Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Lizzy Grant

Repeat Fanzine | Lana Del Rey: Sobre seu passado, presente e futuro…

Lana Del Rey
Sobre seu passado, presente e futuro…
Junho de 2010

“Você talvez já conheça Lana Del Rey… talvez de um filme antigo de algum lugar, mas ao olhar mais de perto, você não poderá reconhecê-la. Lana De Rey é uma jovem cantora tecendo o cinematográfico pop obscuro para o século 21 — música envolta em fumo, sensualidade e tons glamourosos. Nascida na cidade rural de Lake Placid, Nova Iorque, Lana já se mudou para uma série de lugares: Alabama, Nova Jérsei e a cidade de Nova Iorque, mas agora passa a maior parte do tempo em Londres. Não importa o lugar no mundo onde Lana está, seu amor por filmes noir, paisagens italianas, grandes igrejas, montanhas-russas e a memória de estrelas desbotadas como Bette Davis, Kurt Cobain, Nina Simone e Elvis são as linhas dos refrãos de suas músicas, e seu amor por Nova Iorque é o seu batimento cardíaco.” — COMUNICADO DE IMPRENSA OFICIAL

“As conotações líricas de Lizzy Grant são ao mesmo tempo sensuais e sinistras, enquanto a entrega vocal dela carrega um furtivo, uma determinada inocência pura de um parque de trailers, com contribuição de ritmos evocativos de Nancy Sinatra, com uma atitude jazz. Suas mensagens visuais são perigosamente sedutoras. Você não será capaz de deixar suas músicas sem atribuir o seu próprio significado pessoal.” — THE SMUDGE

Havaiano, glamour e surf noir, são apenas alguns dos rótulos que Lana Del Rey (Lizzy Grant) tem utilizado para encapsular sua deliciosas, hipnotizantes e nostálgicas canções, que são impecáveis ​​na composição e performance! Chamada de “queridinha não-oficial do rock and roll” por uma jornalista, no final de 2008 ela lançou seu EP de estreia, Kill Kill, seguido por seu auto-intitulado LP de estreia em fevereiro de 2009 por uma gravadora localizada na cidade de Nova Iorque, 5 Points Records, exclusivamente através do iTunes nos EUA — ambos os quais foram produzidos por David Kahne (Paul McCartney, The Strokes, Regina Spektor). E com música, vocais e letras que são como um jogo feito no céu , o disco soa “preto e branco, famoso, como Coney Island e como uma festa triste”, como Lana poeticamente colocou.

Em uma entrevista para o The Huffington Post, quando questionada sobre sua paixão por Coney Island, Lana — que uma vez viveu em um parque de trailers de New Jérsei — respondeu: “Todas as coisas boas são reais, mas não são, incluindo mim mesma. Coney Island é um local onde as pessoas vão para escapar, mas o que você escolher para ser a sua realidade será a sua realidade. Então, de certa forma, é tão real quanto qualquer outra coisa. Eu, principalmente, deixo a minha imaginação ser a minha realidade. Fantasia é a minha realidade. Eu nunca vi Coney Island quando teve todas as suas grandes atrações, mas havia algo desesperado sobre o calçadão, e eu relatei. A vista dele parecia não ter fim, e haviam pessoas em bares que você não sabia que estavam lá. Talvez o parque de diversões foi o principal marco, porque eu tenho essa história com emoções baratas. Eu gosto de coisas que vão rápido, coisas com cores brilhantes, coisas com um gosto bom. Em Coney Island, você pode pegar uma Coca-Cola, andar na montanha russa e assistir a todos.”

Sobre suas outras inspirações, a cantora declarou: “Fotos de Mark Ryden me deixam louca, e Vegas me faz brilhar. Daytona e Jersey Shore me matam. Sim. Até mesmo fotos de outros artistas fazem isso por mim. Eu sabia que as músicas de Elvis seriam a trilha sonora da minha vida assim que eu coloquei os olhos em sua fotografia. Eu sei quando eu amo algo, assim que vejo. Então, eu escrevo sobre isso. Falando de Elvis, é injusto não mencionar The Beach Boys e The Flamingos como meus outros companheiros constantes.”

