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Electronic Beats | Paraíso Perdido: Uma entrevista com Lana Del Rey

Video Games de Lana Del Rey se tornou viral em 2011, trazendo o atenção internacional para sua antiga vida como Lizzy Grant. Vitalidade, sensualidade, voz, carisma indefinido. Lana Del Rey tornou-se o rosto que lançou mil peças, um pára-raios para a crítica feminista e inquérito de autenticidade. A foto da capa de Born To Die lembra a pintura icônica American Gothic de Grant Wood, em si um termo apropriado para sua música. Familiar e um pouco à moda antiga, a abordagem do álbum para a composição e as imagens encharcada de sépia evocaram um sentimento de nostalgia. Combinando com as letras explicitamente modernas e produção em um ouro e prata inocente, uma época antiga foi enquadrada na escuridão e acabou criando uma tensão única, evidente em seu EP Paradise. O single, Ride e o seu videoclipe, parece encapsular todos os argumentos em torno de Del Rey, retratando-a como submissa, promíscua, uma prostituta a exaltar armas e rebelião sem sentido. Ela pode não concordar, mas Lana Del Rey entende o poder que a sua imagem tem e a usa, independentemente da opinião pública, para promover sua música, sem dúvida, o elemento mais negligenciado na conversa em torno de sua pessoa.

LDR: Eu nunca falei com um jornalista americano, tipo, nunca.

Repórter: Sério? Eu não conto, porque eu sou estrangeira.

Eu também. Eu acho a América incrível pelo sua paisagem e sua historia. A Califórnia é linda, Nova York é linda, mas quando você é uma cigana no coração, se encaixa melhor viajando.

Você se considera uma cigana?

Não me sinto tanto como me sentia antigamente. Na verdade, me sentia muito mais assim quando eu era mais nova. Queria muito ter uma vida imprevisível, onde eu podia ser livre e viajar pra qualquer lugar que eu quisesse, quando eu quisesse. Eu gosto muito da Califórnia agora, mesmo nunca tendo morado lá antes. Eu gosto da ideia de morar eu um só lugar agora.

Mas você cresceu em um só lugar?

Sim, eu cresci em Lake Placid, Nova York, onde morei até os meus 15 anos. Depois fui para um colégio interno em Connecticut, por 3 anos. Me mudei para o Bronx quando tinha quase 18 anos.

Primeiro, vamos falar sobre seu estilo, porque você definitivamente tem estilo. Foi alguma figura icônica que influenciou isso?

Tipo, musicalmente?

Não…

Modo de vestir? Minha vibe? O mais engraçado é que meu estilo era algo que nunca me perguntavam até pouco tempo atrás. Por anos só me perguntavam sobre a minha música. Eu amava Nina Simone; Kurt Cobain me influenciava; eu ouvia tudo que o Bob Dylan fazia… Mas em termos de ícones de estilo, ícones femininos? Não. Eu fiquei impressionada com o que alguém como Karl Lagerfeld construiu, mas nunca teve uma figura feminina que eu quisesse me espelhar.

Karl Lagerfeld? Isso é muito interessante, porque eu nunca associaria o seu estilo com alguém como ele.

Sim, eu sei. Mas a maior motivo do meu estilo ser como é, é porque é bem fácil colocar um vestido de verão toda noite se eu for fazer um show, ou usar um jeans todo dia, ou algo do tipo. Falando sobre estilos, eu realmente amo maquiagem. Eu amo fazer minha própria maquiagem, mas falando de roupas, eu nunca me importei. Inicialmente o mundo da moda era mais interessado em mim do que o mundo da música, o que era estranho quando comecei a cantar.

Sua música e sua imagem parecem inseparáveis.

Sim. Agora é, mas não deveria ser. Eu não ligo. Mas por causa da minha imagem, parece que eu realmente ligo.

Então isso significa que você separa música da…

Sim, porque eu não acredito… Bom, eu não sei como colocar isso. Eu não acho que seja apropriado tentar e parecer extremamente linda o tempo todo. Eu não acho que é uma boa mensagem ou foco. Eu sempre estive escrevendo e cantando no Lower East Side (Manhattan) desde os meus 17 anos, mas grande parte da história de uma pessoa, não se traduz na verdade.

Então, o quão importante é ter controle sobre sua imagem, principalmente hoje em dia?

