Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Clash (2014)

Zane Lowe: Lana Del Rey fala sobre o álbum ‘Ultraviolence’, Dan Auerbach e muito mais

Em entrevista para o programa do Zane Lowe, da BBC Radio 1, Lana Del Rey falou sobre o álbum Ultraviolence, sua confiança no Dan Auerbach e muito mais. Leia abaixo a tradução dos principais momentos da entrevista:

É bom falar com você agora que o álbum saiu e ficou em #1 em 80 países. Agora que ele foi lançado, está sendo apreciado pelas pessoas… Como se sente sobre Ultraviolence e seu processo criativo?

É bom falar com você também. Eu não acho que seja apenas considerar o #1, mas também sobre ter sido recebido da forma certa e as pessoas terem gostado do disco. E tenho que dizer que geralmente não me importo, mas estou agradecida. Eu realmente amo o álbum. Estou feliz que as pessoas o amem também.

Podia-se dizer que você estava trabalhando em algo que estava muito orgulhosa, já que você falava abertamente sobre o mesmo, sobre como estava amando o processo e trabalhar com Dan, do The Black Keys…

Ele é quieto, mas muito engraçado.

Mas como foi a experiência? Você foi capaz de se afastar do “mundo real” e trabalhar?

Sim. Foi engraçado, porque eu estava escrevendo na Califórnia e então voltei para Nova Iorque, aos estúdios Electric Lady onde comecei a produzir sozinha. Depois de algumas semanas, com a ajuda de Blake (da minha banda), estávamos acabando. Mas aí conheci Dan, ele escutou tudo, e eu o disse o que queria: uma fusão da Costa Oeste com um jazz subterrâneo. Ele disse amar a ideia, mas achava que eu ainda não tinha atingido o ponto. Ele me chamou para ir a Nashville e recriar tudo, então fomos e passamos um mês por lá. Ficamos isolados em seu estúdio.


O som ao que você falava, da Costa Oeste, mas também sombrio… Isso já foi bem documentado em filmes e músicas. Não há apenas o clima praiano, de surf, a brisa… Tem um lado desse na vida. O que prendeu sua imaginação à isso?

Sonoramente, amo The Beach Boys, The Eagles… Fico inspirada por andar pela Wilshire Boulevard, uma das mais perigosas estradas da Califórnia. Conheci várias pessoas, como Father John Misty, que faz arte apenas por fazer e não se importando com o resto; Mark Mahoney que fez algumas das minhas tatuagens… Conhecer pessoas como ele, que tem uma história e passou por muito, assim, tem muita atitude…


Los Angeles é uma cidade momentânea, cercada por gente criando momentos. É um daqueles lugares com várias histórias para contar, uma pena que nem muitas pessoas gostem de compartilhá-las.

Depois do primeiro álbum ser lançado, senti… Eu estive em Nova Iorque por 8 anos, depois morei em Londres por mais 3 anos… Eu precisava ir para ir lugar com uma atmosfera mais pesada, mas quando cheguei lá foi um alívio, um escape. É tão dramático.


Lancei o Born To Die, e mesmo com seu sucesso eu não sentia que as pessoas gostavam/entendiam. O interessante ao escrever o Ultraviolence é que eu estava quase tão anônima/livre para explorar como era antes de ter me tornado famosa. Mas acho interessante o que você disse, “ter habilidade de ainda me sentir surpresa” e por isso gostei tanto de trabalhar com Dan. Trabalho com os mesmos produtores há 4 anos, e Dan era um estranho para mim, não sabia nada sobre ele, porém ele foi casual e espontâneo. Mesmo que ir para Nashville não pareça uma coisa exótica para se fazer, para mim foi uma aventura.


Você é uma pessoa confiante com o que faz?

Sim. Quero dizer, é impossível escrever um álbum se você não está se sentindo confiante sobre isso. Eu acho que, para mim, o que me faz confiante muda todo dia. Eu acho que quando conheci Dan eu não estava tão confiante, e isso pode parecer estranho mas ele ter se interessado em mim me fez sentir interessante de novo. Confiança vem da felicidade também.


Você inspira as pessoas, sua música capturou a imaginação delas, e você também, com esse projeto de arte em cada disco, de um jeito que… Os vídeos são fenomenais peças de arte, as fotos, as capas são brilhantes. Deve ser difícil… Você sente que às vezes precisar “desligar” a Lana Del Rey, que é algo que criou com intenções artísticas (porém completamente ligado à quem você é)?

Eu me senti livre para ser eu mesma, e esse foi meu jeito de fazer isso. Para mim, seria um prazer estar “ligada” como Lana Del Rey… Isso significa que eu posso fazer arte a qualquer hora: estando em casa ou longe. Então, não sinto que preciso trocar de personagem, porque Lana Del Rey é quem eu realmente sou.

Só porque você nasceu com outro nome, em outras condições, não quer dizer que você não possa mudar uma hora na vida e encontrar um jeito de se apresentar de um jeito artístico.

Sim sim. Algumas pessoas dizem: “Você é muito sortuda. Deve ser muito feliz. Você conseguiu fazer o que queria. Infelizmente, eu não.” E eu sempre penso que é uma pena, eu sentiria, em algum ponto da minha vida, que ainda não estaria muito tarde para mudar e me sentir livre e explorar o mundo de uma maneira diferente.

Ouça a entrevista no player abaixo:

 

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers
Entrevista original por Zane Lowe.

  • Milena_Stancini

    Lana é uma fofa! Entrevista muito fofa <3