Lana Del Lovers

Libération Next | Lana Del Rey fala sobre ‘Ultraviolence’, críticas, e vida pessoal

Lana Del Rey, ícone americano, parece estar cansada de seu visual vintage dos anos 50. Para a primeira sessão de fotos de uma grande promoção que está por vir, ela não quer parecer muito artística e decide usar roupas de seu próprio guarda-roupas, compradas em lojas locais. Estamos de volta aos anos 60 e 70, vibe retrô, mais parecida com Janis Joplin do que Patti Smith.

“Tenho visto tantas fotos de mim que me fazem sentir desconfortável. Muitas mesmo. Mas é o que os meios de comunicação querem”, diz ela, enquanto cruza seus dedos com grandes unhas postiças vermelhas.

Com um cigarro em sua mão e o iPhone ligado tocando alguma música reggae, ela diz que prefere trabalhar com uma equipe leal. Ela está muito surpresa consigo mesma por trabalhar com um novo produtor, o famoso Dan Auerbach, líder da banda The Black Keys.

“Eu o conheci em um clube de strip no Queens. Eles tocaram uma de minhas músicas e nós dançamos juntos. Uma semana depois, eu fui com ele para sua casa em Nashville gravar algumas músicas. Dan é teimoso, um homem dominante que gosta de testar suas próprias idéias primeiro. Na verdade, ele geralmente soava exatamente como eu queria. Sobre mim, se eu sou uma pessoa dominante? Sim, mas apenas quando é sobre meu trabalho.”

Ela soa bastante especial quando fala, ela me lembra Marilyn, ela até mesmo já tentou imitá-la em seu antigo vídeo caseiro, Kill Kill.

Ela tenta encontrar as palavras certas, fica em silêncio em certos momentos, interrompe a conversa com grandes gargalhadas. É uma mistura de timidez, apreensão e paz.

Três anos após a tempestade, todos nós queremos saber como ela está se preparando para enfrentar a próxima onda. Com exceção de seu visual, isto será uma grande oportunidade, pois nunca é tarde demais para começar uma revolução.
As batidas hip-hop de Born to Die, suas cordas e violinos lendários se foram. Guitarras, rock n roll e vibes suaves de jazz – Ultraviolence está aqui. Sua faixa favorita é Cruel World, que fala sobre amor doentio.

Ultraviolence é sobre o homem que precisa da mulher. Mas antes do sentido real, eu apenas gosto da palavra. É o espaço no mundo sonoro que eu queria fazer.”

No disco, Lana Del Rey canta sobre desfrutar a vida e tornar-se selvagem, mas com o medo do fracasso.

“Quando eu componho, eu penso na liberdade que eu tinha quando tinha 17 anos, sobre a vida que me faz sonhar. Minhas influências são as músicas que ouço e os filmes que assisto.”

Ela cita Jeff Buckley, Nirvana, Nina Simone e adora Kubrick, Tarantino e David Lynch.

Um cigarro entre os lábios, Lana Del Rey olha a paisagem e vira de costas para um lago cheio de carpas chinesas, todas brancas e laranjadas. Não muito longe, há um Rolls bege na garagem.

“Eu dou entrevistas e faço sessões de fotos, mas eu vivo em um mundo real, eu sou solitária. Aqui, é tudo sobre mim, mas em casa tudo se resume ao meu irmão, minha irmã, e James, meu noivo.”

Lana Del Rey está se acomodando em Los Angeles, onde ela vive agora, depois de viver em Lake Placid, sua cidade natal, perto de Nova York. Ela é a filha mais velha, e isso a torna muito “maternal”. As pessoas costumavam dizer que seu pai era rico, ele é um corretor de imóveis.

“Todos diziam que ele havia comprado meu contrato de gravação. Mas as gravadoras não precisam de dinheiro, eles querem artistas. Estes foram os ataques mais fracos.”

Cantando de forma não profissional por 7 anos, ela costumava ficar no Brooklyn. Ela sempre falou sobre seu antigo problema com álcool e como superou tudo isso.

A voz dela estava em todo lugar em 2011 – o impacto de Video Games. Logo, todos imaginavam-na como uma diva, uma grande performer. Na verdade, todos nós descobrimos que ela era – uma menina tímida. Perguntamos: “Você gosta de estar no palco?” Ela responde: “Às vezes”.

Lana Del Rey é incomum, ela não lê nada que seja a seu respeito, “tão malvados”, diz ela, que evita até mesmo redes sociais.

“Eu ainda me sinto presa em dois mundos sempre que tenho que falar sobre a fama. Nos EUA, você nunca me vê na TV, eu não conheço nenhuma outra celebridade e raramente eu saio de casa. Em minha casa, tudo está sempre ligado – televisão, rádio, luzes… Isso me ajuda a dormir. Eu fico nervosa sempre que eu tenho que dormir. O que eu amo? Dirigir. Isso me relaxa.”

Uma aura, às vezes ingênua e sensual, mais sensual, emerge sempre que você a vê.

“Você nunca tem certeza sobre o que você deve revelar, especialmente quando você é um artista. Eu venho de uma família muito tranquila. Eu preciso sentir e controlar tudo o que acontece ao meu redor. Se você fala muito, as pessoas podem te entender de forma errada. E se você fica quieta, eles podem imaginar o que quiserem.”

Ela quase desistiu de tudo, por muitas vezes, mas ela decidiu ficar, enquanto algumas grandes celebridades dominavam a indústria musical, como Lorde, Grimes e Miley Cyrus. Essa por sua vez, fez um cover de Summertime Sadness em sua nova turnê.

“Eu fiquei sabendo. Isso me deixou surpresa. Nós somos tão diferentes. Ela é maior que a vida, sem qualquer limite. A principal diferença entre nós é, provavelmente, que eu nunca quis fazer qualquer provocação porque eu sei quais são os riscos. Eu sou bastante confusa e perturbada.”

Lana Del Rey sente como se tivesse vivido três diferentes vidas: “antes da tempestade, o desastre e depois.”
Ironia, óbvio. Mas então, ela diz, de uma forma séria:

“O que não te mata te faz mais forte? Pessoalmente, isso me machuca profundamente. Eu estou tão cansada disso. Felizmente, quando eu componho, eu procuro não pensar o que as pessoas irão imaginar sobre o meu trabalho. Eu só espero que tudo isso não aconteça novamente.
Você já leu algo bom sobre mim? Na França, talvez. Todos esses jornalistas tentaram entender o que eu estava fazendo. Talvez porque aqui, vocês tenham uma verdadeira cultura artística e romântica. Eu me sinto compreendida em seu país. Em outros países, nem tudo que eles escrevem é sobre a minha música. Eu nem mesmo sei o porque… Mas é assim que a vida funciona.”

Ela está aqui de pé, vestindo uma calça jeans rasgada. Lana Del Rey tem entendido que ELA é o conflito. Esperançosamente, toda a controvérsia irá terminar com Ultraviolence, o terceiro capítulo de sua carreira.

“Soa como tudo que eu já ouvi.. Phil Spector foi uma das minhas principais inspirações, honestamente. O álbum tem uma influência californiana. Com diferentes efeitos e progressões, com uma energia forte que me faz pensar em Nova York.”

Ultraviolence, junho.

Créditos e Tradução: Lana Del Rey Brasil