É importante, muito importante. É difícil, entretanto. Ela foi totalmente tirada de mim. Eu não tenho mais aquele controle todo, porque as coisas se tornam virais muito rápido. Eu passei de não ter nenhum fã ou interesse, para ter muito interesse e muitas críticas. Na maior parte desses oito anos em Nova York, eu cantei para as mesmas pessoas, nos mesmos bares, e tive uma experiência muito confortável fazendo isso. Isso não é mais possível pra mim, porque blogueiros são bem influentes hoje em dia e as pessoas são muito influenciadas pelas criticas de cinco estrelas. E essas pessoas também são influenciadas por imagens, e pelo o que elas veem rápido. Muito do que esta sendo escrito sobre mim é mentira: da história da minha família, minhas escolhas ou meu interesse. Na verdade, nunca li algo escrito sobre mim que fosse verdade. Está sendo uma loucura.

Quando você percebeu que tudo estava fora de controle?

No primeiro dia que falaram de mim, logo que lancei Video Games. Tudo o que eles escreveram era loucura. Sobre meu pai, sobre mim, sobre ter milhões de dólares, e toda essa merda. E fiquei “Sério? Eu pensei que estava sustentando todo mundo!” [Risos]. Tudo não era verdade. Logo quando a primeira pessoa escreveu sobre mim, o artigo foi feito todo de mentiras. Eu o considerei uma calúnia. Se eu me importasse mais, eu os mataria.

Você sabe, obviamente, que na preparação para essa entrevista eu li muitas dessas histórias.

Sim, mas nada disso é verdade.

Porque parece haver uma desconexão entre sua imagem pública…

E quem eu sou?

E a vida privada que você fala.

Há uma desconexão sim. Eu passei os últimos 10 anos da minha vida fazendo serviço comunitário e escrevendo músicas folk. Eu não ligo para como eu estou. Falar que eu vim de bilhões de dólares, é uma loucura. Nós nunca tivemos dinheiro. Sinto-me, que sendo sou uma pessoa que cresceu lendo sobre e sendo inspirada por figuras com integridade, uma espécie de ser transformado em antítese do que eu planejei ser. É o jeito que está indo agora, mas eu lido com isso conforme vai aparecendo.

Vamos voltar para o que você disse sobre prestar serviço comunitário. Serviço social envolve trabalhar com pessoas que a sociedade esqueceu, deixou pra trás, ou simplesmente não conseguem se ocupar numa sociedade normal. Normalmente envolve reintegração…

Eu não sou uma trabalhadora social treinada. Estou sóbria há dez anos. Foi mais tradicional, utilizando o método dos doze passos. Pessoas que não conseguiam sozinhas, eu e grupo de outras pessoas fomos para Nova York por um bom tempo trabalhar com pessoas que precisavam de ajuda. Era sobre construir comunidades voltadas para a sobriedade e para permanecerem limpos e coisas assim. Esse era meu foco, desde que me mudei para o Bronx quando tinha 18 anos. Eu gostava de música, mas considerava ser um luxo. Não era meu foco principal: a outras coisas eram realmente a minha vida. Mas ninguém nunca… Não é interessante.

Não, é interessante sim. Então seu serviço social era baseado em suas próprias experiências?

Sim, porque eu era uma viciada que ficou limpa.

Sendo uma adolescente?

Sim.

Então obviamente deve ter influenciado na sua música.

Sim, está sendo minha principal influência, eu poderia dizer.

Bom, eu assisti o vídeo de Ride e fiquei muito fascinada. Para mim, parecia tão “errado” em tantos níveis, mas ao mesmo tempo se tornou verdadeiramente transgressor, por mero hedonismo ou pelo ser rebelde não ser mais transgressivo.

Sim. Tipo, eu lembro que era o San Francisco Chronicle ou qualquer um que escreveu um grande artigo sobre eu ser antifeminista. Mas é assim, eu não tenho mesmo nenhum comentário sobre o papel da mulher na sociedade. Foi a mesma coisa com a minha primeira musica que estourou, Video Games. As pessoas criticavam sobre ser submissa e tudo, mas nada que eu sempre escrevi tinha uma mensagem. É apenas a minha experiência pessoal, e é a mesma coisa com Ride. Eu acredito em amor livre e é assim que eu me sinto. É só a minha experiência de ter passado por vários tipos de homens e ter nascido sem uma preferência por um certo tipo de pessoa. Para mim, essa é a minha história em encontrar o amor em vários tipos de pessoas, e essa é a segunda maior influência na minha musica.

Eu fui pega de surpresa pelo quanto afetada eu fui pelo vídeo de Ride, porque eu senti que ele realmente está falando algo importante, em algum sentido. Falar sobre a escuridão interna, mas não só aceitar aquilo dentro de você, mas a parte do monólogo, onde você fala sobre aceitar mesmo e estar na posição de explorar isso – é bem corajoso, na verdade.

