Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Honeymoon

Faixa a faixa: ‘Honeymoon’

Ele está entre nós, vivo e respirando. Depois de 9 meses do anuncio oficial, já ouvimos na íntegra o disco. Com maiores vibrações jazzy no início e final, e maior intensidade no meio, porém com uma releitura mais dinâmica e mais articulada voltada para o new ageHoneymoon, segundo Lana, é a palavra que resume o sonho final, representa a liberdade com alguém ou com você mesmo. Bastou algumas pequenas amostras do resultado final e já ficou nítida a oposição desse trabalho em relação ao trabalho anterior que era mais pessoal e mais natural. O álbum poderia figurar uma trilha sonora de um filme noir primaveril com todas as faixas e ainda assim seria mais objetivo do que o roteiro. Ao contrário do que se possa imaginar, o resultado final não é nada monótono ou pouco dinâmico. Levemente semelhante aos dois primeiros discos, este trouxe maiores perspectivas musicais além de um ótimo controle de nuances no decorrer da lista de canções. Revisando todas as faixas, liberamos algumas considerações sobre cada uma:

Honeymoon

O hino fúnebre, que deu início e fim ao disco, fala sobre o triste lamento de uma relação conturbada e ao mesmo tempo satisfatória. Lana caprichou no arquétipo e nos arranjos repletos de camadas que  poderiam ilustrar um filme noir dos anos 30. A letra ilustra tanto a violência  quanto o surrealismo de sua lua de mel. A faixa Honeymoon tem muito a dizer sobre o disco em geral, pois é aqui onde se inicia e se termina o álbum e chegou a receber um lyric vídeo especial com takes mostrando Lana descansando a beira de uma rodovia, mas rapidamente, ao iniciar a música, o vídeo é cortado e substituído pela letra na íntegra.

Music To Watch Boys To

A primeira confirmada e tão aguardada faixa veio ao mundo há alguns dias e já foi definida como segundo single oficial, e provavelmente terá seu vídeo lançado em algumas semanas após o lançamento oficial do disco. Essa provavelmente é a canção mais comercial do disco e uma das mais especiais e queridas pelos fãs. O contexto varia entre um refrão psicodélico e algumas pontes com instrumentos folclóricos que soam perceptíveis ao fundo e que rementem a uma forte influência new age. “Eu gosto muito de você/Então eu faço o que você quiser”  traduz bem o que Lana quis abordar no single, um perspectiva diferente das outras canções.

Terrence Loves You

A melancolia e sugestiva menção a David Bowie. Talvez a de mais difícil compreensão pelo excesso de referências, porém foi escolhida como single promocional e é uma das preferidas de Lana pela sua atmosfera ligada ao jazz. Apesar de ter sido listada como uma das melhores músicas lançadas recentemente, não devemos contar com um vídeo para TLY, embora não seja impossível imaginar que possivelmente teremos a oportunidade de vê-la ser apresentada por Lana futuramente na próxima turnê que deve iniciar no ano que vem.

God Knows I Tried

Basicamente uma carta aberta sobre a exaustão de ser uma estrela cansada da fama. Apesar do refrão extremamente repetitivo, a letra oscila entre os arranjos de uma guitarra sútil, muito parecida com a introdução de Pretty When You Cry, porém mais sútil e introspectiva. Além do título sugestivo, há uma forte sensação gospel na parte estrutural da música. Abertamente ela declara: “Eu me sinto livre quando ninguém sabe meu nome”, afirmando a relação conturbada entre ela e o show bussiness. Esse incomodo é algo que ela indiretamente já declarou com High By The Beach.

High By The Beach

Foi uma das últimas a ser adicionada a relação das músicas que entrariam no disco, mas foi de extrema importância para os primeiros sinais de vida de álbum. Apesar de seu desempenho ter sido prejudicado por um erro da Billboard na contabilidade de compras do single, no geral a música recebeu excelentes criticas pela sua letra irreverente, ousada e pelas influências da trap music, que a destaca do restante.

