Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Lizzy Grant

Huffington Post | Entrevista: cantora/compositora Lizzy Grant em Cheap Thrills, Elvis, The Flamingos, Trailers, e Coney Island

Cantora de Nova Iorque, Lizzy Grant faz sua estreia no mundo da música com um vídeo para seu single Kill Kill. Com seu EP de três faixas, um visual devastador retrô-sexy e voz assombrosa, com alma, Grant é uma para se assistir em 2009. Lizzy Grant é o tipo de cantora/compositora que entra em sua casa e não tem intenção de sair. E justo quando você está prestes a fazer uma fácil comparação entre Cat Power, Billie Holiday ou Aimee Mann, a voz de Grant puxa o tapete proverbial debaixo de você.

Sua música é incrivelmente original, seu som decididamente sem gênero: as músicas de sua esplêndida estréia, Kill Kill, oferecem uma mistura eclética de jazz, pop, electro, rock, blues e melancolia esperançosa. Seus vídeos são peculiar, excêntricos, mágicos e demonstram paixão pela América. E, enquanto dezenas de outros artistas tentam criar poesia esotérica conciso, as composições de Grant são totalmente melancólicas, elegantes e bonitas.

Qual é o lugar mais estranho que você performou? Ou escreveu uma música?

LG: Performance: sozinha em um porão para um executivo bonito.

Escrever uma música: de volta ao seu escritório quando estávamos dando uns amassos.

Eu amo que Coney Island está tão presente neste álbum, indiretamente ou não. Você sente a evocação de um lugar no Brooklyn, Nova Iorque que é um símbolo de algo bonito e macabro. Um lugar que tem esse mágico calçadão mas também uma Casa macabra do Horror. Um lugar que é real mas não é – um lugar que simboliza o escape. Você pode falar sobre o porque o parque de diversões foi um ponto forte do novo disco?

LG: Eu gosto dessa definição “…é real mas não é”. Todas as coisas boas são reais mas não são, inclusive eu. Coney Island é um lugar que as pessoas vão para escapar, mas tanto faz o que você escolhe ser porque sua realidade é a sua realidade. Então, de certa forma, é tão real quanto qualquer outra coisa. Eu deixo minha imaginação virar minha realidade. Fantasia é a minha realidade.

Eu nunca vi Coney Island quando tinha grandes atrações, mas tinha algo desesperado sobre o calçadão e eu relatei. Não havia fim à vista para ele, e havia pessoas em bares que você não sabia que estavam lá. Talvez o parque de diversões foi o ponto mais forte porque eu tenho essa história com emoções baratas. Eu gosto de coisas que vão rápido, com cores brilhantes e aquelas que tem um gosto bom. Em Coney Island você pode pedir uma Coca Cola, andar na montanha russa, e ver toda a gente.

Como um autor, eu sempre digo às pessoas que as vezes sou mais influenciada por uma foto de David Eggleston ou uma música de Nick Cave em oposição à imersão no trabalho de outros artistas. No final, eu acho minhas influências ou inspirações onde eu consigo. Se uma música ou imagem me levam aonde quero chegar, fico feliz. Então, onde você acha suas influências e inspirações? Quem ou o quê afeta suas composições? Os vídeos que você produz?

LG: Parece que é assim pra mim também. As fotos de Mark Ryden me deixam louca, e Vegas me faz brilhar. Daytona e Jersey Shore me matam. Sim. Até fotos de outros performantes fazem isso por mim. Eu sabia que as músicas de Elvis seriam a trilha sonora da minha vida assim que passei os olhos em sua foto. Eu sei quando amo alguma coisa assim que a vejo. E então, escrevo sobre isso. Falando sobre Elvis, é injusto não mencionar the Beach Boys e The Flamingos como minhas outras companhias constantes.

Meu humor afeta minhas músicas e vídeos. Apenas quando estou em um ótimo humor eu vou escrever, e filmar, eu mesma. Eu definitivamente não pego a câmera se não estou me sentindo esperançosa.

O que eu mais amo em Kill Kill é a minha inabilidade de classificá-lo facilmente em algum gênero. É blues, mas é jazz, e também pop. “Yayo”, por exemplo, é mais assombroso e melódico; enquanto “Gramma” se parece mais com pop. Quando escreve suas músicas, está consciente da direção de seu som? De que forma cada música será? 

LG: Escrever não me parece tão diferente de falar, e meu novo psiquiatra diz que eu falo diferentemente da maioria das pessoas que ele conhece. Talvez isso tenha a ver com o porque minhas músicas soam tão únicas.

Eu sabia como as músicas soavam para mim, mas fiquei surpresa quando as traduziram da maneira certa. É a única coisa que já fiz do jeito certo.

Meu produtor, David Kahne, e eu nos relacionamos muito bem porque ele sabia que eu tinha vivido as minhas músicas, então ele só tentou fazê-las melhor. Ele perguntou-me em uma carta como eu queria que o álbum soasse, e eu disse, “Quero que pareça famoso, como uma festa triste.” Ele pensou que era uma ótima ideia, e começamos a trabalhar no outro dia. Eu gosto de pensar que somos farinha do mesmo saco.

