Lana Del Lovers
Rick Nowels

Rick Nowels fala sobre Lana Del Rey e seu trabalho no álbum ‘Lust For Life’ em entrevista ao ‘Genius’

Em entrevista concedida ao site Genius, o produtor e compositor Rick Nowels falou sobre Lana Del Rey e seu trabalho no álbum Lust For Life. Leia abaixo a tradução da entrevista:

O veterano compositor e produtor Rick Nowels já trabalhou com os maiores artistas; de Madonna a Adele, Santana, The xx, Fleetwood Mac, e Sia, e o nativo de São Francisco tem sido uma força importante na indústria da música há décadas. Ao longo dos últimos anos, ele vem sendo um dos principais colaboradores de Lana Del Rey, trabalhando em faixas dos álbuns Born To Die, Ultraviolence, Honeymoon, e agora desempenhando um papel fundamental no novo disco da cantora, Lust For Life.

Genius se reuniu com Nowels para descobrir mais sobre seu processo de composição, seu relacionamento com Lana e o relacionamento criativo por trás do mais recente álbum de Lana Del Rey, Lust For Life.

Você tem trabalhado com Lana há muito tempo agora. Como é o seu processo de composição e como ele evoluiu?

Nosso processo não mudou ao longo dos anos. Lana sempre vem com um conceito e, muitas vezes, com uma melodia e letras em seu iPhone. Eu ouço a versão acapella, encontro o tom exato em que ela está cantando e começo a criar uma progressão de acordes ao redor. Começamos a tocar juntos e definimos os acordes exatos e a melodia. Então ela termina as letras. Sempre me choca o quanto suas letras são incríveis e quão pouco esforço parece necessário para que ela as escreva.

Depois disso, solidificamos o verso e o refrão. Nós costumamos escrever a middle eight do zero — esse é o trecho que vem depois do segundo refrão. Essa é a construção clássica de composições geralmente chamada de “ponte”. Não se vê mais muitas middle eights em canções. Eu adoro a forma que escrevemos, pois torna as músicas mais atemporais e satisfatórias. Lana geralmente grava seus vocais após o processo de escrita. Eu toco o piano ou o violão com ela e nós fazemos os takes ao vivo. Isso dá às músicas um aspecto de performance, e eu acho que contribui com a intimidade de sua entrega vocal. Trabalho com a minha parte do piano ou violão e acompanho os seus vocais. Eu sigo o humor dela e juntos alcançamos uma boa vibe no estúdio. Ela não faz muitas tomadas. Ela sabe quando fez a tomada ideal.

Depois que ela recebe a voz principal, ela imediatamente começa a organizar os vocais de fundo. Isso é uma parte muito empolgante, pois ela é completamente única em sua abordagem e isso faz parte de seu processo de composição. Quando os backing vocals estiverem concluídos, você essencialmente obteve uma canção de Lana Del Rey. A música contém o mínimo de instrumentos e apenas seus vocais. Depois disso, começamos o processo de construção da faixa de apoio, que pode levar algum tempo experimentando diferentes efeitos e convidando alguns excelentes músicos para contribuírem.

Muitas pessoas disseram que este álbum parece um retorno ao som anterior de Lana (ou seja, a era de Born To Die). Você concorda com essa avaliação e, em caso afirmativo, foi uma escolha intencional da parte de Lana?

De modo algum. É um constante avanço. Lana é uma compositora prolífica. Eu vejo cada nova música como a próxima música de Lana Del Rey. Tenho a honra de ser a primeira pessoa a ouvir muitas delas em sua forma inicial e ser alguém que ela confia para ajudar a construí-las. Não há outro pensamento senão escrever a melhor canção que podemos e depois finalizá-la com a gravação. Para mim, é música por música, e justamente por ela ser tão prolífica temos uma riqueza de canções realmente fortes. Quando o resultado de todo o trabalho emerge, eu sei que ela sempre estava pensando nisso desde o começo.

Você e Lana transformaram o que era originalmente um verso de Lust For Life no refrão. Como foi esse processo e o quanto mudou da música original?

A versão original de Lust For Life é uma música artística bem bonita, é bastante tocante. Talvez algum dia Lana a libere. Realizamos a reescrita durante a criação do álbum. Acabou sendo ótimo e foi uma emoção ter The Weeknd e Lana cantando juntos.

Como foi trabalhar com A$AP Rocky em Summer Bummer e Groupie Love? Lana sempre pretendeu ter um elemento de rap no disco? E isso altera a maneira como você se aproxima para escrever uma música ou como manuseia a produção?

Groupie Love foi uma das primeiras músicas que escrevemos para o álbum. Lana teve a ideia de trazer A$AP Rocky. Ele é um excelente cara; muito inteligente e criativo. Seu produtor, Hector Delgado, juntou-se a nós e fez as batidas na música e a coproduziu conosco. Foi muito divertido estar em estúdio com eles. São almas super criativas.

Eu não estava realmente envolvido com Summer Bummer. Lana foi ao estúdio com Boi-1da e a escreveu. É uma ótima adição ao álbum. Pedi a Zac Rae, um tecladista brilhante e com uma mente musical, que fizesse alguns overdubs sobre a faixa [técnica de gravação que consiste em adicionar novos sons a uma gravação anteriormente realizada.] Passamos alguns dias com Boi-1da e T-Minus trabalhando juntos. Eu acredito que Rocky e Playboi Carti gravaram suas partes com Hector Delgado. Essa foi uma das últimas músicas escritas para o álbum.

Quais são as suas músicas favoritas no álbum?

Eu diria que Tomorrow Never Came é uma faixa realmente especial. Pedimos a Sean Ono Lennon que cantasse nela e quando lhe enviamos a faixa ele ficou tão inspirado que acabou tocando todos os instrumentos que a compõe. Ele gravou em seu estúdio no estado de Nova Iorque. Foi bom conversar com ele pelo FaceTime enquanto ele gravava. Ele fez um trabalho incrível e ele e Lana soaram ótimos juntos. Eu suponho que ele usou alguns dos instrumentos vintage de seu pai, mas isso você teria que perguntar a ele.

Change realmente me toca. Nós estávamos terminando os últimos detalhes do álbum e tínhamos que enviar para a gravadora no dia seguinte. Lana me chamou naquela tarde e disse que ela tinha uma declaração a mais para fazer para o álbum e que ela queria gravar uma nova música naquela noite. Essa música acabou sendo Change. Começamos às 20h e às 2 da manhã o álbum estava pronto. Sabíamos que só poderia ser uma música composta por voz e piano porque era o único tempo que tínhamos. Acho que é uma joia no álbum.

Beautiful Beautiful Beautiful Problems foi especial porque nós pudemos passar um tempo com Stevie Nicks e ter uma colaboração com duas das grandes poetas femininas em composição. Conheço Stevie há muito tempo e queria que Lana e Stevie se conhecessem. Adoro ouvir as duas vozes icônicas juntas. Eu acho que uma verdadeira amizade se formou.

Onde você sente que o álbum se encaixa na discografia de Lana em geral?

Lana é uma artista de carreira, definindo outros artistas de sua geração. Eu a vejo como um elo de uma corrente juntamente com Bob Dylan, Leonard Cohen, Joni Mitchell, Stevie Nicks e todos os grandes cantores/compositores. Ela criou seu próprio idioma e seu próprio gênero. Ela sempre está inspirada e criando ativamente seu trabalho. Este álbum é sua nova oferta.

Tradução por Gabriela Mendes, Jallison Campos e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Chris Mench ao Genius.

  • Arthur Cobat

    Até fui dar uma atenção maior pra Change depois dessa entrevista.