Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Lizzy Grant

Index Magazine | Lizzy Grant – Com Brea Tremblay

Eu aguardava no Alice’s Tea Cup, um Café no Upper East Side (parte mais elegante da cidade de Nova York), quando Lizzy Grant adentrou o local. Ela usava uma calça preta bem apertada, blusa floral vintage e um blusão tipo esportivo. Seu brilhoso cabelo loiro preso na parte de cima da cabeça e seus olhos marcados com um delineador escuro. Se estivéssemos num filme, sua entrada seria sublinhada com a presença de um vampiro que estaria de olho nela, junto uma passagem acelerada de baixo, anunciando a entrada de uma jovem encantadora e inocente.

Mas como não estamos num filme, a entrada foi mesmo marcada com seu próprio cd Kill Kill. Produzido por David Kahne (Regina Spektor, Sublime, Paul McCartney), a música é exuberante e cinematográfica, com instrumentos de corda, Wurlitzers (marca de órgão, instrumento musical com manuais e pedaleiras) e guitarras elétricas, relembrando os jukeboxes Americana (marca) dos anos 50, tanto sonora quanto tematicamente. A mistura ganha força com a voz de Lizzy, que vai de um rouco grave a um sussurro digno de Marilyn Monroe, enquanto ela se lamenta pela dor atemporal do amor no mundo moderno.

Seu EP, também intitulado Kill Kill, sai dia 21 de outubro, com um disco completo saindo em fevereiro de 2009. Enquanto tomamos café, discutimos sua música, seu trailer-casa e Tiger Beat (revista americana cujo público alvo são as adolescentes).

Brea: Você descreve sua música como um glam metal hawaiiano e surf noir. Como você chegou a essas descrições?

Lizzy: No início eu não sabia por que eu gostava da ideia de ‘hawaiiano e glam’, mas ao ouvir mais artistas que eu gostava, fez sentido. Era algo sobre a parte visual do Hawaii, então passei a pensar mais em Elvis e mal pude acreditar na enorme quantidade de referências ao Hawaii havia no trabalho dele. O glam veio de um namorado antigo, que era bem bonito. Ele dizia que sua música era glam, então eu o copiei. Passei a olhar pra outros artistas e filmes glam, como Velvet Goldmine (filme de 1998), e pensei que isso sempre foi o que eu quis fazer. Eu tenho muito a ver com o mundo drag queen – tudo muito chamativo e dourado.

Brea: E sobre o metal?

Lizzy: O mesmo namorado me ensinou tudo sobre Van Halen e Poison, ele os chamava de bandas de metal. Assim que eu ouvi, eu pensei “esse é o meu povo!” Eu só ouvi isso durante um bom tempo, então… quando eu me encontrei com as grandes gravadoras, eles não gostaram do termo ‘metal’, pois a música não soa mesmo como metal. Mas é, de fato, influenciada por homens desse gênero.

Brea: E surf noir é o que remete às referências de Elvis?

Lizzy: Surf noir é uma daquelas frases com duas palavras que vivem juntas, pra mim. Eu ouvia muito Beach Boys e assistia muitos filmes, eu senti que queria ser alguma coisa ‘surf noir’. Aí eu comecei a procurar pelas palavras juntas, descobri que há um movimento chamado surf noir, mas é um estilo de cinema… não pude comprar o site Surfnoir.com

Brea: O EP tem três músicas– planos pra lançar um cd completo?

Lizzy: Sim, quando eu gravei com Davey (David Kahne), foram 13 músicas. Eu não contava com o lançamento de um EP, mas então o iTunes veio até nós com bastante ânimo e disse, “lancem qualquer coisa que vamos te colocar no Spotlight para artistas”. Nós decidimos, okay, vamos lançar um EP, que saiu no dia 21 de outubro.

Brea: A parte instrumental é bem teatral, eu estava pensando no tipo de processo que você usou pra escrever essas partes. Teve alguma colaboração?

Lizzy: Antes de começarmos, passei três semanas mandando e recebendo muitos e-mails – eu gostei muito do som e queria ter certeza de que usaríamos. Eu disse ao Davey que queria soar como preto e branco, como se a música fosse famosa, como Coney Island e uma festa triste. Ele me escreveu de volta, “Eu posso fazer isso! Entendi perfeitamente.”

Brea: Como você se sente em relação à forma do lançamento?

Lizzy: Estou satisfeita. O engraçado é que, se tivesse sido do jeito que eu queria, eu diria que estou completamente satisfeita, mas por ter sido diferente do esperado, ficarei satisfeita se muitas pessoas gostarem também. Eu me sinto meio idiota falando isso… mas espero que atinja algum nível de reconhecimento, assim eu poderei continuar e fazer algumas coisas diferentes.

Brea: Que tipo de outras coisas você gostaria de fazer?

Lizzy: Eu sempre espero que, uma vez que eu faça algo, eu possa mudar pra melhor, como, talvez, mudança de casa prum lugar diferente ou conhecer mais pessoas. Pra falar a verdade, eu queria mesmo é me mudar pra New Jersey ou Coney Island pra poder trabalhar com pessoas em pequenos projetos, como vídeos, pois eu me dou muito melhor em espaços menores. Me apresentar é bem difícil, por isso eu queria ter mais gente e dinheiro pra poder fazer mais projetos atraentes.

Brea: Projetos atraentes!

Lizzy: Sim, eu só quero ter algo pra fazer o tempo todo – e é mais fácil de acontecer quando as pessoas te acham ótima.

