Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Ultraviolence (2014 - Neil Krug)

Aftonbladet | “Eu não quero romantizar a morte.”

Em entrevista para o site sueco Aftonbladet, Lana Del Rey sobre ter trocado de nome, sua entrevista ao The Guardian, o possíve fim do seu relacionamento com o músico Barrie-James O’Neill, hackers e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Ela coloca o cigarro, apenas um pouco demais.

“Sim, às vezes eu queria estar morta, mas eu não romantizo a morte ou as pessoas se matando.”

Lana Del Rey se desculpa, levanta-se e começa a mexer com a máquina de café expresso em sua suíte de hotel.

“Desculpe, eu não posso fazer entrevistas sem meu café. Continue falando. Eu estou ouvindo.”

Eu sempre me perguntei, por que você criou a persona Lana Del Rey?

Bem, não é uma persona. É um nome diferente. Eu sempre achei que ao ganhar um nome no nascimento, uma localização geográfica e uma família, faz com que seja difícil de escolher para si mesmo o que você quer ser. Por ter um nome diferente, eu me senti mais livre para ser exatamente quem eu sou. As pessoas parecem pensar que às vezes eu sou alguém no palco e, em seguida, você sai e você é outra pessoa, mas eu tenho uma maneira mais alternativa de pensar.

Eu pensei que era algum tipo de projeto de arte, como o personagem Ziggy Stardust (persona adotada por David Bowie no começo da década de 70)?

Sim, as pessoas pensam isso, mas na verdade era apenas um nome diferente. Isto tornou mais fácil, para mim, expressar uma estética muito clara que eu amo.

Então, qual foi a inspiração para a sua estética?

Todas as coisas sombrias e bonitas. Tudo o que eu amo, tudo o que eu passei, tudo o que eu queria fazer. Minha história e minhas músicas.

Você parece bastante interessada na beleza da escuridão e do desespero.

Eu tive desespero e tristeza em minha vida. Nos últimos quatro anos, os jornalistas sempre me perguntavam sobre a morte, ícones e minha persona. Minha depressão e minhas experiências têm sido confundidas com esta necessidade de serem sombrias. Na verdade, não é a minha forma preferida de ser. Eu amo quando as coisas vão muito bem. Quem me conhece sabe disso.

Mas sobre a entrevista ao The Guardian

Para começar, eu não estou feliz com aquela entrevista.

Bem, eu sei disso, e você deixou as coisas bem claras no Twitter. Mas o que você quis dizer quando disse: “às vezes eu desejo que eu já estivesse morta”?

Bem, primeiro de tudo… a questão é… Às vezes eu desejo que eu já estivesse morta. Eu já passei por muitas coisas. E sim, às vezes eu sinto como se eu quisesse estar morta. Mas o tabloide The Guardian fez parecer que eu estava obcecada com a morte, porque ela é fascinante. Estar deprimida, às vezes, não tem nada a ver com outras pessoas que querem se matar.

Deve ter sido surreal quando a filha de seu ídolo Kurt Cobain, Frances Bean Cobain, criticou você no Twitter?

Ela estava me dizendo para não romantizar a morte e eu a respondi, o que eu nunca faço, mas eu a respondi e disse que eu não romantizo a morte. Eu nem ao menos canto sobre a morte, exceto na faixa-título Born To Die. Eu canto sobre relacionamentos. O fato de que a manchete do The Guardian afete pessoas dessa forma parece injusto. Esse é o problema com o artigo.

O seu computador foi hackeado há alguns anos e 211 canções foram roubadas.

Sim, alguém acessou remotamente o meu HD enquanto eu estava hospedada em um hotel. As músicas são umas das milhares de coisas que foram roubadas.

Eu estaria devastado.

Sim, o fato de que alguém está te observando o tempo todo. O luxo de ter uma vida privada desapareceu. Estes tipos de crimes nunca vão parar.

Não existe alguma ação legal que você pode tomar, processar alguém?

Mesmo que essas pessoas fossem pegas, elas passaram essas coisas para outras 40 pessoas, por isso a informação sempre estará lá fora.

Sua vida está sempre se transformando em manchetes. Assim como os recentes rumores sobre seu atual relacionamento. Você disse recentemente que o seu relacionamento tinha acabado, mas agora ouvi dizer que seu namorado Barrien-James O’Neill disse ao TMZ que isso é mentira.

Quero dizer… eu… eu não falo publicamente sobre meus relacionamentos, pois as coisas mudam o tempo todo. Mas, depois de não vê-lo por vários meses e as pessoas ainda me perguntando sobre ele, eu disse que nós não estávamos juntos agora. E eu acho que ele não sabia o que dizer quando foi confrontado pelo TMZ, em Los Angeles. Às vezes isso não acontece realmente até que alguém lhe faz uma pergunta com uma câmera na mão.

Ok, tudo parece um pouco confuso. Bem, sobre a música…

Está tudo bem. Eu entendo.

De volta à música. Então… vocês estão juntos?

Ha ha ha ha ha ha ha (Lana basicamente rola de rir em voz alta). Oh meu Deus, isso é tão engraçado.

Desculpe-me, eu estou apenas brincando. Por que você menciona a controversa canção He Hit Me (And It Felt Like A Kiss) do grupo The Crystals na faixa-título do seu novo álbum?

Eu sei que as pessoas têm opiniões diferentes sobre essa canção. E elas tem direito. Eu sempre uso elementos autobiográficos. Misturado com qualquer coisa que eu possa usar como uma insinuação, em vez de dizer algo super diretamente. Para mim, a escrita vem em primeiro lugar. Eu nunca senti a necessidade de editar a mim mesma.

Hmm. O que você está realmente dizendo? Que você tenha tido relacionamentos abusivos?

É uma boa pergunta. Eu tenho dificuldade em falar sobre essa canção. Eu não sei o que dizer.

Por que você escolheu a canção The Other Woman de Jessie Mae Robinson?

Antes de tudo, é uma música de jazz cantada por Nina Simone, ela é a minha favorita. Eu acho que todo o Ultraviolence tem um toque de jazz, de tons frios. Eu sou uma grande fã de jazz. Billie Holiday, Nina Simone, as cantoras, você sabe.

Como compositora, no que elas lhe influenciaram?

No começo eu era apenas um fã. Mas eu percebi desde o início que eu tinha uma inclinação para cantar músicas em tons menores. Elas são as minhas influências. Ao lado de The Eagles e The Beach Boys.

Música bonita com um coração escuro.

Sim, “Dark Heart”. Será o título do meu próximo álbum (risos).

 

Tradução por Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Aftonbladet.