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Lana Del Rey - C California Style (2018 - Victor Demarchelier)

Lana Del Rey fala sobre viver em Los Angeles, parcerias musicais, ‘Lust For Life’ e muito mais em entrevista à ‘C California Style’

Em entrevista à edição de março da revista C California Style, Lana Del Rey falou sobre viver em Los Angeles, parcerias musicais, Lust For Life e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Inspirada por seus arredores californianos, a cantora Lana Del Rey descobre que a vida imita a arte.

De coração, Lana Del Rey sempre foi uma garota da Califórnia. Mesmo antes de fincar suas raízes em Los Angeles, a nativa de Nova Iorque tinha uma afinidade pelo estilo de vida da Costa Oeste. “Sou muito liberal e sempre fui. Eu também adoro o estilo de vida orgânico e todas as atividades ao ar livre. Sou uma migrante muito feliz”, diz a cantora e compositora por telefone. Ela está em Columbus, Ohio, uma das paradas de sua turnê mundial, a LA To The Moon, que começou em janeiro em suporte ao seu último álbum, o Lust For Life, indicado ao Grammy Awards.

Del Rey mudou-se para Los Angeles em 2012, parcialmente inspirada por uma maior migração de seus amigos do mundo da música, incluindo seu colaborador, produtor e compositor de longa data, Daniel Heath. Ela passou os quatro anos anteriores “procurando por essa comunidade [de músicos] que eu tinha ouvido quando estava em Nova Iorque, quando The Strokes e pessoas, como Adam Green da banda The Moldy Peaches, estavam lá. Eu simplesmente não achei isso. Acho que muitas pessoas se mudaram para o oeste.”

O ícone da música rapidamente descobriu o que estava procurando. “É onde eu tenho mais espaço para ser criativa, ter meu próprio momento e minha privacidade — mas, ao mesmo tempo, tenho muitos amigos artistas incríveis”, diz Del Rey, que ficou famosa com seu sucesso de 2011, Video Games.

O sucesso continuou com lançamentos sequenciais de álbuns de estúdio, começando com seu disco de estreia de 2012, Born To Die, que debutou em segundo lugar na Billboard 200 e nunca deixou a parada (recentemente, tornou-se um dos três álbuns de uma artista feminina a passar 300 semanas na lista.) Mais tarde nesse ano, Del Rey lançou o EP Paradise, que lhe rendeu uma indicação ao Grammy Awards, assim como Young and Beautiful, faixa presente na trilha sonora do longa-metragem The Great Gatsby. Ultraviolence, o primeiro álbum de Del Rey a alcançar a alcançar o topo dos charts dos EUA, chegou em 2014, seguido por Honeymoon de 2015.

A Califórnia tem sido uma fonte de inspiração para Del Rey nos últimos anos, muitas vezes de trás do volante de sua camionete (“É nova, não é uma nostálgica pick-up dos anos 50”, ela acrescenta. “Acabei com minha obsessão por carros antigos — estou feliz com o Bluetooth”), conduzindo ao longo da Estrada da Costa do Pacífico. O luxuoso hotel San Ysidro Ranch em Montecito, que foi devastado nos deslizamentos de inverno, sempre foi um destino favorito de Del Rey para recarregar suas energias.

“Eu diria que os últimos dois anos têm sido relativamente pacíficos”, diz Del Rey sobre seu atual estado de espírito, que desde então tem deixado sua marca em seu trabalho. “Acho que é por isso que o meu disco mais recente tem um tom mais leve, enquanto que antes eu definitivamente trabalhava muito e passava 24 horas por dia na estrada”, diz ela. “Ainda estou viajando muito, mas tive muito no que trabalhar alguns anos atrás, acredito.”

