Lana Del Lovers
Lana Del Rey Norman Fucking Rockwell

Lana Del Rey revela título de seu próximo álbum, fala sobre ‘Venice Bitch’ e muito mais em entrevista à ‘Beats 1’

Em entrevista concedida ao radialista Zane Lowe da rádio Beats 1 na tarde desta terça-feira (18), Lana Del Rey revelou que o seu próximo álbum chama-se Norman Fucking Rockwell, além de dar detalhes de seu livro de poesias e muito mais. Leia abaixo a tradução da entrevista:

Uau, está quase na hora! A última parte do programa de hoje é destinado ao Who Runs The World Live, que é dedicado a incrível Lana Del Rey. Ela irá participar do programa conosco. Quero dizer, a maior parte dos próximos 30 minutos serão de conversa com a Lana, e eu digo isso verdadeiramente orgulhoso, pois eu sei que a Lana escuta diariamente a Beats 1. Eu quero ouvir esse álbum assim como quero ouvir Venice Bitch, a qual está prestes a ser tocada como World Record. Não saia daí, porque a Lana vai estar no programa, falando conosco praticamente o tempo todo até às 10 horas, no horário de Los Angeles; 13 horas de Nova Iorque; e 18 horas do Reino Unido. Mas sem mais delongas, nós sabemos que ela está em estúdio com o produtor Jack Antonoff e eles descobriram um novo modelo sonoro, um sentimento novo, sua própria vibe, e nós amamos o som da música que ela já lançou, Mariners Apartment Complex. Mas agora nós temos uma nova música, a World Record de hoje, com 10 minutos de duração. Acomode-se se você quiser tentar permanecer calmo porque essa faixa vai te deixar pasmo. A World Record de hoje é da Lana Del Rey e se chama Venice Bitch, agora mesmo na Beats 1.

Você sabe o que é irônico pra mim, Lana Del Rey, é que a última vez que nós ficamos frente a frente, você só queria saber de chamadas pelo FaceTime. Você estava indo atrás de todo mundo que você conhecia, tentando pegá-los de surpresa, e você “Não, tem que ser pelo celular”. Nós não podemos te ver e “não”, parece que é 1983 e “não”.

Zane, ouça, você sabe como é difícil estar decente às 10 da manhã, e fazer FaceTime com você? Não! Já é muito difícil estar acordada o suficiente às 9 horas para falar frases coerentes.

Você sabe como é linda a música que está prestes a ser lançada, e é isso o que realmente importa, e essa é tão linda, Venice Bitch. Há dois lados, é uma música de dois lados e a primeira parte, você sabe, conta uma história linda, uma pequena citação de Robert Frost e alguns momentos muito lindos e é tão… tão linda e então a segunda parte é como se você e Jack Antonoff apenas decidiram, quer saber, isso é tão tão incomum, vamos apenas respirar e deixar criar vida, o que ninguém mais faz e foi muito revigorante chegar ao final de nove minutos e meio e sentir isso.

Fico feliz que você acha isso. Sim, foi engraçado, eu toquei para os meus empresários e eu fiquei “Então, esse é o single que eu quero lançar”, e eles ficaram, tipo “Tem 10 minutos de duração? Você está brincando comigo? Se chama Venice Bitch, por que você faz isso conosco? Você não consegue escrever uma música pop comum de 3 minutos?” e eu disse “Bem, é final do verão, algumas pessoas só querem dirigir por aí por 10 minutos enquanto ouvem uma guitarra, então…”

É por isso que nós estamos ouvindo música agora? Porque é final de verão e não seria a parte mais triste do verão sem o seu retorno.

[Risos] Bem, você sabe, eu geralmente não lanço algo sem saber como o álbum inteiro vai soar. Então Jack e eu começamos a trabalhar na primeira semana de janeiro, e embora eu meio que sabia, lá pelo Dia do Trabalho [3 de setembro], eu provavelmente estaria bem perto de finalizar boa parte do disco. Eu gosto de começar a lançar as músicas quando eu estou quase terminando. Mas sim, eu também gosto, amo, amo setembro. De forma egoísta eu quis lançar essa música fofa e impotente.

O som das duas músicas que eu ouvi até agora com você e Jack é algo que eu venho esperando há muito tempo, a perspectiva de você sentar e sentir-se inspirada pelos instrumentos em seu ambiente mais orgânico e natural. Você sabe, o piano soa sofisticado e natural, os violões foram gravados de uma forma linda, e sua voz é… deu espaço para tudo isso respirar e contar histórias e amei a maneira como você produziu e organizou as coisas, e seu último álbum foi praticamente um álbum de hip hop, mas esse é diferente e eu estou emocionado de ouvi-lo. Quero dizer, como você chegou nesse ponto com Jack para querer produzir esse disco?