Obrigada. Bem, uma coisa que você aprende quando fica sóbrio é que rendição completa é a base para as coisas boas que estão por vir. E eu sinto que essa ideia se traduziu para todos os aspectos da minha vida. Quando você não tem a mínima ideia do que vai acontecer com você, ou que carreira você vai tomar, e você está aberto a tudo, então você não tem nada a perder. Muitas pessoas entram e saem da sua vida. E é muito divertido dizer sim, e é muito divertido ser aberto a tudo e apenas deixar as músicas virem até você e deixar que as pessoas venham também. E é livre, de uma certa forma.

Vamos voltar para o que você estava falando sobre não necessariamente ter uma mensagem, porque temas americanos e imagens, como a Bandeira americana, sempre aparecem em seus vídeos e em suas músicas. Entretanto na minha cabeça, isso pode ser visto como um lado negro da América.

Eu estaria mentindo se eu falasse que eu não amo nenhum filme ou livro que não é baseado em volta do submundo da sociedade. Eu sempre amei isso. Mas por outro lado, eu sou simples, do tipo amar ver o movimento daquela bandeira gigante balançando ao vento. O mesmo acontece com palmeiras e aquela cor sépia dos filmes dos anos 50. Muitas das minhas escolhas tiveram a ver com a qualidade do filme. Foi simples assim, puramente estético. Mesma com meu interesse em fotógrafos e coisas assim. Muito disso, é por ser como é. Eu apenas gosto.

Você se considera patriota?

Não mais.

Você ainda morava na América quando o Obama assumiu? Isso mudou algo pra você?

A primeira eleição? Eu estava feliz pelo povo americano, pois ele era um símbolo que eles precisavam para se sentir melhor.

Você tem alguma opinião na reforma do sistema de saúde ou…

Eu tenho várias opiniões políticas.

Sério? Vamos ouvir algumas delas.

Eu tenho muita aflição de só falar sobre meu gosto musical. Eu geralmente não falo sobre minha visão da politica atualmente.

Você se considera política?

Sim, com certeza.

Em poucas palavras, sistema de saúde.

Bom, é complicado porque tudo mudou pra mim. Antes eu não tinha dinheiro. E agora, tudo que eu faço, eu perco. Então, eu não tenho dinheiro de novo, porque eu perco a metade. Reforma do sistema de saúde— isso precisava que acontecer. Eu ainda não tenho seguro de saúde, porque eu não volto nos Estados Unidos desde o tempo que eu não podia pagar, pois custava 700 dólares por mês.

Ok, vamos falar de feminismo. Qual é a sua opinião sobre feminismo?

Para ser honesta, eu não tenho uma. Eu tenho uma grande apreciação pela nossa história no mundo. Eu aprendi pelos meus próprios erros, eu aprendi pelos erros que nós fizemos como uma raça humana. Mas acho que nós chegamos a um bom lugar, como mulheres, e nós vamos continuar progredindo naturalmente. É assim que me sinto sobre isso.

É verdade que você deixou os EUA porque você se sentiu oprimida e não amada pela mídia americana?

[Risos] Bom, realmente ninguém estava me chamando para entrevistas, então não havia uma razão para ficar. Musicalmente eu não trabalharia lá, porque não saberia onde cantar. Eu tive um milhão de shows aqui, então é por isso que vim. E eu realmente não tinha nenhum show lá. Tipo, eu poderia tocar no Sunset Strip e lugares assim. Eu poderia voltar pra Nova York…

Tenho certeza que você conseguiria shows lá agora. Como se mudar afetou o que você sente sobre a América e sobre ser americana?

Eu acho que meu amor pela América está mais voltado para as coisas específicas que mais aprecio. Como dirigir pela costa de Santa Monica para Santa Barbara — coisas simples assim. Em termos do que eu talvez pensei que representava, eu não sei.

Você já disse que muito da sua imagem já foi dirigida por escolhas estéticas, mas como explorar o lado negro da América afeta o jeito que você explora o tema “americanismo”?

Essa é uma boa pergunta. Na verdade, eu não tenho voltado minha escrita para esse tema nos últimos 13 meses.

Suponho que é algo que veremos o resultado breve?

Sim, definitivamente. Eu acho que é como se estivesse voltando para influências antigas. Eu ainda amo o jeito que fiquei logo que descobri Allen Ginsberg e o quanto ele transmitiu com suas palavras. E ele foi influenciado pela parte inferior da sociedade americana, mas agora, ao invés de ser influenciada pela minha paixão pelo país, eu me sinto bem quando escuto Jim Morrison. Eu me sinto bem quando volto e leio um pouco dos poetas Beat. Mas diferente disso, eu não sinto como “Rah, Rah, América!” Foda-se essa merda [Risos].

