do almoço na BBC One, nem olha para cima quando a superstar passa por sua mesa. É um luxo raro para alguém que é seguido por paparazzi e câmeras da TMZ quando está em casa, na Califórnia.

Ela aborda a falta de privacidade em seu novo álbum, Lust For Life, onde uma música chamada 13 Beaches apresenta Del Rey à procura de um lugar “passando Ventura e com muitas lentes” onde ela pode desfrutar de um momento romântico de isolamento.

Quando nos sentamos para conversar, ela revela que essas mesmas preocupações a impediram de comparecer à Marcha das Mulheres em Los Angeles, no início deste ano. “Eu levei minha irmã e suas amigas para a Marcha”, diz ela. “Eu pensei nisso [me juntar a elas], mas eu não tinha certeza de como seria. Eu realmente não queria ser uma distração para aquele grupo de 10 meninas que estavam indo. Eu queria que elas pensassem sobre a marcha e não sobre mim, parada ao lado delas.”

Mas a estrela está fazendo sua contribuição de outras maneiras. Uma nova música, God Bless America – And All The Beautiful Women In It, é um ode para mulheres (“que você se sinta orgulhosa e forte”); enquanto Coachella – Woodstock In My Mind, mina as contradições ao estar dançando em um festival “enquanto observa tensões com a Coreia do Norte”.

É uma nova dimensão para as letras de Del Rey — que tradicionalmente se preocuparam com “procurar o amor em todos os lugares errados”.

“Eu meio que fui abalada pelo mundo real de novo”, diz ela. “Estar na Califórnia, é um estado tão liberal… E fui bombardeada com as notícias todos os dias. Assim, meu estúdio tornou-se um grupo de reflexão — durante as eleições tive conversas constantes com meu produtor e engenheiros de som e seus assistentes. E então, obviamente durante o Coachella, a notícia sobre a Coreia do Norte veio a tona e o apontar de mísseis de um país para o outro. Isso foi um despertar grosseiro.”

A taxa de trabalho de Del Rey é surpreendente. Lust For Life é o seu quinto álbum em seis anos — e chega ao seu máximo com 16 faixas todas coescritas com seu produtor de longa data, Rick Nowels. Eles gravaram tudo em seu estúdio em Santa Mônica, a poucos quarteirões da praia, então “nunca parece trabalho”, diz ela.

“Andar todos os dias, tomar um café juntos e dar um passeio, e então começávamos. Então, nunca sentia como se estivesse bombeando [as músicas]. Embora seja definitivamente uma bênção que eu tenha conseguido liberar tantas músicas.”

Em Lust For Life, a cantora se abriu musicalmente, bem como liricamente. A faixa-título é um duo de impulso com The Weeknd, enquanto Summer Bummer quase se autodestrói, se dissolvendo em ruídos digitais e batidas apagadas, com os vocais de Lana mal segurando a música.

Ela também deu as boas vindas a colaboradores em seu mundo pela primeira vez — absorvendo-os em sua estética, em vez de capitalizar as tendências dos charts.

“Foi muito divertido!”, ela diz sobre trabalhar com A$AP Rocky e The Weeknd. “Eu queria que esses indivíduos adicionassem um pouco de fogo, um pouco de energia no álbum.”

Mais assustador foi convidar a lenda do rock, Stevie Nicks, para o dueto em Beautiful People Beautiful Problems. “Eu estava definitivamente nervosa“, diz Del Rey sobre a sessão de gravação. “Ela saiu do avião às 22h30min, então não chegou ao estúdio antes da meia-noite — e ela simplesmente entrou, preto sobre preto, ouro em todos os lugares. Ela era uma espécie de visão. Quando ela começou a cantar, me disse que queria me ouvir cantar algo também. E então eu realmente surtei!”

“Eu disse a ela sobre o microfone,  ‘Eu soo tão calma em comparação com você’. E ela disse algo como, ‘Tudo bem, você pode ser meu pequeno eco!’ Eu achei aquilo tão legal. Eu não sou tão estrondosa quanto ela. Minha voz não é tão baixa quanto a dela. Mas ela a adora pelo que é. Isso, como estava acontecendo, foi um momento definidor da minha carreira para mim.”

Outras músicas do álbum tiveram uma gestação mais problemática. Del Rey diz que a faixa final, Get Free, originalmente tinha um título diferente e letras muito mais pessoais.

“Essa música começou realmente reveladora. Queria resumir toda a minha experiência dos últimos seis anos, e então percebi que não queria revelar tudo. Uma vez que a versão inicial estava ‘fora do meu sistema’, a gravação foi excluída completamente, e então recomecei do zero.”

A letra tornou-se mais vaga e mais esperançosa; e a versão re-gravada termina com Del Rey referindo Neil Young: “Eu quero sair do preto, para o azul”.

“Eu acho que seria difícil para mim dar entrevistas se eu tivesse dito algumas das coisas particulares nas quais eu estava pensando”, diz ela sobre a versão original. “Assim como aconteceu com Ultraviolence. Foi mais difícil promover aquele álbum.”

Ela está se referindo à faixa-título de seu segundo álbum, que retratou Del Rey em um relacionamento destrutivo e abusivo. Lana já tinha sugerido que a música se referia à sua associação com uma ‘seita subterrânea’ em Nova Iorque, que era controlada por um guru carismático.

Nos shows, ela recentemente parou de cantar a verso chave da música, “Ele me bateu e pareceu um beijo”.

“Eu não me sinto mais à vontade com essa letra. Qualquer que fosse o meu conceito de carinho na época, não me serve mais. Obviamente. Esperançosamente.”

Em Lust For Life, ela parece mais feliz, mais aparente do que antes. No palco, ela também está mais confiante.

Lançou o álbum em um show único em Londres, porém ela foi forçada a abandonar a performance da faixa de abertura, Love.

No início de sua carreira, ela poderia ter congelado. Agora, ela apenas canta uma acapella, com a multidão entrando como seu próprio coro pessoal.

“Não sei exatamente o que aconteceu, mas achei que o meu tecladista estava tocando os acordes errados”, explica. “Eu estava inclinando-me para ele e dizendo: ‘Não é isso, não é isso’ e ele estava tipo, ‘é sim, confie em mim’. Eu escutei por 10 segundos e eu estava tipo, ‘droga, eu definitivamente não consigo acompanhar’. Eu também não consegui no ensaio. Então eu o mandei parar. Eu me sinto mal — eu fui um pouco desagradável. Mas essa música está no cerne do disco e pensei que seria estranho se eu não fizesse isso. Então, felizmente, as pessoas que estavam no show sabiam a letra e eles cantaram comigo.”

Ela escuta com alegria a gravação da performance — explicando como ela não tinha percebido o quão alto estava a multidão porque estava usando fones de ouvido. “Estou tão feliz. Estando na audiência, você também sentiu isso?” Eu disse a ela que era como estar na igreja. “Oh, pare!”, ela solta e explode em gargalhadas.

Esse bom humor não vai a lugar algum em breve.

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Mark Savage à BBC News.