Foi um incidente muito feliz pra mim. Eu conheci Jack há sete anos, quando nós dois nos encontramos em um jantar e, na mesma época, estávamos produzindo músicas. Ele era engraçado, mas eu não tive contato com ele até janeiro, e ele ficou, tipo “Nós definitivamente devemos sentar e começar a fazer algo” e eu disse à ele que tinha três músicas que eu já tinha gostado para o novo álbum, mas que eu não estava compondo nada. Sentamos em seu estúdio em Nova Iorque e eu quero dizer, ele meio que começou tudo, porque ele apenas começou a tocar por horas, e eu fiquei, tipo ele é muito bom no piano. Não são as coisas que você escreve, apenas melodicamente, é muito… é meio que clássico e no meu caso acabou tornando-se algo meio folk. Ele tornou tudo muito fácil pra mim, para apenas fazer o riff em cima de tudo que ele estava fazendo e, em nossa primeira semana, eu tinha duas músicas e eu pensei que talvez fossem as melhores que eu já tinha escrito. Ele é muito verdadeiro.

Você sabe, obviamente ele estava esperando por esse momento porque não é algo comum estar com você. E isso não é nenhum tipo de indireta para alguém que ele tenha trabalhado recentemente, pessoas procuram Jack Antonoff por causa dessa criatividade interessante de música pop, música moderna, e ele é muito bom em alcançar isso. Mas ele tem esse tipo de musicalidade nele e meio que conversa com a melancolia que há nele em algum nível, e tem poucos artistas que vão entrar com ele em uma sala e dizer “Não, Jack, toque isso!”

Definitivamente, definitivamente. Ele disse praticamente isso, e é por isso também que eu estou presa com o mesmo produtor que eu trabalho há seis ou sete anos, porque, você sabe, nós temos algo bom acontecendo e ele me conhece tão bem. Eu espero chegar lá com o Jack e para ele ter todas aquelas batidas four-on-the-floor [ritmo padrão utilizado principalmente na música eletrônica e música disco]como se estivessem produzindo pra mim. Mas ele apenas se sentou no piano e começou… quero dizer, eu não sei se ele estava pensando nos The Beatles na hora, mas ele tinha muito aquele otimismo à la Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Pra mim, foi assim que ele encontrou pequenos arranjos. E pela primeira vez em alguns meses eu só trabalhei com ele. Ele tocava pra mim cinco acordes consecutivamente, o que acabava tornando-se uma nova música a cada vez, e eu perguntava pra ele, eu realmente perguntava à ele, “Eu posso mesmo ficar com isso?”, tipo“Você não quer pegar essa progressão para você?”, e ele achou isso hilário, e ficou, tipo “Não, eu estava louco para te conhecer e te dar isso”. Então sim, ele é muito bom, você não conhece tantas pessoas assim onde você está, tipo “É, talvez eu devesse desistir, tentar escrever meus próprios acordes”, mas ele tem esse efeito.

Tudo bem, Lana. Agora eu tenho que ir aos novos fatos. O novo álbum tem um título?

Sim, tem um título.

Você pode nos contar?

Eu acho que posso, chama-se Norman Fucking Rockwell.

O nome do álbum é Norman Fucking Rockwell?

Sim, é esse o título desde março, e eu nunca cogitei outro nome.

De onde veio essa ideia de título? Qual sua inspiração por detrás do Norman Fucking Rockwell?

Bem, trabalhando com o Jack, eu estava em um clima muito animado, porque ele é engraçado. Então a faixa-título é chamada Norman Fucking Rockwell, e é sobre esse cara que se acha um artista genioso, ele se acha bom demais e ele sabe disso, e ele não para de falar sobre isso. E é tão frequente que eu acabei com isso, você sabe, com os processos criativos, ou tanto faz, ele só fica falando dele e dele e eu fico “Aham, aham”. Mas há também um mérito nisso, digo, eles são tão bons, é como se apenas a faixa-título já fosse demais, e eu fiquei “Ok, eu definitivamente quero que esse seja o nome do álbum”. E então na faixa Venice Bitch tem outro trecho em referência ao Norman Rockwell, que não precisaria estar lá. Não me lembro se eu a pus intencionalmente apenas para fazer a mensagem aparecer mais um pouco. Eu nem consigo lembrar no que eu estava pensando, mas acho que quando eu estava compondo essa música, era uma tomada mais feliz sobre amor e era mais, tipo como “Eu faço a turnê, você compõe. Vamos fazer isso fluir”. E também você sabe que eu amo ter referências de pintores, pois eu acho que às vezes quando você está compondo você meio que tenta pintar essas ideias na vida real, porque eu sou muito visual também. Então, sim, eu não sei. Eu sei que é um título louco, mas é apenas o título do álbum.