Freak

A lenta e sensual letra que deixou todos tão ansiosos quando foi lançado o trailer oficial do álbum. Já é uma das favoritas para terceiro single e de fato talvez seja pelo menos um single promocional. Trata-se de um convite tentador para ser estranho, dançar na beira do mar e partilhar de um mesmo sentimento coletivo. Muito semelhante com a sonoridade do EP Paradise, talvez um pouco mais arrojada e densa, existe uma certa melancolia, mas a sensação principal é libertadora ao longo da música.

Art Deco

Lana defende uma sociedade alternativa do gueto do centro da cidade em Art Deco. Ela garante nos versos que ”um pequeno grupo nunca fez mal a ninguém” e descreve a personalidade de seu amante como o estilo que pode ser representado tanto em artes visuais, pinturas, cinema… As nuances mid-tempo/up-tempo se prolongam desde esta faixa até Religion.

Burnt Norton (Interlude)

Nada mais é do que Lana narrando um verso do poema de T. S. Eliot. Além de disponível na tracklis do álbum, é possível ouvir a mesma interlude ao ligar no telefone que ilustra a capa do disco.

Religion

Ao contrário do que muitos pensaram quando a tracklist foi revelada, essa faixa não fala diretamente sobre religiosidade. A declaração é simples, como um estilo de vida e uma religião. A essência e o propósito da música é totalmente o oposto do que se pode imaginar, falando sobre um relacionamento bem sucedido. O ponto alto de Religion são os vocais que ecoam tão limpos como nunca entre uma ponte e outra.

Salvatore

Essa faixa muito especial fala sobre um italiano, sorvetes e verão. O refrão não é muito desenvolvido, mas a introdução é tipica com arranjos que lembram sul da Itália nos anos 40. Também com muito potencial cinematográfico, ilustra uma história que poderia ser um roteiro de um filme que fala sobre um apaixonante vilão estrangeiro. O refrão não é muito desenvolvido, porém de muito fácil apresso e muito familiar.

The Blackest Day

A típica história de desencontros amorosos volta no dia mais escuro de todos, porém repaginada e um pouco mais trágica. Ao longo de pouco mais de 6 minutos, a faixa se estende e Lana descreve com detalhes a sensação de um termino e da perda dos sentidos após um rompimento amoroso. A música vai ficando mais dinâmica conforme se aproxima do final, que lembra a temática de Fucked My Way Up To The Top, e finaliza e inicia com sintetizadores também já usados no disco anterior. Repleta de vocais ”fraturados”, com um refrão sugestivo e justificando o título, ela mergulha nas profundezas de lembranças obscuras e trás a tona um novo paraíso sombrio e intimista.

24

A arrebatadora e objetiva 24 só precisou de apenas dois dígitos para se destacar no álbum. Essa faixa é um aviso bem intencionado a um charmoso ”mafioso assasino” e suas más companhias. O arranjo é composto por um instrumental mais clássico, com vibrações de jazz.

Swang Song

O canto do cisne [swang song, em inglês] é reflexivo aos que tem perspectivas sobre trabalho árduo ou falta de liberdade. A letra retrata uma antiga lenda do cisne-branco que é completamente mudo, mas que pode cantar uma triste canção momentos antes de morrer. Lana mais uma vez flerta com o desconhecido e faz uma declaração sobre liberdade: “viva sua vida, de onde você veio, para onde está indo (vai)”. Uma das mais belas e conceituais faixas do disco.

Don’t Let Me Be Misunderstood

O segundo cover de Nina Simone feito por Lana não poderia encerrar melhor o disco. A letra original desse tema de jazz fala sobre interpretação e comportamento de Nina, que sempre foi questionado pelo seu gênio forte. Os arranjos são mais atuais comparados a versão original com uma introdução fúnebre e a interpretação de Lana tem sua característica própria que finaliza o álbum com uma sensação diferente da inicial.

Repleto de emoções, Honeymoon vai de um extremo ao outro sem negar sua autenticidade e sem fugir da sua verdadeira proposta. Assim como a imagem escolhida como a capa, o disco nos convida a conhecer o mundo introspectivo de Lana, que mais do que nunca soa emocional, nostálgico e convincente. Não sabemos se Honeymoon terá a atenção merecida como os dois primeiros álbuns receberam, ou se ficará de lado como o Ultraviolence, mas esperamos ansiosos pelos próximos passos do mais novo integrante da discografia.

