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Lana Del Rey - Lust For Life

The Guardian: Review do álbum ‘Lust For Life’

Em uma review publicada nesta última sexta-feira (21), o site The Guardian analisou brevemente o mais novo álbum de Lana Del Rey, Lust For Life. Leia abaixo a tradução da análise:

Com um som mais aconchegante, uma consciência social e um sorriso decidido no rosto, Del Rey está superando a escuridão que ela habitava no passado.

Lana Del Rey está sorrindo na capa do seu novo álbum. Uma atitude bastante radical considerando sua expressão padrão, que variou desde o brilho sedutor até o fazer beicinho. Tal é a lealdade à sua marca de tolerância à dor e miséria que a precisão alegre no rosto de Del Rey em 2017 parece quase irônica. De acordo com uma entrevista recente com à NME, no entanto, o sorriso é simbólico de um novo capítulo artístico. Foi seu objetivo, diz ela, “que este álbum marque um movimento de superação de onde quer que seja que tenha surgido o Honeymoon e o Ultraviolence. Adorei aqueles álbuns, mas me senti um pouco presa no mesmo lugar.”

Para aqueles que não prestaram atenção à carreira de Del Rey desde o seu primeiro florescimento, — os suspiros tristemente encharcados em Video Games — a música da artista californiana permaneceu bloqueada dentro de uma pequena variedade de emoções, a maioria dos quais gira em torno de homens horríveis (muitas vezes motociclistas idosos ou gangsters) fazendo coisas terríveis e Del Rey permanecendo perdidamente apaixonada por eles. No entanto, o mundo mudou consideravelmente desde Honeymoon de 2015 e, assim como a ambição de Katy Perry de fazer “música pop com propósito”, Del Rey decidiu perfurar sua longa narrativa e refletir sobre os tempos difíceis em que nos encontramos.

Aqui, sua abordagem política está enraizada no escapismo. O produtor de longa data de Del Rey, Rick Nowels, declarou recentemente que When The World Was At War We Kept Dancing é uma “obra-prima” por sua mensagem lírica sobre encontrar prazer na era [Donald]Trump [atual presidente dos EUA]. Enquanto isso, Coachella – Woodstock In My Mind é uma faixa armadilha já que atraiu escárnio por conta do título, dado que Del Rey é a santa padroeira de usar guirlandas de flores em um festival cheio de celebridades. É uma música doce e inocente sobre a observação de um público de jovens vestidas exatamente como ela, que está a rezar pela segurança das jovens em meio a um período de terror global.

A triunfante God Bless America – And All The Beautiful Women In It foi escrita antes das Marcha das Mulheres no início deste ano e é uma resposta ao ataque dos republicanos aos direitos das mulheres — um alívio para os pais que se preocuparam com a obsessão de seus filhos por uma cantora que tem o hábito de romantizar relacionamentos tóxicos. (Del Rey admitiu recentemente que ela não canta mais a letra da música de Ultraviolence, “Ele me bateu e soou como um beijo.”) Você pode ouvir o prazer nos vocais de Del Rey em Beautiful People Beautiful Problems, uma balada no piano que ela compartilha com Stevie Nicks, o que é comparável à vaga balada sobre o estado da nação de Harry Styles.

Mas, para cada sentimento socialmente consciente, ela pinta outro paraíso colorido com tons pastel cheio de atores de fetiche (“Estou vooando para a lua de novo/Sonhando com a heroína”), enfatuando olhos grandes e escuros além da apreciação de grupos estilos anos 50 de meninas (“Meu namorado está de volta e ele está mais interessante do que nunca”). Groupie Love é falado sob a perspectiva de um fã dedicado e apresenta linhas essencialmente de Del Rey como: “Esta é a minha vida, você ao meu lado/Limão e perfumes e festivais”. 13 Beaches é sobre quando Del Rey viajou para 13 praias antes de encontrar uma que estivesse vazia. É um assunto de nível supérfluo, mas talvez haja uma mensagem mais profunda em algum lugar: sensação de esmagamento da fama? Superpopulação? Alterações climáticas?

Ainda assim, a música de Del Rey sempre foi mais um sentimento do que uma mensagem lírica explícita. Este álbum possui algumas das mais sofisticadas produções e mudanças de humor da sua carreira de quatro álbuns. A$AP Rocky e Playboi Carti estão na faixa de rap preguiçosa Summer Bummer, com sua estranha produção e melancolia futurista se aproximando mais de uma faixa do álbum Blonde do Frank Ocean do que de seus adorados e usuais estilos dos anos 50 e 60. A referência aos The Beatles, Tomorrow Never Came, apresenta vocais de Sean Ono Lennon. É uma estranha e melodiosa reformulação de Something dos The Beatles, um brilho vintage que se esfrega contra as lindas paisagens sonoras contemporâneas em outros lugares. A escola de melancolia monocromática de Chris Isaak ecoa em torno da produção frígida. O velho e o novo se entrelaçam por toda parte.

Enquanto muitos dos títulos das músicas e referências desajeitadas podem estar sendo zombados por fãs devido à previsibilidade de Del Rey, o disco continua tendo uma qualidade imbatível (mesmo que tenha cinco faixas a mais que o normal). Ela desenvolveu elementos de sua narrativa uma vez perturbadora e sua fã base ardente detectará claros saltos feitos desde sua estreia. Mas, no clima atual de estilos de gênero laboriosos e vocais de convidados em charts de músicas descartáveis, Del Rey permaneceu um mistério. Ela é consistente em sua estética, adicionando elementos claros ao seu som sem ser ditada por eles. E, por essa razão, ela existe em uma liga solitária e luxuosa própria. Não é por isso que ela está sorrindo, mas deveria ser.

Nota: 80

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers.
Review original por Harriet Gibsone ao The Guardian.