Quais são uns desses novos temas?

Bom, eu me formei com licenciatura em metafisica e eu amava filosofia, eu meio que me voltei para coisas que me empolgavam em aprender, talvez como seis anos atrás quando ainda estava na escola. E eu tenho um namorado, que eu gosto muito, eu escrevo muito sobre ele. É isso.

Eu li que você estudou filosofia. Tinha alguma corrente de pensamento que lhe interessava muito?

Bem, eu misturei com meus estudos em teologia, porque era a melhor corrente para a fé Jesuíta, e todos os Jesuítas ensinavam filosofia. Eram muitas conversas voltadas para a pergunta básica: porque existimos? Como realidade veio a tona? Porque fazemos o que fazemos? E como não se tornar o açougueiro, o padeiro, o fabricante de velas, os guardiões da classe média — isso tudo me interessava. Eu não sei. Sim, eu amava estar em volta de pessoas que se perguntavam porque estamos aqui.

Você ainda presta atenção com o que esta acontecendo com a Igreja? Como, o novo papa?

Sim, estou ciente. Eu desejo a ele tudo de melhor.

E o que você acha dos escândalos sexuais envolvendo a igreja?

É difícil ver as más escolhas das outras pessoas arruinarem o misticismo que pode vir de dentro das paredes da igreja. Eu não entendo porque certo grupo de pessoas pode ser atraído por isso. Eu estava falando com minha mãe sobre isso.

Para o último EP, Paradise, você pode dizer que houve uma mudança criativa na abordagem da escrita de suas músicas?

Eu estava de bom humor, ficando em um só lugar na Califórnia. Foi uma ideia sumula viver no Chateau Marmont — depois me mudei para o exterior. Foi como virar uma página. Eu gosto disso, pois parece ser mais exuberante e tropical, e eu gosto do fato de ter um toque da Costa Pacifica às vezes, como Gods & Monsters. Paradise é meu disco favorito, eu amo.

Tem algo a ver com trabalhar com Rick Rubin?

Não, eu só trabalhei com ele por seis dias, porque só trabalhamos em Ride. Mas eu trabalhei com as mesmas pessoas que trabalhei para o Born To Die. Eu só trabalhei com eles. Emile Haynie, entra no final, e tem Rick Nowels e Justin Parker, que fizeram a musicalidade. Eu escrevo as palavras e a melodia, e eles tratam os acordes e a musicalidade. E Dan Heath vem para o arranjo das cordas, depois que Emile coloca as batidas e os efeitos sonoros, como pássaros e sinos.

Emile Haynie trabalhou com o Eminem e o Lil Wayne, certo?

Sim.

Você se descreveu no passado como “Lolita perdida no capuz”.

[Risos] Eu estava brincando com aquele jornalista.

Eu achei engraçado. Mas onde a ideia do “capuz” encaixa com o que você faz?

Bem, eu morei no Bronx por quatro anos. E vivi no Brooklyn por quatro anos depois. Eu sempre me considerei ter um lado meio menina que gosta da rua, mesmo quando eu estava no colegial. Tipo, eu era bem louca. E todos que eu conhecia eram loucos.

Porque isso?

Era o jeito que era.

Era porque você vivia em uma cidade pequena no interior de Nova York?

Sim, provavelmente. Era chato. Aquela cidade é louca também. Eu era uma menina má, mas agora sou boa. Eu acho que tenho umas tendências ruins. Eu não gosto de fazer coisas que machucam, mas eu fui atraída pelo lado selvagem. Eu amo andar de moto; amo montanha russa, eu gosto muito de adrenalina. Mas eu também achei uma verdadeira felicidade quando eu estava morando em Nova York e trabalhando com outras pessoas, da maneira que já falamos. Então, eu não sei. Mas não me sinto estranha por isso.

O “capuz” está relacionado ao submundo americano, mas no seu caso, meio que achou um capuz “White Trash” em termos da imagem que você projeta, especialmente no vídeo Ride — embora provavelmente não na sua vida real. Mas também é relacionado às escolhas que você faz e os produtores que você trabalha, porque eles trabalham com rappers, que são artistas mais relacionados com a noção do “capuz”.

Eu me mudei pra um trailer quando eu fiz meu primeiro disco. Eu ganhei 10 mil da Five Points Records e me mudei para a Manhanttan Mobile Home, em Nova Jersey. E eu estava feliz, porque eu estava fazendo isso por mim mesma. Teve um elemento “White trash” no caminho de quando eu não queria ser parte da sociedade em geral, porque eu achava repugnante. Eu estava tentando conquistar meu pedaço com jeito criativo, e eu sabia como. E eu achava legal estar morando sozinha e trabalhando com um produtor famoso. Eu estava empolgada com o futuro naquela época.