Com uma ardente boa aparência e voz suntuosa/sonora que vai cavar em sua alma — que deverá em breve vê-la catapultada para o estrelato — é hora de você provar as delícias de Lana Del Rey e conhecê-la um pouco melhor, como ela é verdadeiramente uma artista para se apaixonar por que ele remonta à época de ouro da música…

Para os fãs de música que podem ainda não saber muito sobre você, você poderia nos dar alguma informação sobre o seu passado musical/conte-nos sobre quando o seu amor pela música começou?

Bem, eu cantava no coral da minha igreja quando era mais nova e eu estava em corais por todo o colégio. Eu não ouvia muita música popular enquanto eu crescia, mas eu vi um monte de filmes, e eu estava sempre escrevendo músicas. Quando cheguei ao ensino médio, eu ouvi um monte de rap e techno, e acabei encontrando diferentes tipos de música que eu amava, como Elvis e Van Halen. Mr. Campbell, meu professor no ensino médio, me ensinou que todos os grandes estavam em todos os gêneros [musicais] e, eventualmente, eu vim a saber o que música boa era.

Foi uma decisão consciente de ser um artista solo, e de onde é que vem o nome artístico Lana Del Rey/por que você escolheu usar ele em vez de seu nome real?

Não. Eu queria ser de uma banda, mas a minha equipe e gravadora queriam que eu fosse uma artista solo. Lana Del Rey veio de uma série de empresários e advogados ao longo dos últimos 5 anos, que queriam um nome que eles achavam que se encaixasse melhor ao som da música. Minha música sempre foi do tipo cinematográfica, eles queriam um nome que refletia o glamour do som.

Voltando à velha escola por um momento, se você tivesse que fazer uma mixtape para mim, incluindo uma de suas próprias canções, quais músicas você colocaria e qual seria o título da compilação?

Ela chamaria-se Sex On Ice e eu provavelmente colocaria Gangsters Paradise nela…

The Flamingos – I Only Have Eyes For You
Britney Spears – Hit Me Baby One More Time
Tema de O Poderoso Chefão
Lee Hazlewood & Nancy Sinatra – Some Velvet Morning
Lana Del Rey – Hey Lolita Hey
Tema de Scarface
Ennio Morricone – Once Upon A Time In The West
Mickey Avalon – So Rich So Pretty

Por que você acha que é tão atraída pelo estilo vintage dos anos 50/60 dos Estados Unidos?

Eu não sei se sou atraída pela música dos anos 50, mas eu sou atraída pela qualidade das gravações, assim como eu sou atraída pela forma como os filmes foram filmados naquela era. Há um sentimento de integridade e beleza duradoura na maioria das músicas dos anos 50, mas acho que o que mais me chama é que houveram bons cantores. Hoje, qualquer um pode ser um cantor, mas naquela época, você tinha que ter algo especial, uma personalidade brilhante, seja ela boa ou má.

No momento você está morando em Londres. Quando e por que você decidiu se mudar?

Mudei-me para Londres porque haviam um monte de escritores e produtores que queriam trabalhar comigo. Eu tenho escrito em Los Angeles e Nova Iorque, porém o que eu faço é mais obscuro e clássico do que a maioria do pop americano. Londres é o lugar certo para eu estar. Eles não esperam que eu faça nada de idiota, eles confiam em mim.

Quando você se deu conta que tinha uma voz tão especial/como você cuida dela, e é importante se esforçar vocalmente?

Vocalmente, eu nunca fiz nada para cuidar de mim. Eu estou na corrida, estou sempre gritando e comendo toneladas de chocolate e leite. Então, eu não deveria ser capaz de cantar a maneira que eu faço. Obrigada por dizer que tenho uma voz especial.

Qual foi o primeiro instrumento musical que você já possuiu? Há alguma coisa que você sempre faz antes de comprar um novo instrumento ou qualquer acorde que nunca deixou de te encher de inspiração?

Com excepção de um kazoo [instrumento de sopro], eu acho que o meu primeiro instrumento foi um violão. Se eu estou olhando um novo violão para comprar, eu apenas toco uma das minhas músicas. Mas eu sou uma merda no violão, então eu não procuro muito, eu posso até fazer para que me inspire musicalmente. Eu prefiro ter o Frank, ele toca o Van Hallen Riff ou qualquer outra coisa.

