Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Interview (2012)

Pedestrian TV | Lana Del Rey sobre autenticidade, mudanças e novo álbum ‘Born To Die’

No início deste mês, nos encontramos com a mais polêmica cantora e compositora da internet para discutir mudanças, autenticidade e se apresentar ao vivo. Lana Del Rey fará uma turnê na Austrália em fevereiro. Seu novo álbum, Born To Die, está agendado para lançamento em janeiro.

Oi Lana, como vai você?

Oi, eu estou bem. Como você está?

Muito bem. O que você fez hoje?

Hoje eu estou em Londres, tivemos uma sessão de fotos há cerca de uma hora atrás. Alemanha está lançando sua versão da revista Interview, então tivemos uma extensão de dez páginas para isso. Isso é o que eu fiz hoje.

Você teve um ano muito louco – qual tem sido o momento mais surreal?

Venho cantando por um longo tempo e trabalhando em um disco que eu queria liberar no último ano e meio, mas eu realmente nunca me ocupei tanto com a música. Minha vida tem sido sobre as outras coisas que eu tenho feito, nos últimos seis anos, fora da música. Por isso, é surreal ter coisas para falar que envolvem música. É uma espécie de estado diferente para mim.

Quais são as outras coisas da vida?

Por exemplo, me mudei para Nova York quando eu tinha 18 anos e estive envolvida na comunidade lá por um longo tempo. Eu vivi no Bronx e no Brooklyn e Nova Jersey e fiquei envolvida em um monte de trabalho de serviço desde que me mudei para lá.

Oh, vida real então. OK. Você tocou no Jools Holland este ano, você estava nervosa indo para um programa de show de música icônica?

Bem, naquele momento, eu não subia ao palco há dois ou três anos e eu acho que televisão ao vivo não é a minha especialidade. Eu sou uma escritora natural, eu realmente gosto de escrever desde que eu era criança e eu também gosto de cantar e fazer discos no estúdio, mas estar na TV é meio assustador para mim. É bom fazer parte de algo icônico, mas não posso dizer que foi na minha zona de conforto, eu não sou exibicionista por natureza.

Então, como é que você se aproxima de performances ao vivo se você não é exibicionista por natureza?

Quero dizer, meu público é surpreendente. Eu subo no palco e antes mesmo de chegar ao microfone as pessoas estão acenando e sorrindo para mim. Isso tem feito o show ao vivo mais confortável para mim. Eu tenho trabalhado com uma banda durante os últimos cinco meses, e eles são quatro meninos que eu realmente amo e isso também me ajuda. Tem sido um prazer, na verdade.

O que você pode nos dizer sobre o novo álbum, quais vibrações você está canalizando?

Eu estive trabalhando nele por um tempo e ele será lançado no final de janeiro. Eu tenho trabalhado com a Orquestra de Filadélfia e Larry Gold tem composto seções de cordas para algumas das músicas que eu escrevi, sendo assim, isso adiciona um elemento cinematográfico exuberante para algumas das faixas. Eu também tenho trabalhado com Emile Haynie (The Roots, Kanye West, Lil Wayne) no último ano e meio e ele está colocando batidas e samples por baixo das faixas que eu já fiz com Justin Parker (co-escritor de Video Games). Acho que Video Games e Blue Jeans definitivamente definiram um tom para o disco. Eu não sei se há uma vibe definitiva, mas é consistentemente autobiográfico e eu acho que a maioria das músicas está a beira do sombrio e do bonito. Eu tenho cantado por tanto tempo que você acaba escrevendo para si mesmo e tornando-o o mais pessoal possível.

Onde está o ponto de partida comum para você quando você escreve uma música?

Eu costumava andar por toda Manhattan e pensar sobre a forma como as coisas costumavam ser e cantar melodias diferentes para a minha música enquanto estava andando na água. Agora que eu tenho trabalhado com produtores, isso depende. Às vezes, Justin vai entrar no estúdio e me dizer que ele tem uma progressão de acordes que o fez lembrar de mim. E se eu gosto eu vou levá-la de lá, começar a estilizar do meu jeito e apenas rimar as coisas. Mais uma vez, refletindo sobre a minha vida. Realmente depende da situação.

