Lana Del Lovers
V Magazine - Lana Del Rey

V Magazine | A balada de Lana Del Rey

A CANTORA CONTROVERSA DO CIBERESPAÇO PREENCHEU O VÁCUO VIRAL COM VIDEO GAMES — INCENDIANDO UMA CORRENTE DE DEBATE NO PROCESSO. AGORA ELA ESTÁ PRONTA PARA DEIXAR AS COISAS CLARAS COM UM DISCO QUE NOS LEMBRA QUE NÓS “NASCEMOS PARA MORRER”.

A primeira vez que encontrei Lana Del Rey foi no Reino Unido, durante o verão sombrio de 2011. Eu partilhei de sua companhia em uma parada de ônibus fora da principal Topshop em Oxford Street, em Londres. A chuva caía, ressaltando o laquê de seu excecional penteado ondulado, na altura dos ombros tipo anos 50. Seus enormes brincos de argola estilo gueto, batiam contra o rosto com o vento. Ela estava vestindo uma minissaia branca, saltos, e uma jaqueta Fórmula 1 de seda. Palpável, todo mundo a notou.

Do lado de fora de sua óbvia evidência física, ela disse várias coisas na entrevista anterior que me convenceram de sua unicidade. Houve uma observação descartada no meio de suas reflexões sobre a fama sobre Simon Cowell como sendo “o cruzamento entre o sonho americano e o American Psycho”, e, em seguida, houve o fato de que ela usava um anel de casamento no transporte público para desviar a atenção dos homens. Ela olhava, sentia, e soava como uma estrela.

A última vez que falei com Lana Del Rey, nos bastidores, em Colônia, em sua estréia em turnê europeia, ela era uma. As primeiras ondas de fama podem jogar seus habitantes numa pirueta. Estranhamente, eles parecem ter acalmado Lana.

“Oh meu Deus”, disse ela em Colônia. “Tanta coisa aconteceu nesse curto espaço de tempo. Eu não tinha sequer um contrato de gravação. No espaço de quatro semanas, tudo simplesmente…aconteceu.” No momento em que seu primeiro ônibus de turnê ligou seu motor no início do outono, ela se tornou uma estrela brilhante de capas de revista, um totem de fantasia publicitária viral, vencedora de prêmios, e uma cantora número um no iTunes na Holanda, França, Reino Unido e Alemanha, cortesia de sua primorosa balada noir Video Games. Foi uma música que ela havia criado como abertura de uma trilogia ofegante dedicada ao coração partido, um assunto que ela claramente aprendeu muito em seus 25 anos de juventude. A faixa colocou diretamente na linhagem de Nancy Sinatra e Marianne Faithfull, e em desacordo absoluto com as sirenes de tabloide, Rihanna e Katy Perry. Pareceu o entendimento entre o cruzamento do glamour e do perigo no amor, como por instinto. A trilogia expande-se para incluir o contraponto da música Blue Jeans, e a faixa-título de abertura a seu álbum sublime, Born To Die.

O título remonta a B.I.G. Notorious “Quase que acidentalmente, eu poderia acrescentar”, ela hesitou, quando questionada.

A bela jovem com um talento transcendente, um olhar distinto, e um nome de palco — que parecia conectado à fumaça e espelhos de pop teatral e misterioso — Lana (originalmente Lizzie Grant) inevitavelmente causou discórdia na internet. Ela estava sujeita às pedras e flechas das línguas ultrajantes da web. Mais uma vez, a dolorosa textura de rumor em torno dela parecia ter instruído uma nova serenidade na cantora. Hey, todos nós temos um passado. Eu sugeri que a citação de Oscar Wilde “Melhor do que se ser falado é não se ser falado”, pode ser o que ela tem em mente. “Oh, não, querido”, ela repreendeu suavemente, “Eu tive uma vida inteira sem não ser falada. Está tudo bem.” Ela parecia querer dizer isso, também.

“Você fala sobre todas essas coisas que aconteceram comigo neste curto espaço de tempo, mas a única coisa que realmente mudou é que agora tenho uma plateia. Eu me apresentei em Glasgow, ou Manchester, ou Amsterdã, e havia boas pessoas acenando para mim na multidão. Isso é incrível. Há pessoas na passagem de som que querem conversar e tirar uma foto.” Ela encontrou a paz nesta resposta. “Alguém me mostrou o seu ingresso e me pediu para assinar. Você sabe quanto custa vir e ver um show?” Ela fez uma pausa. “Essas pessoas querem realmente me ver.” Ela parecia espantada.

“Eu não estou competindo com essas meninas”, disse ela sobre sua MTV esmagadora geração contemporânea. “Eu não estou competindo com ninguém.”

Antes de conhecê-la, a equipe da Lana me enviou um link para algumas vinte e tantas músicas que ela tinha num arquivo bloqueado, acessíveis apenas por senha. Desde então, o link foi eliminado. Eu gostei do jeito que ela parecia reproduzir espirituosos esquemas de rima de hip-hop e os submetia aos limites de composição clássica, como Carly Simon integrou no Bronx do início dos anos 80. Eu a amava leitura simultânea da cultura de extremos. Quando tinha acenado adeus no ponto de ônibus em Londres, ela me disse que estava voando para Los Angeles em dois dias para encontrar um produtor de peso do hip-hop que queria trabalhar com ela.

“Eu decidi que não”, disse ela, em Colônia. “Eu me mantive em família. As batidas estão sendo cuidadas pelo homem da batida. Os arranjos estão sendo feitos pelo meu homem das cordas.” Não haverá nenhuma indústria aliciante para a atual e futura estrela pop Lana del Rey. Basicamente, ela chegou nessa conclusão na reprodução da gravação. Você quer saber por que Lana Del Rey repentinamente encontrou o equilíbrio?

“Eu fiz um bom disco. Essa é a minha defesa”, disse ela. E é tudo.

Tradução por Carolina Araújo. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por V Magazine.