Lana Del Lovers

‘Ultraviolence’: O que realmente aconteceu?

Estamos de volta com mais um artigo aqui na coluna Bullshit. E dessa vez, iremos falar sobre o polêmico álbum Ultraviolence, lançado em 13 de junho de 2014.

Na noite desta última terça-feira (26), recebi um pequeno texto que citam SUPOSTOS acontecimentos da era Ultraviolence. E como a coluna existe justamente para trabalhar com teorias e rumores, resolvi listar fatos que supostamente estão envolvidos com as informações citadas.

Vale lembrar que não somos os autores do texto original, não sabemos quem são e em nenhum momento estamos acusando Lana Del Rey e/ou sua gravadora. Apenas listamos possíveis fatos ligados às supostas informações divulgadas.

O texto original encontra-se destacado em vermelho e dividido em várias partes, sendo que nossas observações estão abaixo de cada uma.

Em 2014, o produtor de Ultraviolence, Dan Auerbach, aparentemente falou sobre o que aconteceu com a era Ultraviolence, especificamente a relação de Lana com sua gravadora Interscope. Alegadamente, a gravadora queria que ela trabalhasse com Paul Epworth (com quem ela produziu Black Beauty), já que a mesma era para ser o primeiro single. Lana não queria. Aparentemente, sua gravadora lançou a música onde conseguiram, sem o seu consentimento legal, em lugares como a Alemanha. A propósito, não é a primeira vez nesta era que a Interscope se envolveu com as visões de Lana. O vídeo original de Ultraviolence foi cancelado porque supostamente seria sobre o Massacre de Jonestown, o que teria sido muito controverso. O vídeo original para Ultraviolence, que era para ser o segundo single, foi completamente descartado até Lana lançar a versão do ano passado com Francesco Carrozzini. A filmagem deste vídeo inclui as garotas debaixo d’água que temos visto no teaser para o álbum Honeymoon e o vídeo de Music To Watch Boys To. É desconhecido até o momento se o resto do vídeo existe ou está apenas trancado em algum lugar.

Em entrevista concedida à Rolling StoneDan Auerbach falou abertamente sobre os problemas enfrentados com a gravadora antes do lançamento do álbum:

Havia um monte de besteira que eu não estou acostumado“, diz Auerbach ao escritor sênior, Brian Hiatt. A gravadora disse: “‘Nós não vamos liberar o aumento para estender essa gravação, a menos que a gente ouça alguma coisa.’ E nós enviamos a mixagem e eles simplesmente odiaram e odiaram a maneira como ele foi mixado. E foi tipo: ‘Obrigado, imbecil…’ Eu acho que Lana bateu o pé. Talvez seja normal para ela, mas não é normal para mim. Realmente me esfregou o caminho errado. Eu fiquei realmente na defensiva, porque eu pensei que era besteira.”

A história que eu tenho contado“, continua ele, “é que eles tocaram para a pessoa da gravadora dela e disseram: Nós não vamos colocar este disco para vender a menos que você e Dan se encontrem com o produtor da Adele. [Paul Epworth]’ E ela disse: Tudo bem, que seja. E ela estava atrasada para a reunião, por isso, enquanto eles estavam esperando, o cara da gravadora tocou o que nós gravamos para o produtor da Adele e ele disse: Isso é incrível, eu não faria nada para mudar isso. E aqui foi o tapa na cara. Então, de repente, o cara da gravadora disse: ‘Bem, sim, eu acho que é ótimo também.‘”

Mesmo tento sua versão demo vazada em junho de 2013, quase um ano antes do lançamento oficial do disco, Black Beauty foi incluída como faixa bônus e lançada como single promocional na Alemanha junto com um EP de remixes pela Vertigo Berlin.

Em 2015, contrariando o texto, Lana Del Rey declarou em entrevista à BBC Radio 1 que suas gravadoras lhe dão liberdade criativa para fazer o que quiser:

“O bom das gravadoras é que tenho liberdade criativa para fazer o que eu quero, para lançar um álbum a cada 15 meses se eu quiser, o que muitos artistas não devem fazer, porque eles estão ocupados fazendo outras coisas que podem não envolver a música, então é muito legal.”