Considerando o ano que você teve, muitas pessoas se aproximaram de você para colaborar?

Algumas pessoas têm me abordado para colaborações, mas não é realmente algo que eu estou pronta ou interessada, ainda. Eu trabalho com Emile porque o conheço e ele entende o que eu estou fazendo, ele está familiarizado com o meu som há um tempo e ele não quer fazê-lo diferente. Acontece que ele trabalha com hip hop, mas era mais que ele me conhecia como pessoa e poderia adicionar as coisas certas para melhorar o núcleo do que eu estava fazendo. Então, não, realmente, colaborações não.

Qual foi o catalisador para a pessoa “Lana Del Ray”?

As pessoas pensam que é uma transição enorme que eu fiz, mas eu comecei a cantar com esse nome quando eu tinha 19 anos, por isso há sete anos. Eu realmente não considero como uma mudança na personalidade e eu acredito em se tornar a pessoa que você quer ser, mas quando isso aconteceu, eu já era essa pessoa. Não é como se eu fosse uma pessoa e, em seguida, eu me transformei em outra coisa. Eu só estava procurando um nome que encarnasse o espírito da música que eu estava fazendo e que soasse belo quando pronunciado.

Filmes parecem ser uma grande influência sobre você, como isso faz parte da sua vida diária?

Eu gosto muito de edição. Como eu me sinto editando, agora, é o que eu costumava sentir sobre música, que é apaixonante. Eu gosto. Em termos de realmente estar envolvida em um filme, essa é a extensão do que eu sei como fazer.

Por que você não se sente igualmente apaixonada por música mais?

Eu me sinto apaixonada por música, é só que, sou uma cantora há um bom tempo agora. De alguma maneira, a música não tem sido a minha prioridade desde que eu tinha 20 anos e eu tive uma grande vida fora da música fazendo outras coisas diferentes.

Qual foi a última coisa que você fez fora da música?

Uma coisa que eu fiz foi trabalhar com meu diretor favorito de vídeo, Yoann Lemoine, para o vídeo de Born To Die. Filmamos em Paris há três semanas e eu escrevi o tratamento e ele me ajudou com isso e é algo que eu queria fazer há muito tempo, trabalhar com alguém como ele. Isso foi realmente a última coisa que eu queria fazer, porque eu já trabalho com as pessoas que eu gosto.

Algo que é realmente único para você, é estar, constantemente, tendo que defender sua autenticidade. Quer dizer, eu acho que se você fosse um homem, isso nem sequer faria parte da conversa. O que você acha disso?

Sim, eu concordo. Tudo o que posso dizer é que eu escrevo minhas próprias músicas, eu faço meus vídeos e não é como se eu não tivesse feito algo e dito que eu tenha. Em termos de definição de “autêntico”, eu escrevo música e é isso. Não é como se alguém estivesse escrevendo todas as minhas músicas ou fazendo meus vídeos nos bastidores. Se isso fosse verdade eu acho que essas pessoas teriam se esforçado e me exposto já. Quero dizer, eu sei a verdadeira natureza da minha viagem e eu escrevo minhas próprias coisas. O que mais eu posso dizer?

Mas, você, entre qualquer pessoa, deve ter pensado criticamente sobre o porquê de autenticidade importa para as pessoas…

Eu não tenho certeza ainda. Ainda sou nova nisso e eu ainda estou tentando descobrir.

É tão estranho ter que pensar sobre sua própria autenticidade. É como se você estivesse na escola novamente.

Quero dizer, é uma boa pergunta. Eu não sei se há uma resposta para isso. É o tipo de questão. Independentemente de qual é a resposta, a verdade é que eu sou uma cantora há um longo tempo e isso é, honestamente, onde meu caminho me levou até agora.

Obrigada pelo seu tempo, Lana.

Obrigada você.

 

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Pedestrian TV.