Lana Del Lovers
Lana Del Rey - NME (2015)

Seria Lana Del Rey a rainha da morte em seus videoclipes?

Você já parou pra pensar que em quase todos os vídeos de Lana Del Rey, ela ou alguém morre no final? Em uma entrevista para o tabloide The Guardian, aparentemente, a edição da matéria deu a entender que Lana romantizava a morte, o que gerou uma grande repercussão na internet, inclusive uma crítica por parte de Frances Bean Cobain, filha de Kurt Coubain, mas que no final ficou tudo bem.

Falando nisso, Lana Del Rey já esclareceu o ocorrido:

“Para começar, eu não estou feliz com aquela entrevista. Bem, primeiro de tudo… A questão é… Às vezes eu desejo que eu já estivesse morta. Eu já passei por muitas coisas. E sim, às vezes eu sinto como se eu quisesse estar morta. Mas o tabloide ‘The Guardian’ fez parecer que eu estava obcecada com a morte, porque ela é fascinante. Estar deprimida, às vezes, não tem nada a ver com outras pessoas que querem se matar.”

Foi daí que surgiu o meme ”queria estar morta”, que por sinal não agrada Lana, mas é um viral muito usado na internet. Outro fato curioso é que os maiores ídolos da cantora já morreram: Elvis Presley, Amy Winehouse, Nina Simone, Jim Morrison, Lou Reed, Billie Holliday, Marilyn Monroe, David Bowie, entre outros. Porém, ela rebate:

“Eu não romantizo a morte na juventude, os artistas são mais úteis vivos do que mortos.”

Coincidentemente, seus videoclipes mais conhecidos tem uma alusão vívida da morte, e até as canções que não ganharam um vídeo beiram o fim da vida — embora ela declare que não fala sobre morte em suas músicas, exceto em Born To Die (leia aqui). Pra quem ainda não está sabendo de quais vídeos estamos falando, vamos listar alguns e relembrar esses hits transcendentais.

O fantasmagórico videoclipe com a participação de sua amiga Jaime King tem uma ar mais pós-morte entre cenas turvas com muita névoa. No decorrer do vídeo, Lana Del Rey pula de um penhasco e Jaime pula de uma ponte, porém a morte foi cuidadosamente ilustrada com imagens distorcidas, o que não causa um impacto tão grande, assim passando quase que despercebida.

Talvez nesse vídeo o grande destaque seja o flerte entre a cantora e a morte, com direito a um boy magia (Bradley Soileau) na piscina e alguns crocodilos. Quando as coisas realmente esquentam, com muita pegação na água, é no final que Lana é arrastada para o fundo da piscina até o último segundo.

Nesse vídeo, Lana Del Rey não morre, mas sim seu marido John F. Kennedy, que foi representado pelo rapper A$AP Rocky. Na vida real, o presidente dos Estados Unidos foi assassinado em 1963 durante uma campanha em Dallas, Texas.

O maior representante póstumo e líder do grupo fúnebre de vídeos de Lana Del Rey segue a linha mais impactante de finais tristes desta lista. A jovem aborrecida sentada em um trono e cercada por tigres pode ser o que restou da jovem vítima de um acidente de carro. A letra de Born To Die é basicamente um recado para a geração jovem: viva rápido!

Em High By The Beach, a rainha da morte sai ilesa no final, porém manda alguns paparazzi inconvenientes pro espaço com sua arma futurista.

Jallison Campos

  • Toni

    Algumas interpretações do clipe Freak também indicam o fim de um amor que encontra-se no pós-morte, ao analisarmos a cena em que Lana e Father John Misty dançam entre névoas.

    A morte é um assunto curioso, pois é a única certeza que temos na vida, mas não sabemos exatamente o que acontece posteriormente. Em todos os clipes citados (exceto High By The Beach) é possível ver Lana cantar sobre um amor, o quão bom ele era; em uma certa entrevista, ela disse que o pensamento sobre a morte desaparecia quando estava amando alguém, e que os melhores momentos vinham nesse período.

    Ótimo texto. 🙂

    • jallison

      Obrigado por ler, que bom que gostou 😀

  • Nando Filho

    É importante lembrar que em “Shades of Cool” o clipe sugere a morte da Lana, um exemplo: a parte em que ela aparece nadando em um aquário e o parceiro dela sentado a acompanha com o olhar e se benze em seguida. Existe inclusive uma versão alternativa em que a Lana aparece se afogando no finalzinho do vídeo. Em “West Coast” a morte também está presente nesse vídeo, no final, na parte em que a Lana aparece cantando cercada por chamas é possível ver no fundo da cena, um pouco atrás da Lana, o amante dela deitado com um olhar vazio e sem vida, labios entre abertos, enquanto a mão dele se encontra sobre a sua barriga, a forma como é representada a morte dele dentro do contexto do clipe sugere assassinato.
    Em “Freak” ela morre também, dessa vez envenenada, na cena épica em que ela deixa o líquido escorrer pelo seu rosto, uma clara referência ao caso polêmico do suicídio coletivo influenciado pelo líder de uma ceita (me esqueci o nome) Jim Jones. Inclusive o clipe de freak era pra ser, na verdade, o videoclipe de ultraviolence, mas como todos nós sabemos não aconteceu. Eu gostaria de ressaltar que, embora o clipe inicial pertencesse a ultraviolence, não quer dizer necessariamente que o clipe foi encaixado em freak por acaso, um bom exemplo que prova isso é uma passagem em que a Lana canta “baby se você quiser partir venha para a Califórnia, seja uma aberração como eu também…”, o porque é bem simples, segundo Jim Jones ele achava a Califórnia um lugar agradável para se viver e, palavras do próprio, “seguro”. Além de ela se auto intitular de aberração, em virtude de ser parte de uma ceita que procura unir minorias. A princípio eu achei que a referência a Califórnia fosse pela paixão que a Lana tem por esse estado, mas fez mais sentindo pra mim depois que eu conheci um pouco mais a história dessa ceita.
    Ótimo texto. Esses posts são sempre muito bons, principalmente agora que a Lana tá meio sumida, e nos fãs estamos sempre esperando por uma notícia nova, por mais simples que venha ser.

    • jallison

      Obrigado por ler!! Eu só não inclui esses dois vídeos em especifico por ter um mistério maior além da alusão a morte nos dois (QUE EU AMO MUITO) então preferi incluir apenas os mais explícitos, porém muito bem lembrado!!!

    • Lily

      A de West Coast não tinha reparado e a sutil ligação de Freak com Ultraviolence tbm. Ótima percepção sua!