Comandado pelo fanático religioso e socialista Jim Jones, o Massacre de Jonestown ocorreu em 18 de novembro de 1978 na Guiana, quando 914 dos fiéis da seita Templo do Povo ingeriram veneno ou receberam tiros na cabeça.

A faixa-título do álbum apresenta muitos detalhes que podem estar ligados de fato ao famoso e triste massacre:

  • “He used to call me DN / That stood for deadly nightshade / ‘Cause I was filled with poison (Ele me chamava de BD / Isso era uma sigla para beladona / Porque eu estava cheia de veneno)” — possível referência ao envenenamento de muitas pessoas no massacre;
  • “Jim told me that he hit me and it felt like a kiss / Jim brought me back (Jim me disse que me bateu e foi como um beijo / Jim me trouxe de volta)” — seria Jim Jones, líder religioso e condutor do culto?;
  • “I can hear sirens, sirens (Eu posso ouvir sirenes, sirenes)” — possível  referência ao som das ambulâncias chegando ao local;
  • “I can hear violins, violins (Eu posso ouvir violinos, violinos)” — estaria Lana Del Rey referindo-se ao possível som reproduzido no céu/paraíso?

Não é mistério para ninguém que Lana Del Rey já participou de uma seita. Durante algumas entrevistas concedidas em apoio ao álbum Ultraviolence (GRAZIA The New York Times), a cantora falou um pouco sobre essa experiência:

“Eu costumava ser um membro de uma seita subterrânea que era comandada por um guru. Ele cercou-se de jovens e ele tinha um carisma insano. Eu não podia resistir. Então, eu estava nessa seita, porque eu estava com saudades do amor e da segurança. Mas então eu descobri que este guru não era uma boa pessoa, mas sim uma má pessoa. Ele pensou que tinha que quebrar as pessoas primeiro, antes que ele pudesse construí-las novamente. No final, eu deixei a seita.”

As letras também mencionam um “líder de seita”, e a senhorita Del Rey disse que a música era sobre uma época logo depois que se mudou para Nova Iorque, quando considerou seguir um guru que “acreditava que tinha que quebrar as pessoas primeiro para depois poder reconstruí-las.” “Parece um pouco estranho”, ela adiciona, “mas é disso que se trata, e ter sentimentos românticos entrelaçados com a ideia de ser liderado, deixar ir e se render. Isso é sempre um conceito para mim, como se eu estivesse oscilando entre independência e cair em estilos de vida e ser levada.”

Lançado em 30 de junho de 2014, gravado em Portofino, Itália, e com ajuda do fotógrafo/namorado Francesco Carrozzini, o videoclipe de Ultraviolence apresenta a cantora com um simples vestido de noiva e carregando um buquê de flores, enquanto caminha lentamente em direção ao altar de uma igreja.

De fato, o videoclipe de Music To Watch Boys To apresenta trechos de um projeto desconhecido de Lana Del Rey gravado no passado. Em uma postagem em seu perfil no Instagram, a cantora revelou que o videoclipe de Freak também contará com trechos deste misterioso vídeo.

“O vídeo de Music To Watch Boys To sairá na próxima semana provavelmente, mas a filmagem das garotas na água é na verdade do ano passado, algo que eu estava trabalhando por mim mesma, mas eu não pude usá-la então eu meio que reformulei uma ideia em volta dessas garotas na água e Kinga Burza tomou as rédeas a partir daí, ela é a diretora. Há meio que uma performance narrativa em volta disso.” — Lana Del Rey em entrevista à Triple J.

'FREAK' video coming soon- starring Father John Misty and the girls from 'Music to Watch Boys to.'