Muitos artistas hoje são deliberados no jeito em que sua imagem é empacotada e como sua música é posicionada… Suas músicas são nitidamente fabricadas; às vezes se é questionado se suas letras são escritas por um comitê. E então há outros artistas — renegados e que correm riscos. Seu som é uma mistura de gêneros; seus vídeos são estranhos, mágicos e inesperados — uma representação visual dos sons e histórias da cabeça do artista. Eu ouso dizer que incluiria você nesta categoria. Sua música é orgânica e desafiadora de maneira que artistas tentam encontrar sua história, trabalhar suas obsessões e encontrarem-se. Você já considerou-se uma artista que recusa colorir as linhas? O quão importante é não ser “empacotada”?

LG: Eu acho que não colori as linhas de uma imagem corporativa, mas fazer as regras para mim mesma vem com muito problemas assim como seguir as de alguém. Não é importante para mim não ser “empacotada”. Se parece que não sei o que estou fazendo, é porque não sei. Mas se alguém viesse com uma ideia melhor de como fazer as coisas, eu aceitaria.

Eu acho que obsessão é uma palavra boa para se trabalhar. Eu vivo nas minhas obsessões e minha música vem daí. Viver desse jeito e escrever daquele lugar não combina com o modo “colorir as linhas”. E ainda, as músicas e vídeos e imagens combinam bem porque vieram do mesmo lugar. Então talvez eu não seja deliberada sobre o pacote, mas sou deliberada em tentar fazer as coisas que eu adoro.

Seria certo dizer que as músicas em Kill Kill contam a história de uma mulher precoce, porém com força de vontade em exposição — que é incerta de si mesma e como ela é realmente única – presa em um trailer sombrio, e seus sonhos de fuga sobre ser resgatada pelo bom e decente homem que ela merece?

LG: Bom, eu diria que faço bem em exposição… Contanto que eu não tenha que falar. Então essa parte é verdade. Mas, ninguém me colocou lá. Eu sei no que sou boa. Eu escrevo sobre o que sei, e sei sobre “colocar um show”.

Eu não me sentia presa em um trailer. Eu me sentia presa antes de chegar ao trailer porque eu não tinha nenhum lugar para viver. Quando eu consegui o trailer, todo mundo lá tinha o mesmo gosto que eu. Todos nós gostávamos de gigantes, luxo, jardins de flores falsas e de decorar as paredes com serpentinas, mesmo se não fosse nosso aniversário. Eu não poderia ter sido mais feliz lá. Antes disso, eu sonhava em escapar. Eu sempre imaginei que seria um homem que me levaria pra longe. Eu não sei se mereço um homem bom, mas penso nisso às vezes.

Você sabia que assim como outras ilhas da barreira Long Island, Coney Island foi praticamente controlada por coelhos (que me faz pensar em crianças) em 1600 – o nome Coney Island foi derivado do holândes Conyne Eylandt, e a caçada de coelhos era normal até que os hotéis começaram a surgir? E em seguida, em 1800, virou um resort, um refúgio de excursionistas querendo escapar dos verões de Manhattan? 

LG: Eu não sabia disso! Dizer que te lembrava de crianças me lembrou da história “Runaway Bunny.” Eu amo coelhos.

De bandeiras americanas e carros clássicos em “Kill Kill” para Calico Hills, Las Vegas, brilhos, Planet Hollywood e imagens de você com uma flor quando criança e Marilyn em “Yayo” — seus vídeos tem uma maravilhosa nostalgia clássica americana. Mesmo os vídeos que são filmados em retrô — às vezes você sente que está sendo transportada para os anos de 1950-1960 na América. Você pode falar um pouco sobre como seus vídeos são concebidos e como é uma representação visual do álbum? 

LG:  Vegas é um lugar que parece mágico para mim. Estou seduzida por como as coisas se parecem por fora. Apesar de ter sido queimada pelo que há no interior de tantas coisas por tantas vezes — não me entenda errado, mas eu ainda amo algo que atinge os meus olhos. A ondulação de uma bandeira ou um Pontiac Grandamn — Eu não preciso saber o que essas coisas significam para saber que são bonitas.

Eu tinha um namorado que contava-me todas as razões pela qual amava uma bandeira, Rock&Roll e a América. Eu não sabia muito sobre tudo isso, mas eu o amava e eu queria ser como ele. Então tudo nos vídeos — a pirâmide de Vegas, os sorrisos das noivas, o noivo animadamente dizendo “VIVA!” — são diferentes expressões da felicidade que eu tinha quando eu amava um homem que me amava à mim e à América.

Vegas e brilho e os anos 50 são coisas bonitas, e todos são uma grande parte do meu mundo do cinema.

 

Tradução por Gabriela Mendes – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Huffington Post.