Lana Del Lovers
Lana Del Rey

NEON | “Eu realmente gostaria de ser feliz.”

Em entrevista para a revista alemã NEON, Lana Del Rey falou sobre homens, feminismo, suas músicas, felicidade, medo de perder sua criatividade e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

“Eu realmente gostaria de ser feliz.” – Lana Del Rey

Lana Del Rey fala sobre os dois grandes temas de suas músicas: homens e tristeza.
Entrevista por Alard von Kittlitz

Suas músicas são principalmente sobre os homens. Eles são tão grandes assim para você?

Os homens são a minha paixão. Eu gosto da energia masculina, a sua estabilidade e previsibilidade nas relações. Os homens são uma enorme fonte de inspiração para mim. A maioria dos meus amigos são homens intelectuais e criativos. Eu gosto de estar com eles. Muitas das canções que tem um som romântico, na verdade, não são necessariamente sobre o amor, mas simplesmente sobre os homens que me influenciaram.

Qual é a diferença entre homens e mulheres para você?

Oh, eu não sei. Esses clichês: os homens são de um jeito, as mulheres são de outro, eu realmente não estou interessada neles. Depois de tudo, o que eu estou interessada é nas pessoas individualmente. Mas ao mesmo tempo eu tenho que admitir que a maioria das pessoas que realmente me interessavam eram homens. E mesmo as mulheres fascinantes que eu conheci, tem uma energia bastante masculina.

O que você quer dizer com “energia masculina”?

Com isto quero dizer que eles são dominantes. Quero dizer que eles não têm nada frívolo. A calma particular, um foco.

Você pensa sobre as relações de gênero, quando você está escrevendo suas letras?

Não. Eu acredito que a relação entre homens e mulheres, de qualquer maneira, mudam em cada década. São relação que ainda depende principalmente de valores morais e tradições, em ambos os lados.

Você está preocupada com o feminismo?

Sinto-me pouco conectada ao feminismo. Eu nem sei o que está acontecendo por aí. Eu não poderia dizer o que a feminista mais proeminente é, ou o que ela pensa sobre mim. Se eu pudesse adivinhar, eu diria que ela não gosta de mim.

A dimensão política da relação entre homens e mulheres não lhe interessam?

Não. Na verdade, eu tenho opiniões políticas, mas elas não são a respeito da relação entre os sexos.

Quais são as suas opiniões políticas?

Eu diria que eu tenho tendências conservadoras com desejos deixados. Tenho valores morais tradicionais, mas um estilo de vida não-tradicional. Eu meio que me sinto em meio termo.

Na Alemanha, é frequentemente discutido sobre o que o movimento de emancipação faz desejar. Há terapeutas de relacionamento que dizem que os homens gentis, simpáticos, não são realmente emocionantes de uma forma erótica para mulheres. Em suas canções, os homens são aqueles caras com um carro que pegam geral?

Isso é verdade. Mesmo assim eu tenho duas respostas. Na minha vida tem sido sempre eu quem tenho o bom desempenho. Eu estava sentindo falta de modelos e de ajuda, especialmente quando se tratava de como eu poderia viver meus interesses criativos ou mesmo transformá-los em uma carreira. Os encontros com homens que não eram particularmente criativos, de certa maneira me fizeram muito bem. E foi bom que alguns desses homens, em seguida, assumiram as coisas da carreira para mim. Foi bom para não fazer tudo por conta própria. Aqueles sim eram os caras.

E a segunda resposta?

Por outro lado eu gosto quando os homens são naturalmente empáticos.

Você não acha que isso soa nenhum pouco sexy?

Não, nem um pouco. Mas eles devem apenas saber o que querem. Eles não precisam ser vitoriosos em todos os pontos que desejam alcançar, mas eles tem de saber a direção certa. Os homens em minhas músicas não são dominantes, e sim auto-confiantes.

Suas músicas também falam muito sobre paixão, mas às vezes tem-se a sensação de que você gostaria de invocar isto. Será que estamos vivendo em tempos sem paixão?

Eu acho que muitas pessoas realmente tem uma paixão por aquilo que fazem. Mas o que as pessoas consideram como ótimo e desejável, muitas vezes não faz sentido para mim. No entanto, eu sou uma sonhadora. Minha paixão é a minha imaginação. Uma parte de mim está sonhando o tempo todo. Se as pessoas não são assim, eu realmente não posso compreendê-las. Eu preciso disso. Minha imaginação faz minha vida mais profunda, mais colorida. É como Technicolor.

Soa bonito!

É uma bênção! Porque quanto mais velhos ficamos, mais as cores da vida vão desaparecendo. Especialmente para os artistas. Escrever está ficando mais difícil para mim.

Você às vezes tem medo de perder a sua criatividade?

Não. Eu não tenho medo. Mas temo não ter tempo suficiente para fazer as experiências que eu preciso para as minhas músicas. Agora é muito mais difícil do que era há dez anos atrás, não é mais uma experiência tão fluente. Eu não estou compondo música na parte de trás da minha cabeça o tempo todo mais. Eu só tenho que fazer alguma coisa o tempo todo, e às vezes me sinto limitada.

De onde vem a tristeza em suas músicas?

Emerge-se da sensação de ser outro tipo de ser humano que a maioria das pessoas que conheço não conhecem. Estou isolada por causa da minha experiência do mundo. Eu me sinto muito sozinha. Eu não sei… não solitária, mas sozinha.

Você gosta de música alegre? Por exemplo, se está tocando Happy no rádio?

Não.

Isto é felicidade superestimada?

Não, absolutamente não. Esse é o meu maior sonho. É maravilhoso ser feliz. Eu realmente gostaria de ser feliz! Mas se você tem uma família enorme, se você estiver trabalhando com muitas pessoas… você deseja para todo mundo que os seus desejos se tornam realidade. Ao mesmo tempo, é difícil para satisfazer as necessidades próprias de cada um. Então, quando as pessoas ao meu redor estão em apuros, é impossível que esteja feliz.

Sua simpatia dificulta a sua felicidade?

Eu sou muito empática. Se você fosse infeliz agora, eu me sentiria infeliz por você. Claro que tenho limites, eu sou uma pessoa muito emocional. Eu quero ajudar a todos. Pela maneira que você pode ajudar a maioria das pessoas. O conhecimento de que isso é possível – que você realmente pode ajudar as pessoas – naturalmente torna a vida mais complicada.

Então, o que faz você feliz?

Eu acho que ser feliz é um processo bastante difícil. É um desafio que eu tenho trabalhado durante minha vida inteira. Mas é claro que há coisas que me fazem contente. Eu amo dirigir. Eu gosto de água, gosto do Pacífico, é por isso que eu me mudei para a Califórnia. Eu gosto de ver as pessoas. Eu gosto de ir a concertos, eu amo rock’n’roll. Sobre essas coisas, sou bem simples. Café. Cigarros. Eu gosto do ar do final de tarde. Huge Gardens, em Los Angeles.

Há um tempo em que você preferia viver?

Os anos setenta soam majestosamente, eu acho. Liberdade, amor livre. Os alucinógenos. A ideia de abrir a consciência, mudar neurologicamente. Eu gosto de Timothy Leary e do conceito de ser capaz de escrever um romance inteiro em uma só noite sobre efeito de anfetaminas. Viajar pela América de carona. Eu gosto da liberdade que esta época encarna em mim. Eu não estava lá, eu não sei se foi realmente assim.

 

Tradução por Igor Fortunato. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por NEON.