Essa mudança de perspectiva brilha através de baladas como Change, a última música que Del Rey escreveu para álbum, que expressa o fato de que ela estava buscando mudança em sua vida mas não sabia como cuidar disto. “Era mais como um pequeno borbulhar de esperar para transformar as coisas esteticamente na minha arte e pessoalmente também. Eu gosto muito da ideia de que a vida imita a arte e eu notei isso em meu próprio trabalho. Eu sabia que coisas boas poderiam seguir se eu mostrasse que eu estava ainda tentando crescer.”

Nascida Elizabeth “Lizzy” Woolridge Grant, Del Rey admite ser “uma dessas pessoas que irritantemente já estava cantando antes de começar a falar”, ela conta. (“Sou aquele tipo de cantora — que canta todas as minhas frases. Ainda o faço.”) Crescendo em Lake Placid, Nova Iorque, Del Rey sempre soube que a música seria uma importante parte de sua vida, mas “Eu realmente não achava que eu conseguiria fazer isso, e meio que ter uma carreira de verdade.” Depois de estudar em um internato em Connecticut, Del Rey graduou-se na Universidade Fordham com diploma em filosofia — o tempo todo perseguindo seus sonhos no circuito noturno de Nova Iorque como Lizzy Grant, lançando seu primeiro EP, Kill Kill, em 2008.

Mas não foi até ela assumir o encantador nome artístico de Lana Del Rey, e aprimorar sua marca registrada de retro-glam (imagine penteados estilo colmeia de abelha, cílios grandes e delineado marcado) que a artista começou a acumular ambos elogios musicais, e uma espécie de seguidores de culto — sem mencionar mais do que um punhado de fãs apaixonados. (Durante seu show em Orlando, a polícia impediu uma tentativa de sequestro por uma pessoa.)

Embora Lust For Life não se liberte da identidade musical de Del Rey, conhecida por suas canções ligeiramente melancólicas, ele alcança novos territórios com músicas como Coachella – Woodstock In My Mind, que reflete o atual clima político. Também é a primeira vez que Del Rey apresenta colaborações com outros artistas em seus álbuns, incluindo The Weeknd, Sean Ono Lennon e Stevie Nicks (esta última participa na balada Beautiful People Beautiful Problems).

“Acho que eu estava muito nervosa para fazer isso. Eu não tinha certeza do que as pessoas diriam. Quando chamei Stevie Nicks para cantar comigo, eu não estava segura que eles pensariam que eu era digna de uma parceria com Stevie, mas ela era tão fabulosa pessoalmente e ela era uma fã. Então isso meio que me fez baixar um pouco a guarda.”

Nos dias que Del Rey está escalada para performar, ela faz uma passada rápida da apresentação inteira com sua banda, antes de assistir uma performance de Whitney Houston ou Ariana Grande. “Poderia ser qualquer um, mas algo que eu pudesse cantar junto para aquecer meu alcance inteiro — para ir da minha menor oitava, como em Ride, para meu Cs(dó) e Ds(ré) elevados em uma canção como When The World Was At War We Kept Dancing”, ela explica.

Parte de seu aquecimento também incluiu uma meditação guiada por 1 hora e 40 minutos — a mesma duração da apresentação. “Eu tento equilibrar quanto tempo eu toco para meio que colocar esse tanto de tempo naquilo. Digo, falar isso em voz alta, a coisa toda parece meio que loucura, mas eu acho que eu não faria tanto isso se eu não estivesse tocando em arenas”, ela diz. “Agora vou parecer muito L.A.”

Em frente a arenas lotadas, Del Rey está rodeada por um cenário que deixa pistas dos seus arredores californianos, incluindo uma paisagem oceânica de Big Sur projetada em uma tela. Afinal, o mundo de Del Rey tornou-se seu palco. Basta pegar a letra de abertura de Lust For Life: “Suba o H do letreiro de Hollywood… Nestes momentos roubados, o mundo é meu.”

Tradução por Cássio Bauer, Clara Gurgel e Thiago Goedert.– Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Lesley McKenzie à C California Style.