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Lana Del Rey - West Coast

Radio.com | Lana Del Rey vai de ‘Malévola’ para ‘Ultraviolence’ direto ao topo

Em entrevista para o site Radio.com, Lana Del Rey falou sobre o álbum Ultraviolence, West Coast, sua paixão por tecnologia, Fucked My Way Up To The Top e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Conversar com Lana Del Rey sobre sua música é como tentar pegar fumaça com as mãos.

Sua natureza contemplativa torna sua musa em tangentes, de Elon Musk aos jesuítas ao som de Laurel Canyon da década de 70 quando se tenta colocar o significado e a inspiração por trás de suas canções em palavras. Todo o tempo, ela permanece aberta e honesta.

Durante uma entrevista tranquila em um estúdio no KROQ, em Los Angeles (estação Radio.com), o comportamento de Del Rey em pessoa foi surpreendentemente relaxado e muito charmoso. Alguns críticos foram rápidos a acusarem como uma fabricação inautêntica, mas enquanto falava sobre seu novo álbum Ultraviolence (previsto para 17 de junho), ela se mostrou alguém com completo controle de sua música e o rápido aceleramento na carreira.

Como o álbum veio a ser chamado Ultraviolence?

Eu acho que o álbum já se chamava Ultraviolence antes mesmo que eu tivesse as canções. Isso é porque eu realmente amo palavras. Eu sou o tipo de pessoa que se inspira por apenas um título de uma só palavra. Para esta, a ideia principal em minha mente eram hortênsias. Principalmente porque essas flores que eu amo são em tons de azul e violeta, e quando eu estava falando com o [produtor] Dan [Auerbach do The Black Keys] sobre inspirações e tons de cor, esse tipo de vibração de alta violeta estava em minha mente. Talvez porque o azul está relacionado com jazz e também tristeza.

O que inspirou o primeiro single do álbum, West Coast? Ele definitivamente amplia as dimensões do seu som.

West Coast como demo parecia muito diferente, e eu nunca senti que tinha chegado onde deveria estar até que conheci Dan Auerbach. Eu estava dizendo a ele que eu estava realmente interessada em… Que o meu coração estava no jazz, e minha mente e as minhas raízes estavam no jazz e que eu queria fazer um disco que era uma espécie de uma mistura dos belos tons de jazz e uma fusão da Costa Oeste, meio inspirado pelos Eagles e os Beach Boys e esse tipo de coisa renascentista de Laurel Canyon que estava acontecendo nos anos 70. Então eu fui para Nashville e ele reproduziu West Coast, e sim, eu não sei… Eu adorei.

Dan disse que tudo no disco, todas as músicas têm este tipo de narco-swing. Assim, enquanto a batida e os versos sobre West Coast eram realmente diretos, o coro escorregou naturalmente para essa batida no intervalo. Eu me lembro de todos na gravadora estarem dizendo “Deus, está ficando mais lento no refrão?” E nós ficamos tipo, yeah!

Em sua turnê mais recente nos EUA, um dos destaque dos shows era quando você ia ao público para conhecer pessoas, dar autógrafos, tirar selfies e aceitar presentes. O que te inspirou para ter tais momentos íntimos com seus fãs durante os shows?

Quero dizer, é definitivamente diferente de como eu esperava que uma turnê seria, se eu tivesse a sorte de fazer uma tour, você sabe, na minha cabeça quando eu estava imaginando o que eu talvez seria capaz de fazer. Eu fui uma cantora tímida durante anos. Eu realmente nunca mergulhei naquela boa excitação que a audiência trouxe, não até que eu fui para a Europa, no ano passado, para a minha turnê de quatro meses. Eu acho que quando as coisas estão mais difíceis, pessoalmente, você se encontra realmente voltando-se para o público buscando apoio. É algo que eu pensei que nunca faria, então sim, é esmagador e é comovente. Pessoas trazendo cartas e eles realmente querem conversar. Porque eu sempre sinto que meu nível de energia permanece o mesmo durante os shows, está nesta espécie de nível médio, mas todos na platéia estão em alto nível maníaco. Para mim, o show é sempre sobre eles. Eu encontro-me perdida os observando porque eles são tão animados.

