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Maxim (2014) - Lana Del Rey

Maxim: Sexo, Mentiras, e Lana Del Rey

Em entrevista para a revista norte-americana Maxim, da qual é capa e recheio da edição de dezembro/janeiro com ensaio fotográfico realizado por Neil Krug, Lana Del Rey falou sobre seu amor pela Califórnia e Nova Iorque, Lizzy Grant, críticas e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Sexo, Mentiras, e Lana Del Rey
Lana Del Rey é a apaixonadamente sedutora e inovadora sensação da música pop americana. Mas quem é ela mesmo?

Lana Del Rey, a mais enigmática, controversa e sedutora estrela do rock da América, passou a manhã no tráfego de Los Angeles, ansiosa, vestindo um dos seus mini vestidos favoritos — o de algodão azul marinho — à procura de algumas palmeiras falsas que ela queria como adereços de palco para a apresentação de amanhã à noite no Hollywood Forever Cemetery. É o lugar de descanso famoso de Rudolph Valentino e Fay Wray, e ela tinha certeza de que alguns elementos faux flora tropicais acrescentariam o toque final perfeito para esses surreais shows finais de sua longa turnê de 2014. Mas ela está em casa agora, e serena, à vontade no pequeno convés, logo saindo de seu quarto, escondido atrás das altas cercas vivas que rodeiam seu Tudor [veículo da marca Ford] de 1920, recentemente pintado, mas estilosamente precisando de alguns reparos — um glamour de Hollywood na idade do ouro levemente plantada — como um cena de Sunset Boulevard ou, talvez intencionalmente, como um de seus vídeos.

“Eu nunca me vi na Califórnia”, ela me diz. Del Rey é tanto provocadora, como estrela pop, conhecida por canções tristes e exuberantes sobre a interseção de sexo, violência e dinheiro. Os vídeos com os quais ela fez seu nome trafegar no imaginário desbotado de nostalgia e declínio americano. Ela combina um clássico, beleza sensual com uma forte dose de alienação totalmente americana — a líder de claque que correu desesperadamente mal. Há alguns anos, ela mudou de nome, mudou seu cabelo, descartou um álbum inteiro, deixou para trás um mundo habitual de festas de batida, e começou de novo. Para alguém assim, Califórnia parece um ponto de desembarque inevitável.

“Eu tinha um caso de amor muito forte com Nova Iorque”, ela diz sobre seus dias como uma cantora batalhando. “Eu amei toda a história que veio com ela, início dos anos 60, Bob Dylan, e da era poesia Beat. Eu sempre fui o tipo de procurar o renascimento de um grande artista, mas eu nunca tropecei em nada.” Ela se sente mais perto disso em Los Angeles, onde ela encontrou algumas almas gêmeas que compartilham seu fascínio “da cena antes de Laurel Canyon. Joni Mitchell, Neil Young… Eu me sintonizei em alguma coisa aqui, e nunca quis sair.”

Seus dois shows no Hollywood Forever Cemetery marcaram o fim de um ano de turnê sem parar em apoio a Ultraviolence, o álbum posterior ao Born To Die, de 2012. Ultraviolence, gravado em Nashville com uma banda de apoio de sete instrumentos, é pintado de rock e guitarra pesada, mas ainda repleto de marca registrada de Del Rey com músicas espero-que-ela-esteja-brincando Fucked My Way Up To The Top. E o mais estranho: os críticos deliraram com a coisa toda.

É uma reviravolta impressionante para um artista que passou a parte nascente de sua carreira inspirando mais confusão — e, por vezes, puro sarcasmo — do que adoração. Ela surgiu a partir do turbilhão da cultura pop norte-americana, assim reza a história, completamente formada, com o vídeo lindo todo em Super 8 para Video Games e um EP de duas músicas. Acompanhando estes, havia ainda uma impressionista (alguns diriam muito impressionista) história de vida com capítulos selvagens sobre alcoolismo, uma temporada em um parque de trailers Nova Jersey, e um rosário de relacionamentos destrutivos com homens mais velhos e, por vezes, terríveis.

Depois, veio a reação. Tudo começou com ela reconhecendo a estranha performance no Saturday Night Live em 2012, em que ela parecia estar canalizando uma Marlene Dietrich fortemente medicada. Bloggers de música partiram para o ataque, chamando de “sedenta de talento”, um “trabalho nada convincente de ficção” e uma “sirigaita irritantemente falsa.” Mas aqui é que está a coisa: as pessoas ficaram extasiadas. Seu álbum de estréia vendeu sete milhões de cópias em todo o mundo, e Ultraviolence estreou no iTunes no número um em 80 países ao redor do mundo. Seus shows se tornaram eventos de cultura pop frenéticos.

Nos dias de hoje, Lana tende a se livrar de críticas sobre sua aparência alterada ou sobre a veracidade de sua persona. Ela admite que “quando pintei o meu cabelo mais escuro, eu não sei por que, mas as pessoas levaram a minha música mais a sério.” A mesma coisa aconteceu quando ela mudou seu nome óbvio Lizzy Grant para Lana Del Rey. Ele abriu as portas para ela, a libertou.

“Há muito que se lhe diga por fingir”, diz ela. “Você sabe?”