Brea: Onde você imagina que um EP desses seja tocado?

Lizzy: Essa é uma boa pergunta. Eu estava certa que saberia, mas eu estive errada. Por exemplo, estive cantando recentemente em festas privadas para jovens de Wall Street e alguns não tão jovens e fiquei surpresa deles terem curtido a minha música. Eu acho que não é bem um grupo estatístico né!?

Brea: Um grupo estatístico ainda não empregado, mas…

Lizzy: (Sorri) E aí eu comecei a cantar em locais da minha cidade natal como o American Legion e para amigos que eu tenho lá – motociclistas de cidades pequenas. Talvez eles também sejam um grupo?

Brea: Eu achei bastante interessante que você use vários símbolos culturais femininos como referências a figuras paternas e coisas com estilo pinup. Ao mesmo tempo, soa modern porque o narrador das canções está claramente sempre no controle. Estou certa?

Lizzy: É isso mesmo. Eu acho que minhas canções começaram a me agradar quando eu parei de ficar nervosa em relação ao conteúdo delas. Eu curto cantar sobre “Daddy’s” e “baby’s” – Daddy sendo o cara e eu sendo a “garota”. Eu não sabia que esse tema tinha sido meio recorrente na década de 50 mas agora que eu tenho escutado mais músicas dessa época, eu vejo o quanto era. E eu me sinto um tanto aliviada porque eu não quero que pareça que eu tenho algum complexo! Mas é algo que eu não consigo me cansar. Eu quero ter uma vida onde eu tenha só um homem e eu ainda não o encontrei.

Brea: Mas aí, na canção “Gramma Blue Ribbon Sparkler”, parece que sua avó está te dizendo que haverá somente um homem e você responde que quer ser “a garota que pretence ao mundo todo”.

Lizzy: É engraçado porque essa canção foi a última que gravamos e eu já tinha o refrão em mente e tive que escrever os outros versos quando eu tava morando no trailer em New Jersey. O melhor de lá era um trem que ia do Parque até Hoboken. Eu escrevi os versos nesse trem, com ele indo e voltando, porque eu tinha a melhor visão da cidade. Acho que foi uma das épocas mais felizes da minha vida e acho que isso me fez pôr felicidade nos versos. E eu me lembro de contar pra minha avó, “Queria tanto conhecer alguém.” E ela disse “Quando eu era jovem, não tínhamos chance ou escolha de experimentar e conhecer pessoas – você tinha que encontrar um homem e era isso – mas não tenha medo de conhecer todo mundo.” E eu pensei que ela tinha sido a única pessoa da minha família que fez eu me sentir bem em relação a tentar e encontrar a pessoa certa.

Brea: Você morou em um trailer enquanto gravava o disco?

Lizzy: Sim. E eu sei o que isso parece. Mas o fato é que eu sempre achei que fosse um sonho. Foi o meu primeiro lar. E as pessoas – é uma comunidade real. As pessoas decoram seus lares.

Brea: Falando em embelezamento, me parece que, na sua opinião, estilo é algo bem importante e você consegue mesclar bem sua música com seu visual.

Lizzy: Bem, minha ambição sempre foi ter uma vida e um mundo tranquilos pra se viver, mas muita coisa mudou. O que é ótimo.

Brea: Curioso, é inspirado em algo tão retrô, mas ao mesmo tempo bem moderno, bastante similar à música.

Lizzy: Muitas músicas dessa gravação saíram assim porque eu não tinha muito contato com coisas legais, mas agora que tenho, eu percebo que me encaixo perfeitamente. Apenas planejo incorporar tudo isso.

Brea: Soa bem orgânico.

Lizzy: Sim, apesar de estar mais difícil agora que conheci muita coisa. Não quero que pareça que estou copiando alguém.

Brea: Você já leu a revista Tiger Beat?

Lizzy: Tiger Beat? Aquela do Jonathan Taylor Thomas (astro mirim dos anos 90)?

Brea: Exatamente! Eles sempre fazem perguntas sobre o que as pessoas gostam, pensei em fazer com você um teste no estilo Tiger Beat!

Lizzy: Legal! Parece interessante.

Brea: Três coisas que você sempre está carregando.

Lizzy: Três coisas que eu sempre tenho comigo… [mexe na bolsa e começa a tirar coisas] Um caderninho com brilhantes. Delineador de lábios. Pimenta caiena.

Brea: Pimenta caiena! Por que?

Lizzy: Quando eu fico nervosa, ponho pimenta nos lábios. Ajuda a me acalmar.

Brea: Melhor cantada que já usaram em você?

Lizzy: Foi algo do tipo, “If I said you had a beautiful body, would you hold it against me?” De primeira eu não entendi e, bem, eu não queria nada mesmo, mas achei muito legal.

Brea: Música mais constrangedora no seu iPod ou mp3 player?

Lizzy: Eu diria que um audiobook de autoajuda.

Brea: Comida favorita.

Lizzy: Café. E torta.

Brea: Se você pudesse beijar uma celebridade, quem seria?

Lizzy: Ah, essa é boa! Antony, do Antony and the Johnsons.

Brea: Descreva-se em três palavras.

Lizzy: Confusa. Floral. E, hmm, excêntrica?

Brea: Achei que você falaria glam metal hawaiiano.

Lizzy: Ah, isso também!

 

Tradução por Deborah LimaDaniel Sant’Anna. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Index Magazine.