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Em 17 de março de 2016, foi confirmado que os vídeos presentes no videoclipe de Freak era realmente para Ultraviolence:

Lana Del Rey nos bastidores do videoclipe de 'Ultraviolence/Freak' — verão de 2014. #lanadelrey

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Independentemente disso, Lana estava furiosa com sua gravadora. Cancelou todas as suas aparições regulares para promover o álbum, inicialmente planejadas pela lnterscope, como um grande “foda-se”. Ela entrou em completo isolamento dos olhos do público por um tempo antes de sua turnê em 2015 (Endless Summer Tour). A turnê contou com apenas um punhado de faixas de Ultraviolence por uma razão. Isso mostra o quão chateada Lana ficou e recusou-se a incluir mais faixas de Ultraviolence, apesar de a turnê ter sido projetada para promover o álbum.

Desde o lançamento do álbum Born To Die, Lana Del Rey já não se importa mais em divulgar massivamente seus trabalhos. Para a era Ultraviolence, infelizmente, a cantora teve que cancelar algumas aparições/apresentações:

  • Em 5 de junho de 2014, a cantora deveria ter ido ao Late Show with David Letterman, mas acabou cancelando. Nenhuma justificativa foi divulgada;
  • Em 25 de agosto de 2014, Lana Del Rey iria realizar uma apresentação privada no teatro Le Trianon, um dos espaços culturais mais importantes de Paris, França, mas acabou cancelando, pois estava doente. A apresentação foi remarcada para o dia 14 de setembro;
  • Em 14 de setembro de 2014, a apresentação no Le Trianon foi cancelada novamente. A Virgin Radio, organizadora do evento, baniu a cantora de sua programação;
  • Em 16 de setembro de 2014, a apresentação no especial Even More Music, da BBC Radio 1, também foi cancelada. Segundo a emissora de rádio, Lana Del Rey estava doente e ficou arrasada por ter que cancelar;

Endless Summer Tour, turnê em apoio do álbum Ultraviolence, começou em 07 de maio de 2015, e, de fato, a maior parte da setlist era composta por canções de discos anteriores, unreleaseds (Us Against the World, You Can Be the Boss e Serial Killer) e covers (Chelsea Hotel No. 2 e Why Don’t You Do Right?).

Haviam outros singles agendados com vídeos, aparentemente já filmados, incluindo Pretty When You Cry. Até agora, não se sabe se ela filmou mais qualquer outra coisa. O ciclo de lançamento original para a era Ultraviolence teria sido: Black Beauty, Ultraviolence e Pretty When You Cry.

Próximo ao lançamento do álbum, Lana Del Rey postou em seu perfil no Instagram um suposto trecho do que seria o videoclipe da canção Pretty When You Cry, uma de suas faixas favoritas do disco. Detalhes sobre o lançamento do mesmo são desconhecidos.

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“Uma das faixas mais favoritas do álbum, que tem uma jogada do meu guitarrista Blake. E a razão que eu a amo, é que nós gravamos no Electric Lady Studios na primeira tentativa. É por isso que é estranho, eu rimo palavras. Voz de tensão não é especial, e eu pensei sobre minha voz. E eu realmente gosto da maneira como soa de forma orgânica, ao meu ver.” — Lana Del Rey sobre Pretty When You Cry.

Lana Del Rey teria sido “forçada” por sua gravadora trabalhar com Paul Epworth e alterar seus planos para o álbum? O videoclipe de Ultraviolence seria mesmo sobre o Massacre de Jonestown? Aparições foram canceladas de propósito só para irritar sua gravadora?

Infelizmente, as respostas para essas perguntas não sugiram ainda, e talvez nunca irão, pois por se tratar de um rumor, tudo pode — e deve — ser mentira. E você, o que pensa sobre isso?

Thiago Goedert

  • Writer

    Não acredito que deva ser somente mentira, pois tudo leva a crer que esses rumores tem fundamento sim. Mas é estranho também pelo fato dela ter supostamente uma nova liberdade com a era Honeymoon. Promoção não teve nenhuma, mas pelo menos Freak dará continuidade como single e vídeo. Fica a incógnita.