Quando você volta ao palco, você geralmente está carregada de presentes dos fãs. Qual é o presente mais memorável que você já ganhou, dado por um fã, durante um show?

Um menino me trouxe uma caixa de jóias de prata, e gravado neste estava o poema de T.S. Eliot que estava na minha header do Twitter. Foi apenas este comentário sobre uma rosa que tinha a aparência de uma flor que sempre foi olhada. Então ele sabia que essa era uma das minhas citações favoritas, e eu achei que, parecia ser muito atencioso.

Em sua reportagem para a The FADER [capa do mês], você falou sobre ter um grande interesse em ciência e tecnologia.

Eu me formei em metafísica na faculdade, tenho um diploma. E a razão que eu escolhi isso foi porque os jesuítas que estavam ensinando esse assunto, eles não eram apenas os teólogos, eles também tiveram formação em ciência. Obviamente, a busca da paz, a busca pelo conhecimento de algo maior é… isso é o fim do jogo. Isso é o que estou realmente interessada. Mas a tecnologia, creio eu, está nos trazendo mais perto de talvez descobrir a resposta de algumas dessas perguntas, e acho que nós temos realmente visto isso nos últimos dez anos. Estou interessada apenas como qualquer outra pessoa, provavelmente. Eu acho que conhecer pessoas como Elon Musk e pessoas envolvidas no mundo da tecnologia de maneiras diferentes foi interessante para mim.

Eu queria perguntar-lhe sobre a canção Fucked My Way Up To The Top do Ultraviolence

Oh, Deus.

Em entrevista à GRAZIA, na Alemanha, você infere que era, em parte, uma resposta a um outro artista popular do sexo feminino que tinha dito coisas depreciativas sobre você na imprensa.

O que eu posso dizer… Eu passei tanto tempo tentando criar uma narrativa para a lista de músicas, e então eu fui tão estúpida, porque eu deveria saber que “falei demais” [tradução livre]. Deixe-me colocar desta forma, todas as faixas que eu coloquei lá e cada nome da faixa e a ordem em que estão, conta uma história que é importante para mim. Em minha mente, a narrativa para esse disco termina com a última música, não a do material bônus. Ele termina com o cover de The Other Woman, de Nina Simone. E, mesmo sem realmente dizer mais sobre isso, a decisão de terminar com um cover de uma música jazz e do conteúdo dentro dessa, é uma espécie de contar à sua maneira.

E assim é Having Fucked My Way Up To The Top estar mais para o fim da lista. Eu diria que esta música tem uma batida de hip hop mais pesada, enquanto o resto do álbum é ao vivo e orgânico… Leva a um ponto particular doméstico. É difícil quando você está fazendo algo no estúdio, você meio que se sente como se a sua história sobre o assunto fosse acabar ali, mas, em seguida, em entrevistas, você nunca está realmente certo de como fará para elaborar… Não há muito que eu possa dizer que vai ajudar você a entender. Eu vou esperar você ouvi-la.

Além de Ultraviolence, você teve sucesso imediato este ano com a sua versão de Once Upon A Dream, do filme da Disney, Malévola. Quais são as suas lembranças daquela sessão de gravação?

Foi ótimo, porque eu fiz essa música com o meu melhor amigo durante os últimos dez anos, Dan Heath, que se tornou um dos meus produtores. Ele e eu temos uma coisa tão grande acontecendo. Gravamos em sua casa, na verdade, em seu estúdio caseiro. Gravamos no mesmo microfone que usei em um monte de minhas outras músicas que fizemos juntos. Foi emocionante, porque amamos a Disney. Nós amamos a história da Disney. Então, foi muito natural e agradável estar envolvida em um projeto como esse.

 

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Radio.com.