Lana Del Lovers
Lana Del Rey - Mariners Apartment Complex

Lana Del Rey fala sobre próximo álbum, livro de poesias e muito mais em entrevista à ‘BBC Radio 1’

Em entrevista concedida à radialista Annie Mac da BBC Radio 1 na tarde desta última quarta-feira (12), Lana Del Rey falou brevemente sobre sua nova canção, Mariners Apartment Complex, próximo álbum, revelou estar trabalhando em um livro de poesias e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Olá!

Olá, olá!

Olá, olá! Hoje é um grande dia para você, uma nova música sendo lançada.

Sim, estou muito empolgada.

Ok. Estamos prestes a ouvir uma das duas novas músicas que serão lançadas. Esta é a primeira e chama-se Mariners Apartment Complex. É a nossa Hottest Track In The World.

Esta foi Mariners Apartment Complex, de Lana Del Rey, nossa Hottest Track In The World. Lana, eu, literalmente, me curvei para essa canção. Eu a ouvi umas cinco vezes seguidas. Quero pegar sua mão e ir até onde você está me conduzindo com essa música.

Awn, muito obrigada.

A letra é tão linda. Letra de tentações e afirmações. E estou interessada também no tipo de perspectiva que você está falando na música, isso porque, no início você parece como se você estivesse falando de uma perspectiva feminina, mas então há uma afirmação: “Eu sou seu homem”. Você pode me contar um pouco mais sobre isso?

Bem, a música é meio que sobre essa vez que eu caminhei tarde da noite com um cara, então paramos bem na frente de um complexo de apartamentos do amigo dele, e ele colocou a mão no meu ombro e disse: “sabe, acho que estamos juntos porque nós dois, sabe, somos parecidos, nós arruinamos tudo”, e eu pensei que isso fosse a coisa mais triste que eu tivesse ouvido. Eu disse: “sabe, não estou triste e não sabia que você achava que éramos assim”. E eu disse algo do tipo: “na verdade, estou muito bem”, e ele ficou aborrecido. Este foi o motivo pelo qual escrevi a canção, pois tive de fazer isso várias vezes, onde eu meio que tive de entrar nesse papel enquanto mostrava o caminho e eu meio que era a luz mais brilhante. Por isso é tão legal que você esteja tocando essa música, pois meio que pensei que eu apenas a lançaria e seria como uma dessas coisas que me sinto bem por tê-las lançadas para mim mesma, mas é bom também compartilhar isso com as pessoas. Não esperava fazer isso.

Você está falando sobre ele ter a percepção de que você estava triste e meio que arruinada, mesmo que você sentisse que estava em um lugar bom. Isso é algum tipo de analogia para percepção de você também como artista? Em seu último álbum, Lust For Life, você surgiu com um grande sorriso em seu rosto. Você já sentiu isso antes, pessoas te colocando em caixas/padrões?

Eu acho que é porque quando eu surgi, por volta de 2011, não era tão aceitável ser diferente ou ter um pouco de tristeza ou estar passando por situações difíceis. Na época, tudo deveria ser muito lapidado, toda a música que estava sendo lançada. Mas agora, há tantos artistas que se parecem comigo e, sabe, ninguém é perfeito, então é muito interessante. É legal pra mim porque minha música ainda tem um pequeno espaço na cultura, porque está tudo muito misturado.

Eu sempre achei que uma das melhores coisas sobre você como artista é que você é infalivelmente sincera. Parece que você realmente expressa quem você é, e como você diz, se você está triste e quer soar de uma certa maneira ou refletir exatamente como você estava se sentindo no momento. É como se você estivesse na sua própria faixa no mundo lá fora, onde as pessoas sentem que eles tem que viver segundo algumas tendências, mas você sempre meio que sempre esteve presa em sua própria pista e fez o que você queria fazer. Você já se sentiu tentada a se aventurar pelo mainstream ou se sentiu pressionada pelas pessoas dizendo “bom, talvez sua música devesse soar dessa maneira”?

Bem, muito obrigada por dizer isso, porque é isso que me faz sorrir, e o fato de que você está tocando minha música. Eu nunca me senti realmente tentada a fazer algo muito maior, eu estou sempre mais inclinada a ir mais fundo, o que é quase tão difícil quanto, porque às vezes as coisas ficam mais obscuras. Mas eu tenho pessoas com as quais eu trabalho que queriam essa música, que queriam uma grande música, e eu fico tipo “ok, vamos achar alguém pra compor pra mim”. A propósito, eu não sou contra a cantar a música de outra pessoa. Eu amo essa ideia. Eu escuto as músicas que a Rihanna canta e eu fico “uau, eu não saberia como começar a escrever algo assim”, elas são lindas. Quer dizer, em algum momento eu poderia cantar algo cativante e brilhante.

Este é um projeto maior? Um álbum está vindo dessas sessões?

Sim, eu tenho um álbum. Nós estivemos trabalhando desde dezembro. Jack [Antonoff] vem a Los Angeles, Califórnia, para ficar 9 dias por mês. Temos uma coleção de músicas que eu sequenciei e que eu amo muito. Não acho que será lançado até o começo do próximo ano, simplesmente porque eu estou trabalhando num pequeno livro de poesias. Acho que eu mesma irei publicá-lo e lançá-lo antes do álbum, que é meio que essas coisas que eu quero que estejam lá só para mim. Eu literalmente posso lançar esses pequenos livros em alguma livraria em Silverlake, Los Angeles, e implorar a eles que, sabe, os vendam. Mas tem sido muito bacana para mim, porque eu estava tendo um pouco de bloqueio criativo com a música no último outono e então eu me sentei e escrevi algumas palavras sem a melodia e eu percebi que havia algumas coisas que eu queria dizer através de alguns poemas, o que é engraçado, pois sinto que estou no século 19. Mas está sendo bacana.

Está álbum que será lançado em algum momento do ano que vem, teve algum tipo de caminho criativo que você quis investir ou você só meio que começa a escrever e as coisas começam a fluir?

Sim, houve. Gravei as músicas no estilo do som de Laurel Canyon [comunidade informal onde artistas, como Frank Zappa e Jim Morrison, foram criados na década de 60]. E isso meio que transformou um pouco, porque agora há certos elementos de surf em algumas músicas. Quer dizer, não é muito praiano, mas tem muita guitarra. Talvez tenha um pouco de influência do Red Hot Chili Peppers nele.

Uau, incrível. Lana, foi um prazer falar com você. Muito obrigada por disponibilizar um tempinho para falar com a gente nessa tarde.

Annie, muito obrigada por ter reproduzido a faixa.

E vamos tocá-la novamente! E mal podemos esperar para ouvir mais músicas suas. Você soa muito feliz e tranquila. Foi adorável conversar com você.

Muito obrigada.

Ouça a entrevista no player abaixo:


Tradução por Cássio BauerClara GurgelFernanda Rios e Thiago Goedert – Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Annie Mac à BBC Radio 1.