Você não queria fazer parte da sociedade em geral, da América em geral, o que eu entendo. E agora?

E agora, continuo no meu próprio mundo. É tipo: nem aqui, nem lá — musicalmente e socialmente, e qualquer coisa. Eu e Barrie [ James O’Neill, seu namorado, da banda Kassidy], nós não temos muitos amigos no mundo da música, ou pessoas que conhecemos que fazem a mesma coisa. Nós fazemos as nossas própria coisas. É tudo sobre a escrita. Costumava ser sobre o trabalho de reabilitação de álcool e droga, que eu não trabalho mais há dois anos agora. Mas sempre foi sobre arte.

Você não sente que tem um grupo de pessoas na música que você necessariamente se conecta, digamos, como um grupo de colegas? O que você fala publicamente e em entrevistas, digamos, ouvindo os The Doors ou Dylan, tudo parece “normal”. Mas eu acho que o que você faz não é normal, na verdade.

Bem, eu pensava assim também. Eu pensei que os meus gostos e as coisas que eu curto eram normais, mas então eu conheci todo mundo e eu era como “essas pessoas realmente não se preocupam com a música e a arte. Eles querem ser legais”. Eu nunca conheci alguém que se preocupava com a música tão profundamente quanto eu e meu namorado, ou que realmente se preocupava com a poesia, que realmente a viveu e a respirou. Eu não conheci ninguém até agora. Eu simplesmente não posso me afiliar com todas essas pessoas.

Mas você não disse em um ponto que você não estava mesmo interessada em lançar outro álbum?

Eu não estou tão interessada em lançar outro álbum.

Mas você está trabalhando no seu próximo lançamento?

Bem, eu trabalho na música, mas eu não tenho um tempo para lançá-lo ou algo do tipo. Eu poderia lhe mostras algumas coisas. Quer ouvir? [Ela pega seu laptop e começa a me mostrar algumas músicas]

Sim, é claro. Você está trabalhando com seu namorado na música?

Sim, um pouco. E ele é ótimo.

Quase todas as músicas do Born To Die estão na segunda pessoa, o mesmo vale para o Paradise. Até que ponto é tudo dirigida à mesma pessoa?

Depende. É como um todo, um espírito coletivo. O éter. Só para algumas pessoas, como quando eu estava trabalhando com meu primeiro produtor David Kahne e eu estava naquela casa móvel por dois anos. Eu estava lá e Williamsburg, eu tinha um namorado então. Foi um momento muito feliz e eu tento buscar essas lembranças para a minha escrita, então às vezes é assim, mas eu nunca diria a eles ou falaria com eles sobre isso. Eu tenho uma versão diferente da forma como as coisas aconteceram.

Então, você também vai trabalhar com a mesma equipe para o próximo álbum?

Sim.

Eu pensei que o som desenvolvido para o Paradise é um pouco melhor que o de Born To Die.

Você acha?

Sim, eu acho o Paradise muito melhor.

Sim, eu penso que ele é melhor também.

Há muita escuridão e paixão, eu diria.

Sim.

E isso não mudou, a partir do som do que estamos ouvindo agora.

Não. As coisas ainda não continuam sendo fáceis, mesmo que elas deveriam ter se tornado melhor. Elas ainda são muito difíceis, que eu acho que tem sido o meu tema de vida: caminhando em destino à felicidade. Definitivamente um destino feliz.

Bem, a felicidade não é um estado estático. É um estado ativo. Essa é a definição do grego antigo. Não é um estado de repouso, é um processo.

Sim.

Para mim, há momentos de pura felicidade, mas você não pode conseguir isso por um longo período de tempo. É só você tentar fazer o máximo possível.

Definitivamente. E eu quero dizer, isso soa realmente estranho, mas apenas no geral, eu descobri que dedicar a sua vida para as pessoas ao seu redor e cuidar delas é o verdadeiro caminho para a felicidade geral.

Por que isso é estranho?

Bem, quero dizer, as pessoas não vão entender. Confie em mim. Mas eu estou dizendo, na minha experiência.

Bem, parece um pouco triste, é quase como se você não conseguisse fazer nada direito.

Sim, oh, é triste. Confie em mim. Não é justo.

E você acha que isso é uma coisa do feminismo? Ou você diria uma coisa anti-mulher?

[Risos] Não, eu acho que é uma coisa anti-eu.

 

Tradução por Jordinho – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Electronic Beats.