Lana Del Rey, uma vez se descreveu como um “Nancy Sinatra gangsta”, e é uma descrição bastante adequada de sua música. Suas canções, mergulhadas no trip-hop dos anos 90 e rodeadas com exuberantes cordas dos anos 60, são como dioramas: minúsculos, mundos insulares onde o ambiente é mais importante do que os fatos. Muito parecido com a vida dela.

Os pais de Del Rey saíram fora do ramo de publicidade de Nova Iorque, quando ela era ainda um bebê e a criaram, com seus dois irmãos mais novos na zona rural de Lake Placid. Supostamente, ela era uma garota rebelde que saía descontroladamente enquanto adolescente, até que seus pais a enviaram para um colégio interno para se endireitar. Ela não começou a escrever musicas até completar 18 anos.

“Eu estava na faculdade no Bronx [em Fordham], e eu não sabia o que fazer comigo mesma”, diz ela. “Todo mundo estava saindo para beber, então eu tinha que tentar encontrar outra coisa.” Ela começou a frequentar as noites open-mike em Brooklyn, e sua maior parte de menina do pop tradicional foi convincente o suficiente para que, em 2007, quando ainda era uma estudante, ela assinasse um contrato de gravação com uma gravadora independente. Em seguida, uma reinicialização completa: ela cancelou o contrato, jogou na lixeira o álbum que ela tinha descartado, destruiu todos os traços da mulher que ela tinha sido, e tentou novamente.

Por isso, ela não exatamente virou uma sensação da noite pro dia, não tanto assim, e não Del Rey não gosta muito dessa ideia, de qualquer das formas. “Para mim, não houve reinvenção. Isso é mais a reinterpretação das outras pessoas. Eu me sinto como uma continuidade entre todas as minhas músicas e todos os vídeos.” Ela descreve sua frustração em sua primeira gravadora e a necessidade de sair. “Eu realmente queria continuar fazendo música, mas minha gravadora tinha arquivado minhas gravações por dois anos. E eu… Eu sabia o que queria fazer. Eu queria incorporar sequências cinematográficas com um som e letras mais pesadas e sórdidas.”

O sórdido se impregnou em sua nova identidade também. Lizzy Grant era toda docemente loura, mas Lana Del Rey ostenta suas obsessões com o fatalismo, a morte, a tristeza, e o perigo. Em seu curta-metragem Tropico de 2013 — o sonho distorcido repleto de gangsters latinos e strippers — Del Rey se lançou como uma dançarina erótica com uma tatuagem de duas lágrimas. Alguns criticaram por reforçar estereótipos de latinos como assassinos e criminosos. Mas Del Rey vê como uma versão de si mesma.

“Eu moro no leste de Los Angeles, e eu falo espanhol”, diz ela. “As meninas que trabalham no clube no vídeo são minhas amigas, pessoas que eu conhecia antes de me tornar mais conhecida. Eu sempre falei em espanhol em todas as minhas canções dos últimos anos. Então, para mim, não é uma referência assim tão desconhecida.”

Está tudo muito bem, exceto que, bem, ela não vive no leste de Los Angeles ou em qualquer lugar perto dele. Nem todas as suas canções têm o espanhol nelas. E dizendo que alguns de seus melhores amigos são latinos… Vamos deixar quieto.

Del Rey não está prestes a se desculpar por nada, mas é claro que ela se sente incompreendida. “Eu estou errando o alvo em termos de ter camaradas e estar alinhada com um movimento musical”, diz ela. “Mas eu, definitivamente sinto que o que eu trago musicalmente está no centro do que é relevante.”

E isso, depois de toda a especulação sobre a sua natureza, história de vida e suas intenções, é o que realmente importa. Está além de nós saber se ela realmente quis dizer aquilo quando ela disse: “queria estar morta” ou “o feminismo não é de todo um conceito interessante”, ou, se uma de suas canções mais famosas é para se acreditar, que seus órgãos reprodutivos tem gosto um certo refrigerante conhecido (procure). Tudo já foi perguntado e respondido, pelos críticos e pelos trolls online, e pelos infinitos escritores de intermináveis textos de pensamentos instintivos. A música e as imagens são boas demais para ficarem presas por tais considerações. E se a sua trajetória como uma estrela pop anti-pop prova alguma coisa, é que sua arte, sincera ou não, é dela e só dela.

Tradução por Carolina Araújo. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Maxim.

  • Ian Holland

    Falaram demais do que já falaram demais zzZzz queria mais perguntas diretas

    • Fabrício De Araújo Fernandes

      Não adianta, ela não responde nada, fica dando voltas e acaba mentindo, ela quer que a midia crie lendas sobre ela

  • Leonardo

    Péssima entrevista… quantos rodeios e achismos….

  • Fabrício De Araújo Fernandes

    Ela dá respostas mentirosas, tudo que sempre haverá em torno dela são suposicoes

  • duda

    e falaram demais e deixaram a lana falar de menos

  • Bruna

    Vocês poderiam usar uma cor mais forte no texto, né? Assim está complicado para as ceguetas como eu rs

    • Olá, Bruna! Obrigado pela sugestão. Alteramos a cor da fonte para um tom mais forte. Espero que tenha ficado melhor para você. Se não ficou, só nos informar.