Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Nicole Nodland (2011)

SuperSuper Magazine | Lana Del Rey sobre o sonho americano, seu processo de escrita e The Weekend

A influência triste do idealista Sonho Americano suburbano parece ser o tema central de muitas das suas canções. Quando você descobriu sua relação com essas garotas dos anos 50 que eram frágeis, psicóticas, patrióticas e que tiveram seus corações partidos muitas vezes? Você inventou essas histórias sobre os EUA ou realmente vive a vida sobre a qual canta?

Eu não sabia que estava me conectando com o conceito do Sonho Americano até que as pessoas começaram a me perguntar sobre isso. Eu estava tentando contar a minha vida através de músicas — não para os outros, mas para mim mesma. Não estava tentando evocar os sentimentos de uma época diferente — estava homenageando a minha vida e a todas as coisas belas. Fui mais inspirada pelas cores e pelas paisagens de Hollywood do que pelo lado obscuro do Sonho Americano que, normalmente, é associado com a palavra “Hollywood”. Eu me interessava pela textura e pelas cores dos filmes de cinquenta anos atrás. Explorei filmes antigos depois que comecei a escrever, por isso, quando minhas letras e melodias se encaixaram nos vídeos amadores de outras pessoas elas ganharam vida… O que não significa nada e não faz sentido. É apenas um estado de espírito, uma atmosfera. Eu não estava tentando dizer nada ao combiná-los. Eu só gostava de ocupar o espaço onde as músicas e os vídeos se encontravam.

Escrever trágicas canções de amor sempre foi fácil para você?

Sim, sempre. Sinto como se a vida fosse uma canção linda e triste.

This Is What Makes Us Girls invoca nostalgia de uma forma fantasiosa quase irreal. Você consegue imaginar as meninas bebendo, dirigindo e batendo o carro no final, como a maioria dos adolescentes fazem. Quando você trabalha com um produtor você tenta envolver esse clima cinematográfico com os sons que aprova?

Quando eu era mais nova, no Ensino Médio, o grupo de garotas com as quais eu saía já vivia uma vida adulta. Nós realmente fazíamos qualquer coisa que quiséssemos. Foi muito bom por um curto período de tempo e, antes que eu percebesse, meu estilo de vida me alcançou e tive que ir para outra escola. Quando trabalho com meu produtor, Emile Hayne, falamos em termos de cores e imagens. Para essa música, eu disse: “Ok Emile, imagine o encontro da trilha sonora de Beleza Americana com Bruce Springsteen… Garotas saindo escondidas no meio da noite em Miami, vivendo para si mesmas — vivendo no limite.” Ele soube exatamente o que eu quis dizer e me ajudou a criar uma paisagem sonora para o disco. Larry Gold [produtor] também entende de trabalhar com imagens. Ele conduziu a Orquestra da Filadélfia e colocou instrumentos de corda na maioria das músicas do álbum, sabendo que eu queria cordas que adicionassem luxo e um som triste de verão.

Ouvi dizer que Summertime Sadness é sua favorita no disco. Por quê?

Summertime Sadness é uma música que amo porque não me comprometi a escrevê-la. Escrevi exatamente o que sentia e coloquei uma melodia que se encaixasse perfeitamente com as palavras. Eu estava em Santa Mônica, na Califórnia, com meu melhor amigo e também compositor, Daniel Heath. Enquanto ele trabalhava, eu me sentava embaixo de fios de telefone na rua e ouvia-os chiando no mormaço. Eu queria pegar aquela eletricidade e absorvê-la. Assim, me sentiria viva e elétrica novamente. Me senti feliz no clima quente e comecei a escrever sobre o quão triste e lindo o verão me parece.

Você emprestaria seus vocais à uma faixa do The Weekend?

É claro! Eu amo Abel, e ele sabe disso. Abel não faz qualquer coisa por dinheiro, ou por fama. Ele faz música porque acredita que nasceu para fazer música. Ele tem integridade — não é um vendido.

Você ainda sente calafrios ao se lembrar de quando viu Kurt Cobain na MTV pela primeira vez?

Pensar sobre a primeira vez que vi Kurt em Heart-Shaped Box me deixa arrepiada. Eu tinha onze anos e não tinha televisão — estava passando pelo quarto de uns amigos durante uma festa e essa música estava tocando na MTV. De relance e na primeira ouvida, soube que tinha encontrado alguém que entendia como eu me sentia. Onde quer que ele estivesse, era lá que eu queria estar.

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por SuperSuper Magazine.