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Tsugi | Lana Del Rey – ‘Primeira Vez’

Um vídeo surgiu na internet em 1 de Julho e, em poucos dias, deixou o mundo da música em chamas. É Video Games de Lana Del Rey, você já ouviu falar sobre ela uma série de vezes. Poucos meses depois, o poderoso fenômeno estourava e os haters desenterravam de tudo para impedir sua ascensão, enquanto Lizzy Grant (seu verdadeiro nome) trabalhava em seu primeiro álbum (previsto para março de 2012).

Como vai começar a sua primeira turnê (New Casino em 7 de Novembro), e está se preparando para filmar um novo videoclipe, sob a direção de Yoann Lemoine (também conhecido por Woodkid), temos que conversar com ela para falarmos sobre as suas primeiras vezes.

Como era sua vida antes de torna-se Lana Del Rey?

Nasci em Manhattan, mas cresci em Lake Placid, ao norte do estado de Nova Iorque. Uma tranquila cidade do interior, algo como 2.000 habitantes. Fiquei lá até os meus 14 anos e depois mudei de escola.

Porque estava entediada?

Não por estar entediada, mas sim porque eu me meti em encrencas! Eu saía todas as noites, e meus pais acabaram por me mandar para uma escola particular.

Primeiras memórias musicais?

Meu pai (Rob Grant, um corretor imobiliário que mais tarde acabou fazendo fortuna no negócio de domínios de internet — nota de redação), colocava muitas vezes The Beach Boys para tocar em seu Ford Thunderbird. Eu também tinha o hábito de cantar com a minha mãe. Ambos cantam.

Primeiro disco que comprou?

Tem certeza que você quer saber? (Risos) Era uma single em formato de fita cassete de Gangsta Paradise por Coolio! Era uma boa música!

Primeiro bilhete de concerto comprado?

Eu acho que eu nunca fui a um concerto de verdade… Eu sei que parece bizarro… Eu vejo meus amigos tocando, mas eu nunca fui a um show de alguém famoso. Eu acho que era, principalmente, porque eu não tinha dinheiro. Atualmente, eu deveria conseguir ir sem ter de pagar…

Primeiro emprego?

Com 15 anos, eu era uma garçonete em um restaurante de Lake Placid. Eu fiz isso até que eu tinha 20 anos ou algo assim. Foi em uma churrascaria. Eu gostava e acho que até fui uma boa garçonete! Se a minha carreira terminar, eu posso voltar a servir panquecas de manhã com um grande sorriso no rosto.

Primeiro porre?

Eu tinha catorze anos e foi na floresta de Lake Placid. Não terminou muito mal aquela noite. Senti como se tivesse alcançado o paraíso. Isso se tornou um problema pouco depois. (Risos)

Primeiros passos no mundo da música?

Eu também não sabia o que eu queria, se não cantar. Comecei frequentando as noites de “microfone livre” (onde todos podiam participar) em Nova Iorque, onde você pode subir no palco para cantar uma única música. Eu participei de um concurso de composição depois, no Brooklyn. Eu não ganhei, mas um dos jurados estava trabalhando para a gravadora indie e acabei assinando com eles, a 5 Pontos Records. Eu era a única artista deles na época.

Primeira música lançada?

Foi um EP lançado em 2009 chamado Kill Kill, que incluía a canção com o mesmo nome, e duas outras musicas: Yayo e Gramma (Blue Ribbon Sparkler Trailer Heaven).

Foi uma boa primeira experiência?

Foi muito estranho. Eu trabalhei com algumas pessoas incríveis (incluindo o produtor David Kahne, que trabalhou com Paul McCartney, The Strokes, The Bangle…) que achavam que eu era boa, e eles finalmente aceitaram minha ideia sobre música. Então meu primeiro álbum foi esquecido nas prateleiras mesmo antes de seu lançamento. Ele foi lançado, mas após três meses ele foi removido. Foi muito difícil, eu estava orgulhosa daquele disco, mas, aparentemente, eu estava errada.

Então eu continuei a fazendo música sozinha no meu canto e assinei um contrato com a nova gravadora há quatro semanas. Foi uma longa e difícil jornada, mas parece que as coisas estão ficando um pouco mais fáceis para mim agora.

Primeiro concerto?

Eu tinha completado 18 anos, e um cara me chamou, em um show de abertura, para fazer o show do dia seguinte. Eu levei o meu violão e toquei 30 minutos, em Layla Lounge, em Williamsburg.

Era estranho, pois a minha música era obscura, com um toque de jazz e não tinha nada a ver com as outras músicas daquela noite. No entanto, pessoas me escutaram religiosamente e eu disse a mim mesma que isso poderia ser alguma coisa.

Você se lembra de sua primeira entrevista?

Sim, eu me lembro! Foi para a Index Magazine. E o mais engraçado é que a segunda entrevista foi só depois de mais de três anos!

Você se lembra da primeira vez que te disseram que você teria uma oportunidade de fazer uma carreira de verdade?

Sim, foi quando David Kahne queria trabalhar comigo. Eles enviaram minhas demos através da minha gravadora para cinco produtores diferentes e me chamaram. Nos Estados Unidos, ele é um grande nome, fez discos surpreendentes com grupos incríveis. Então eu disse a mim mesma que eu poderia ter a minha pequena carreira, fazer a música que eu amo, e viajar pela Europa.

E a primeira vez que o burburinho em torno de você te assustou?

Há dois ou três meses eu fiquei muito nervosa em relação ao que estava acontecendo, porque eu não consegui entender. Visto que eu tinha passado tanto tempo fazendo essas novas músicas, eu tinha esperança que as pessoas gostassem. Eu não estava pronta para fortes reações. E a quantidade de pessoas que violentamente odiaram minha música. Eu não estou aqui para isso. Cheguei a pensar que eu teria preferido não ter uma carreira, do que ter que enfrentar uma oposição tão difícil. Construir uma carreira já é difícil o suficiente.

Você percebeu que a controvérsia aumentou?

Para ser honesta, eu ainda estou um pouco confusa com relação a isso. As pessoas estão começando a dizer que eu mudei, que há uma grande máquina por trás de mim, enquanto eu repito: eu assinei o meu contrato com a minha gravadora há quatro semanas e eu ainda faço o mesmo tipo de música, tentando torná-la tão bonita quanto possível. Video Games era o meu objetivo de canção favorita, mas é longa e muito pessoal e eu não acho que as pessoas amem assim tanto. Especialmente porque o meu primeiro álbum que também o é, então eu não entendo porque as pessoas começaram a amar se nem prestaram atenção no disco anterior.

Primeira pessoa a quem você liga para aconselhamento sobre a sua música?

Meu advogado! (Risos) Ele também é um dos meus empresários, por isso ele é muito experiente. E meus empresários são, acima de tudo, meus amigos, e eu os amo, parece lógico ligar para eles.

Primeiro grande erro da sua carreira?

É difícil dizer. Eu sei que cometi um erro, mas não sei onde. Ainda bem que agora eu sei que o caminho foi difícil. Eu sempre fiz a música que eu queria fazer. Só acho que fiz a escolha errada naquele tempo.

 

Tradução por Carolina Araújo. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Tsugi.