Lana Del Lovers
Lana Del Rey e o radialista Ted Stryker nos bastidores do festival 'KROQ Weenie Roast Y Fiesta' em Carson, Califórnia, no dia 20 de maio de 2017.

Lana Del Rey fala sobre Stevie Nicks, The Weeknd, fãs e muito mais em entrevista à ‘KROQ’

Em entrevista concedida ao radialista Ted Stryker da KROQ nos bastidores do festival KROQ Weenie Roast Y Fiesta em Carson, Califórnia, neste último sábado (20), Lana Del Rey falou sobre sua colaboração com Stevie Nicks, The Weeknd, fãs e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Pessoal, aqui é Ted Stryker, nos bastidores do KROQ Weenie Roast Y Fiesta, depois do corredor, virando à direita, abri a porta, passei por um homem e em um sofá branco: Lana Del Rey. Oi, Lana Del Rey!

Olá!

Como você está hoje?

Estou bem, obrigada.

Então… Sua apresentação já aconteceu e você sente-se exausta, aliviada, animada… O que você está sentindo?

Estava tão animada em estar naquele palco e eu me sinto bem. Estava bem barulhento, mas acho que todo mundo estava feliz. Então… Bem!

Você tem uma ótima maneira de ter uma energia que não é forçada…

Obrigada!

Por nada! Quando você está fazendo um álbum, é uma luta dentro de você para fazer uma certa coisa, talvez você está tentando chegar a um lugar mas se sente melhor em outro… Isso faz sentido?

Quando eu estou realmente gravando o álbum?

Isso!

A gravação do álbum é meio que a única parte do processo todo onde eu não preciso brigar comigo mesma por nada. Pode levar um longo tempo para terminar um álbum, mas é meio que o meu lugar mais confortável. Eu realmente fico empolgada para ver como a tracklist se revela pra mim em termos de ordem, e diferentes produções…

E quando você vai fazer um álbum inteiro, uma coleção de músicas, obviamente hoje em dia você consegue fazer uma música e tê-la pronta em dois dias!

É verdade!

Mas você tem que lançar… Está fora de suas mãos neste ponto.

Sim. Bem, quero dizer… No passado eu gastei um monte de tempo na produção, mas recentemente fiz e lancei uma canção chamada Coachella – Woodstock In My Mind, que eu escrevi após o festival…

Eu amo essa canção.

Obrigada! Foi muito legal pra mim poder lançá-la em tempo real. Eu não acho que fiz isso nos últimos seis anos. Quer dizer, obviamente antes de eu ter uma gravadora eu meio que ia lançando as coisas à medida que ia pensando nelas, com apenas um violão acústico. Eu sinto que é um momento realmente interessante na música onde você pode fazer isso novamente… Apenas ver pra onde vai.

Certo. No primeiro minuto da canção que você está se referindo, você conta uma história tão importante — todas as suas músicas são histórias, podemos sentir isso imediatamente. Todos podem decorar a letra, mas acima de tudo, especificamente a experiência do Coachella, foi positiva pra você?

Sim, quero dizer, eu amo festivais, eu amo ver pessoas se juntarem para cantar músicas, todas juntas. É maravilhoso e é diferente de todo o resto. Eu me diverti tanto durante o Coachella, foi uma experiência tão interessante. Eu amo Father John Misty e eu amo sua esposa Emma Tillman, nós fazemos tantas coisas juntos. Ver o show ir tão bem e na manhã seguinte, durante o café da manhã, ouvir sobre toda a tensão que estava surgindo entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, foi um choque no meu sistema.

É por que toda essa diversão estava acontecendo e as pessoas estavam meio que em seu próprio mundo, enquanto fora disso toda a loucura estava acontecendo?

Sim, as pessoas com as quais eu estava assistindo os shows estavam falando sobre o assunto, eu não sei exatamente quantas, mas sei que muitas pessoas também não estavam falando sobre isso. Mas eu acho que é porque é como enfrentar um novo problema como um país.

Stevie Nicks.

Stevie Nicks.

[Faz] parte do novo álbum.

Sim.

Você disse a ela o que fazer, tipo… “Faça isso assim!” Como você a conheceu? Como ela se envolveu? Qual é o nome da faixa? Nos dê a informação, por favor.

A faixa chama-se Beautiful People, Beautiful Problems. Eu meio que pensei ter terminado o álbum algumas vezes, mas em uma dessas vezes, senti que queria uma mulher [colaborando] nele. E eu estava falando com meu produtor Rick Nowels sobre quem seria a pessoa perfeita para estar no disco e nós dois meio que só conseguimos pensar na Stevie. É engraçado, pois ele estudou com ela no colegial e seu primeiro sucesso é com ela, cuja canção não consigo me lembrar, ele a conhece muito bem e ligou pra ela. Na verdade, eles começaram a trabalhar na canção no Electric Lady Studios em Nova Iorque e então ela voou para cá, acredito que na semana seguinte, e finalizou a faixa em nosso estúdio. E ela foi incrível, ela foi… Eu não sei. Ela apenas foi o que você espera que ela seja. Ela é tão contemporânea e sabe de todos os lançamentos da semana. Ela amou a faixa e adicionou tanto a ela.