Você segue todas as regras ao escrever e gravar, em termos de como vai soar musicalmente, melodicamente ou ritmicamente? Há alguém cujas opiniões sobre as músicas que você valoriza muito?

Hum, eu vou e volto algumas vezes. Eu sou como Maria Callas e às vezes eu sou como Bob Dylan. Dylan é um homem de 3 takes. Eu normalmente posso fazer exatamente o que eu quero em apenas três takes. Mas às vezes eu gosto de levar um longo tempo e gravar vários takes como Maria, especialmente se eu estou trabalhando em algum tipo de ponte operística.

Se você pudesse pedir qualquer coisa para um heroi da música, quem seria e o que você lhe pediria?

Eu perguntaria para o Elvis se ele poderia me beijar.

Compor é natural pra você? Há uma revisão envolvida ou você confia no seu instinto inicial? Você pode contar sobre seus vídeos caseiros, que pra mim, visualmente e tematicamente, parecem ter sido tirados de suas composições?

Sim, escrita vem naturalmente para mim, passo a maior parte do meu tempo escrevendo e ultimamente eu edito tudo, pois eu estou trabalhando com vários compositores. Mas meu primeiro disco, embora tenha levado anos para escrever, era muito instintivo. Sim, é claro que posso falar sobre meus vídeos caseiros, escrevendo músicas primeiro ~ filmes depois, mas as músicas vem de memórias minhas. Então, eu acesso à internet e tento achar filmagens equivalentes à minha experiência de vida. Normalmente são videos Super 8 que podem significar muito para quem pertencer a isso. Eu gosto de pegar, tornar meu é misturar com filmagens próprias do meu passado. Eu amo fazer filmes. É a minha paixão. Eu gosto tanto quanto gosto de cantar. A edição é a parte que torna o filme especial, o timing das cenas mudam o uso de flashes certos de luz ou cenário.

Como você gosta de metal e porque suas músicas são muito mais suave do que esse gênero musical, de todos os artistas/bandas que você admira, quais são algumas das suas faixas favoritas barulhentas e suaves?

Bem, Nirvana é o meu primeiro amor. Eu estava apaixonada por Kurt e a banda assim que os ouvi. Em termos de músicas mais suaves que eu gosto, The Flamingos, uma bela banda doo wop [estilo de música vocal baseado no rhythm and blues] que soa como o paraíso.

Você está atualmente em estúdio trabalhando em seu novo álbum, vai ser uma continuação ou uma evolução do seu LP de estreia?

Bem, neste ponto, eu tenho escrito muitas canções que eu não sei se estou regredindo ou evoluindo. Mas eu faço a mesma coisa que eu sempre fiz — escrevo sobre o que eu sei e tento encontrar as mais belas melodias que eu posso.

Li que você “vive em suas canções”, então o que significa para você tocar suas músicas ao vivo e se tem havido muitos shows memoráveis para você até agora?

Eu vivo em minhas músicas, e por isso adoro cantá-las em shows ou em casa sozinha. Os show se tornam parte da minha vida desde que eu canto. São sempre memoráveis, há tantas pessoas estranhas e sensuais que vem apenas para dar um “oi”. É sempre uma loucura e eu aproveito isso em todo show.

Se você tivesse que ir às compras e comprar um disco, um livro e um filme para alguém – quais seriam e por quê?

Eu compraria as mesmas coisas para qualquer um. Eu acho que qualquer um tem que ter o livro Think and Grow Rich por Napoleon Hill. O filme Don’t Look Back por D.A. Pennebaker, e para o disco, eu ficaria com Agnus Dei composto por Samuel Barbe.

Por último, batatas fritas ou bolos de creme?

Gostaria de fazer as duas coisas na verdade. Eu sou uma garota americana e eu sou a rainha do junk food [besteiras]. Eu ainda tenho uma banana split quase todas as manhãs e eu tenho batatas fritas para o jantar. Eu tenho os mesmos gostos que eu fiz quando eu era apenas uma garotinha.

 

Tradução por Bruno Fiani, Jallison Campos e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Repeat Fanzine.