Jallison Campos

  • Verônica

    Onde posso ouvir as músicas?

    • jallison

      Olá Verônica. Você pode garantir seu Honeymoon na versão digital pelo iTunes Brasil, ou pode ouvir pelo spotify.

  • Matheus

    Não tem versão Deluxe???

    • jallison

      Infelizmente não, Matheus.

  • Ranielli Tunstall

    Parabéns a quem escreveu, nossa gostei demais das palavras,mandou bem…descreveu cada faixa,review ficou maravilhoso,parabéns… amei demais o álbum,estou orando para ter uma versão Deluxe.

    • jallison

      Obrigado Ranielli, fico feliz que tenha gostado!! Nós também amamos o álbum.

  • Rafa

    Eu acredito na ideia de que cada álbum da lana seja uma fase sua. Honeymon n me surpreendeu em ter um som ainda mais ‘pesado’ que ultraviolence , pelo menos foi o que eu achei ahaha, mas enfim, terrence loves you é ate agora a faixa que mais me tocou..só queria dizer isso mesmo haha e saber se concordam comigo haha bom trabalho o site está ótimo!

  • Ótima análise! Parabéns 😀

  • Thalis Lowchinovscy

    Ótima análise, mas contém um erro de português em The Blackest Day, é “perda” ao invés de “perca”.

  • Natan Gustavo

    Parabéns pela releitura, porém um pouco/muito decepcionado com as músicas, apenas quatro me agradaram. Sinto que quando o artista ganha certa notoriedade e reconhecimento pelo trabalho, ele ganha tb liberdade para fazer o trabalho que sempre quis, no caso de Lana não foi diferente. Pelo meu leigo conhecimento e oq as paradas de sucesso mostra, o último trabalho de Lana “Ultraviolence” não agradou o público e acho que esse album acontecerá o mesmo. Sinto muita falta do estilo das músicas de “Born To Die”. Para mim “Summertime Sadness” é um HINO. Obs: Se esse fosse o primeiro álbum de Lana, acredito q hj ela nunca seria conhecida!!!

    • Concordo com você, ainda estou me acostumando com o álbum que nada se parece com o primeiro, depois que a Lana ganhou notoriedade tanto sua musica como seus videos clipes mudaram muito, ela já conquistou uma fã base grande e agora pode fazer o tipo de música que sempre quis

    • jallison

      Natan obrigado por ler. Eu entendo completamente seu ponto de vista e concordo. De fato os 2 últimos discos não tiveram nenhuma pretensão comercial, e creio que dificilmente ela lançará algo tão comercial como Born To Die, talvez um single, como é o caso de High By The Beach.

  • Ygor

    Ótima review, o álbum me agradou muito, só queria saber se vai ser lançada a música life is beautiful.

    • jallison

      Ainda não sabemos, pode ser lançada algum dia, mas está fora do disco.

  • Marcelo

    Depois de tanta espera, finalmente! O album superou minhas expectativas, discordando de alguns não acho que a Lana tenha feito um trabalho que gosta por ter conseguido fãs fiéis, acho que ela tem evoluído muito, o born to die realmente foi muito bom, mas por causa dele que ela foi tao confundida com pop, Lana é indie e sempre será, a tendencia (e espero que seja) é continuar nesse estilo do Ultraviolence e do Honeymoon, as músicas dela nao foram feitas para baladas, mas sim para “viajar” como nas boas músicas clássicas.

  • Natan Gustavo

    Sei que escrevi abaixo q eu não estava feliz com as músicas dessa nova obra prima, pois só quatro musicas haviam me agradado, então, agora ouvindo com mais calma e aproveitando o momento em cada musica percebi o quanto estava enganado. Eu amo essa mulher!!! “HONEYMOON” é sem dúvida um ótimo trabalho e mostra realmente a personalidade dessa mulher, ainda assim por preferência pessoal prefiro “BORN TO DIE”. A faixa “Freak” está me deixando louco, “God Knows I Tried” roubou o meu coração!!! Todas as músicas estão boas, estão me fazendo viajar.