Eu amo que ela quis fazer uma carreira completa, não apenas cantar canções, como também escrevê-las.

Sim! Ela é uma das poucas pessoas que conheço que dizem que a musa é a coisa mais importante para ela. Mais do que qualquer outra coisa, sua prioridade é seguir a musa onde quer que ela a leve, seja à uma turnê de 60 dias, um novo álbum ou um novo trabalho solo. Então ela é inspiradora assim.

É fácil ou difícil para você manter-se no caminho exato que você quer estar? Não porque você está com uma grande gravadora, mas porque há muita gente em seu mundo, há empresários e o pessoal da gravadora, há muitas pessoas no seu ouvido, mas você tem trilhado um caminho que é tão óbvio para mim. Você é uma artista, eu sei que você quer trilhá-lo assim. É difícil fazer isso?

Não, eu tenho dificuldade de fazer algumas coisas mas todo mundo está tão acostumado comigo estando no meu caminho instável e nonsense que na verdade tem sido ótimo, como quando eu disse que queria lançar Coachella – Woodstock In My Mind algumas semanas depois e todo mundo ficou tipo “Ótimo! Vamos lançar!”, mas sem pressão, sem me cobrar realmente. Eu acho que a única coisa que é difícil é que de algumas formas é uma decisão todos os dias. Eu acordo e vou pro estúdio o dia todo, todos os dias, e faço a mesma coisa nas turnês, mas eu realmente gosto de fazer as duas coisas.

Você define um horário para compor músicas ou está constantemente dizendo coisas e sussurrando melodias em seu telefone; Ou diz “Amanhã à noite vou comer clara de ovo e depois disso escrever”?

Eu faço os dois! Canto durante todo o dia para meu celular e, então, meu produtor, que é bastante rígido e tal, nós geralmente começamos por volta de 1h30min ou 2h na maioria dos dias, então eu sei que provavelmente eu vou estar lá quatro, cinco dias por semana. Eu acho que na reta final do álbum eu vou para o estúdio todos os dias, mas até o ponto em que eu tenho cerca de nove faixas na minha cabeça, geralmente eu canto no meu celular.

Você trabalhou com alguém como o The Weeknd porque você o encontrou como artista há alguns anos do nada, e ele estava em seu radar? Como alguém como ele, que eu amo aliás, mas como ele foi parar com você em uma música?

Ele é meio que a razão pela qual eu apareci na rádio. Seis anos atrás, ele começou a postar meus vídeos no Tumblr e nas redes sociais e um amigo da BBC Radio 1 entrou em contato comigo para transformar uma faixa em “Faixa Indie da Semana”, e ele [The Weeknd] continuou em contato comigo desde então. Ele sempre me apoiou muito, ele teve seu próprio caminho que o levou a um lugar loucamente grande, mas nós continuamos a ser amigos pelos últimos seis anos talvez. Eu tenho um bom pequeno grupo de amigos músicos e ele é um deles.

Em comparação com a Costa Leste, você gosta de viver em Los Angeles?

Eu gosto dos dois lugares, mas agora há mais músicos aqui, como Emile Haynie, que costuma produzir muitos materiais para mim, e muitas pessoas que estão produzindo vídeos. Sinto que todos estão aqui, então… Tem definitivamente muito mais coisas acontecendo aqui.

Você fez um ótimo trabalho em construir uma base de fãs que não é forçada e eles são tão dedicados, eu cheguei a conhecê-los nas últimas semanas, eles são muito, muito legais, de todos os lugares…

Eles são! Eles são muito legais.

Então, a pergunta é: como artista, como você mantém essa relação, como não tornar isso próximo demais mas ao mesmo tempo não afastá-los?

Essa é uma ótima pergunta. Bem, eu tenho sido muito sortuda na forma com a qual eu meio que entro e saio do convívio do público. Mas me parece que quando eu volto com uma nova música ou qualquer coisa, há muitos rostos e nomes familiares, eles ainda estão lá, pessoas que apenas gostam da música. Isso tem ficado mais aparente conforme eu lanço novos álbuns, mas eu não tenho uma conexão com todos. Eu não sei se eu esperava por isso mas definitivamente é uma benção. Noite passada eu entrei no Twitter antes de ir dormir e vi algumas crianças com suas mãos pra cima fazendo fila para o show de hoje. Eu curto e comento porque eu acho fofo que eles ficam esperando, com um dia e meio de antecedência…

Aproveitando o assunto, obrigado por se apresentar no KROQ Weenie Roast Y Fiesta.

Obrigada por me convidar.

Parabéns pela carreira que você construiu, muito, muito impressionante; Tem credibilidade, é descolada e você está construindo seu caminho único e é admirável!

Obrigada! Isso é tão gentil.

De nada! Você está indo bem. Essa é Lana Del Rey e eu sou Ted Stryker, em um sofá branco, no KROQ Weenie Roast Y Fiesta.

Ouça a entrevista no player abaixo:

Tradução por Giovana Parisi, Thiago GoedertVinícius Dias. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Ted Stryker à KROQ.