Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Lust For Life feat. The Weeknd.

NYLON: Como Lana Del Rey se diferencia dos outros artistas

Em um artigo publicado nesta sexta-feira (26), o site da revista NYLON analisou a carreira e o estilo de Lana Del Rey e como ela isso a seu favor para destacar-se perante aos outros artistas. Leia abaixo a tradução do artigo:

No dia 21 de Julho, Lana Del Rey finalmente nos concederá Lust For Life, seu quarto álbum de estúdio (que inicialmente seria lançado nesta semana). Mas, fora a data de lançamento e seu novo vídeo com The Weeknd, as notícias sobre o álbum giraram em torno da maneira como ela está sorrindo na capa do álbum, o que é supostamente um feito para uma artista que se tornou sinônimo de melancolia musical.

É claro, sua expressão não deveria ser notícia e isso só acontece porque estamos falando de Lana. Seja por causa da arte de seu álbum, sua presença de palco ou suas colaborações, a cantora intencionalmente se distanciou dos seus contemporâneos pop, existindo e funcionando amplamente e um seguimento próprio. É um gesto forte que inicialmente veio com um verdadeiro risco de produzir efeitos negativos. Enquanto Del Rey pode cantar, escrever e performar bem ao vivo, sua voz não é páreo para ícones solo como Céline Dion ou Beyoncé, ela também não arrisca suas estéticas musicais como Rihanna. Em vez disso, LDR usou a controvérsia para se diferenciar, construindo seu mito (e seu império) no processo, e fazendo sua marca ainda mais poderosa.

Em Janeiro de 2011, a indústria musical decidiu odiar Del Rey. Uma performance sem brilho no Saturday Night Live foi transformada em uma internacional (e monumental) repercussão negativa enquanto a cantora foi difamada por incorporar os piores aspectos da “cultura blog”. Graças à internet, ela foi descoberta, sensacionalizada, e então falhou em atender às expectativas sobre as quais ela não tinha nenhum controle. Após seu lançamento, Born To Die foi anunciado como uma decepção aceitável, e a imagem de uma Del Rey rodopiante foi gravada nos nossos cérebros.

Desde então ela lançou dois discos aclamados, Ultraviolence e Honeymoon. De 2011 a 2016 Del Rey não parou de trabalhar — mas também não evoluiu. Enquanto repercussões como a de Del Rey costumam causar renascimentos, como aconteceu com Miley Cyrus, LDR se aninhou confortavelmente em sua própria imagem. Ela abraçou cultura americana vintage e misturou a estética com baladas arrebatadoras e produções wall-of-sound. Ela manteve seu som característico, seu delineador de gatinho, sua estética vintage. Sem remorso, ela continuou em seu próprio caminho, falando sobre a repercussão, mas reconhecendo que ela não pode fazer muita coisa em sua vida sem causar julgamento.

“Há repercussão sobre tudo que eu faço”, ela disse à Rolling Stone, um dia antes do lançamento de Born To Die, em 31 de Janeiro. “Quando eu saio de casa, as pessoas tem o que dizer sobre isso. Não importaria se fosse absolutamente excelente. As pessoas não tem nada agradável para dizer sobre esse projeto. Tenho certeza que é por isso que você está escrevendo sobre ele.”

A controvérsia gera dinheiro, e o pop em particular cresce com isso. Séculos depois da sua briga inicial, Katy Perry e Taylor Swift continuam a alimentar o fogo de seu desentendimento. No último verão, Drake e Rihanna dividiram manchetes enquanto a natureza do seu relacionamento foi acaloradamente debatida e catalogada durante alguns meses. Os antigos membros do One Direction são constantemente questionados sobre o que eles pensam dos seus companheiros de banda enquanto promovem seu próprio trabalho solo. Ed Sheeran colocou James Blunt de volta sob os holofotes quando foi dito que um deles havia sido cortado por uma espada. E não esquecemos a forma como ficamos fixados na verdade por trás do relacionamento de Beyoncé e Jay-Z.

Mas Del Rey amplamente ignora isso, se removendo da narrativa que a mídia cria oferecendo réplicas profissionais em forma de remixes e singles. Ela não se candidatou para a “#Squad” de Taylor Swift, e também não se posicionou com nenhum outro artista. Ela cultivou seu próprio espaço no ecossistema pop, encontrando-se como principal atração de festivais nos últimos cinco verões, enquanto cria colaborações musicais com pesos-pesados Top 40, como The Weeknd, e lendas, como Stevie Nicks. Ela manteve seus olhos no seu próprio papel, se isolando de grupos poderosos e alianças industriais e respondendo a maioria das perguntas com entrevistas ou com letras de músicas. E isso serviu para criar a identidade artística definitiva. Parecendo imune à crítica e a negativistas, LDR estabeleceu seu próprio conjunto de limites e mitos: Ela surgiu por si própria, enfrentou a repercussão negativa sozinha, e continuou adiante sozinha. Se deixar de fora da norma é uma coisa poderosa, especialmente para um artista.

Isso alude ao inato entendimento de si mesma de Del Rey. Como Rihanna, ela foi abraçada pela indústria da moda, mas continuou a favorecer seus cortes femininos clássicos e vintage, ela não correu riscos de estilo, vamos encarar isso. Diferente de Perry, Swift ou Cyrus, ela não usou seu cabelo como uma extensão de reinvenção a cada ciclo (tem sido basicamente o mesmo desde o começo da década.) Similar à Adele, ela não se afastou do seu gênero favorito, mas, em contraste à vencedora do Grammy, ela abraçou a acessibilidade e a suavidade da sua voz, e evitou o legado musical de Adele ou Beyoncé, as quais podem atingir qualquer nota alta por pelo menos 20 minutos. Lana Del Rey foi — e sempre tem sido — inequivocamente ela mesma.

Isso dá trabalho. Dá trabalho não se envolver com o drama das normas e nomes da indústria, e dá trabalho não mudar seu jeito de escrever música ou fazer música quando você não é universalmente bem-recebido no começo. Isso estabelece LDR como uma verdadeira artista. Se comprometendo com sua própria trajetória, com sua visão da arte e da narrativa musical, ela se identifica simplesmente pela sua discografia e pelo legado que deixará. Ademais, ela se firmou como alguém inabalável; como uma artista que obviamente não dá a mínima para o jeito como terceiros afetam a ligação que ela criou entre ela mesma e seu trabalho.

Isso é poder real, e explica porque o fato dela estar ou não sorrindo em uma capa de álbum se torna assunto para conversa.

Tradução por Giovana Parisi. – Equipe Lana Del Lovers.
Artigo original por Anne T. Donahue à NYLON.