    • Oliver Devacelli

      Acredito que a questão da era Honeymoon é que ela meio que se acomodou mesmo, como já estava desde a era Ultraviolence. Eu acredito no texto, mas não concordei com a parte de que Lana “excluiu” as faixas do Ultra da tour, porque ela cantou muitas faixas na Paradise Tour! Elas não combinavam com a vibe da Endless Summer…

      • Writer

        Concordo. A música dela é mais importante que todos esses conflitos.

  • Dean

    Motivos pelo qual eu acho que a teoria sobre o clipe original de Ultraviolence ter sido descartado é verdadeira além dos fatos apresentados na matéria:

    1 – Depois da entrevista “I wish I was dead already” cortaram a morte da personagem da Lana no clipe de Shades Of Cool. Ou seja, dificilmente aprovariam o lançamento de um clipe que envolvesse assuntos controversos naquela época ( seitas e mais mortes, por exemplo).

    2- Rob, Chuck e a cabeleireira da Lana postaram fotos no set de gravação onde claramente se via o lugar que foi gravado as cenas das “meninas aquáticas”.

    3 – A versão gravada com o Francesco foi lançada pela VICE ( “vice running shit now”) e só foi upada no conta oficial VEVO praticamente uma semana depois. Foi claramente uma produção totalmente caseira, sem nenhuma grande equipe por trás da gravadora.

    Mas essa teoria de Black Beauty como first single acho bem improvável. Além do single já ter sido vazado meses antes ( o que tirava qualquer possibilidade de ser first single para um trabalho novo) a gravadora realmente apoiou o lançamento de West Coast, com múltiplas versões, remixes e outdoors. Além do que a Lana tem duas gravadoras, quem lançou Black Beauty EP como single não foi a Interscope, mas sim Polydor/Universal e isso ocorreu meses após o lançamento de Ultraviolence. O mesmo aconteceu com os cancelamentos na França e UK, foram promovidas e marcados pela Polydor e não Interscope ( menos o Letterman).

  • Eliéser

    Lana tem VÁRIAS músicas que citam esse nome ”Jim”… Eu penso que em Ultraviolence, deve ser a mesma pessoa.

  • júlio Ary

    Eu não fazia ideia que a ‘era Ultraviolence’ tinha sido tão danificada assim… Essas gravadoras…não pensam na verdadeira arte, apenas em fazer os artistas como formas promocionais para render ‘hits’ e lucrar em cima disso…
    Felizmente, a nossa querida Lizzy Grant faz sua arte do seu jeito e Foda-se quem não gostar!

  • Lucas Abraão

    Pra mim isso faz todo sentido, a Lana realmente se afastou da mídia na era Ultraviolence e eu achei estranho ela ter explorado tão pouca coisa enquanto BTD tem um monte de clipes e performances televisionadas. Pareceu mt abrupto na época e pouco gradual. Pra mim a ideia do clipe de Ultraviolence soa verdadeira, as relações se encaixam com a letra e a Lana gosta de contar fatos históricos através dos clipes devido o seu amor pelo passado. Pra mim a gravadora foi burra ao barrar o clipe, essa teria sido a melhor publicidade possível, uma vez que todos os olhos estavam nela por conta da entrevista que gerou o meme ”queria estar morta” (coisa que, aliás, não é surpresa nenhuma, já quem em Dark Paradise ela deixa isso bem claro, assim como no título do álbum). E daí se a Lana é polêmica? Deixa ela ser, a Amy foi também e nem por isso a carreira dela foi de água a baixo (falando em desempenho comercial). Pretty When You Cry teria rendido um ótimo single e ela realmente deu a entender que um clipe pra essa faixa viria. Agora Black Beauty eu acho pouco crível como first single, ainda mais se o compararmos a West Coast que tem muito potencial. Minha única lamentação é que essa era poderia ter sido bem mais explorada e poderíamos ter mais 2 clipes além da suposta ideia original para Ultraviolence que, convenhamos, iria ser a cara da Lana e teria ficado foda demais. A gravadora devia deixar seus artistas serem o que são ao invés de controlá-los porque isso só prejudica a arte.