Não, eu adorei. Gostei, de verdade. Você está pintando agora? Você está acostumada a pôr em prática outras formas de arte agora, assim como fazer música? Isso inspira mais ainda você no processo musical? Você precisa disso?

Sim… Não estou pintando agora, mas eu gostei… me envolvi com a pintura. Digo, sou terrível. Eu sempre gosto de ver o que vem à tona. Amo qualquer tipo de livre associação. Parei de pintar e comecei a escrever mais, tipo escrever automaticamente. Começou a transformar-se em poesia. Digo, eu chamo de poesia. Não sei o que outras pessoas pensariam, talvez… talvez, é tipo poesia em três linhas. Então sim, agora isso é meu grande escape criativo, o qual por algumas razões parece totalmente diferente de escrever canções. Por exemplo, meu procedimento para escrever poesias é muito, muito diferente. É meio que naquele estilo de poesia profunda, onde qualquer coisa é permitido e é absolutamente uma forma livre. E o interessante é que, às vezes, minhas páginas vão terminar com um par de versos no fim. Acabará em uma rima em algum ponto, mas é principalmente um pensamento livre que meio que flui unido, como um poema. Mas eu faço um monte de outras coisas, apesar de eu ser muito aventureira. Por exemplo, durante meu dia a dia, estou tirando minha licença de piloto. Estou fracassando [risos]. Eu estou fazendo várias coisas loucas.

Espera aí, espera! Espera! Meu Deus, você está escrevendo histórias curtas enquanto está tirando sua licença de piloto. Você está vivendo sua melhor vida dos anos 80 agora, literalmente. Sabe disso, né?

Estou, de verdade. Digo, tipo não como registrar algo que eu sei. É divertido.

Falta quanto para você chegar lá? Quantas horas você precisa registrar antes de ser um piloto completo?

Muitas. 37 horas. O que é, na verdade, tipo uma eternidade quando você está alto no céu.

E está bem, vou te perguntar uma coisa óbvia, mas como alguém que nunca pilotou um avião, qual é a sensação quando você assume o controle?

Acho que a coisa mais interessante… eu… isso é tipo quando eu comecei a escrever poesia. Hmmm, uma das coisas mais interessantes que aconteceu comigo, não consegui controlar. E meu instrutor, que é muito mais novo que eu, me pediu para virar para cima e para a direita, em uma curva à direita. E eu virei, mas fiz tão devagar que eu nem realmente virei. E ele simplesmente olhou para mim, ele estava, tipo “Você não confia em você mesma”. E ele estava apenas falando sobre o avião. Mas para mim, eu pensei “Merda”.

Você ficou mal? Você explodiu em lágrimas ali mesmo no avião?

Ah sim, eu estava, tipo “Obrigado Deus, não tive um colapso”. Mas eu sabia que eu precisava ouvir aquilo. Eu estava tipo “Meu Deus, eu realmente não sei”. Digo, é muito simples. Tudo o que você tem de fazer é, sabe, tipo, o avião é conduzido por uma alavanca, isso porque, eu estava em um CSA SportCruiser. Então tudo o que você tem de fazer é mover a alavanca para a direita, mas nem isso eu consegui. Eu acho que eu entendo o quão assustada eu estou, e claro, a falha é outra metáfora. É como se eles tivessem várias línguas, então eu acho que isso tudo é sobre estar no banco do motorista. Sou toda metafórica…

Eu estava prestes a dizer que você é mal instruída, porque agora toda vez depois de um incidente, quando você não fizer a coisa certa, vai ser, tipo “Olha, você precisa aterrissar o avião”, e você vai ficar, tipo “Literalmente ou é isso é outra metáfora de merda?”

Eu sei, na verdade eu disse algo para ele. Eu disse “Você está certo. Eu não confio em mim mesma. Eu realmente não confio”. E ele olhou pra mim, tipo “Recomponha-se!” E então foi aí que eu percebi que, tipo, eu não quero dizer que eu percebo que eu não sou um piloto, mas então eu percebo que eu sou uma escritora, eu não sou um piloto. Digo, eu poderia ser, mas foi esse o raciocínio que eu segui. É engraçado, mesmo com as instruções dele, minha cabeça ainda seguiu “Como eu vou fazer isso se tornar uma estrofe rimada?” É muito interessante.

Algum dia você tornaria suas histórias curtas ou qualquer coisa que você está trabalhando além da música em algo que você publicaria de novo? Você sabe, levar isso a outro nível.

Eu achei que não iria até umas três semanas atrás. Eu comecei… Eu tinha 13 poemas longos que eu comecei a encadernar e pensei “Uau!” As páginas estão se acumulando aqui, digo, é fácil com haikus, porque eles têm apenas três linhas, então você teria 30 páginas de haikus, só que, você sabe, 200 palavras ou algo assim. Mas eu pensei que estava acumulando o suficiente a ponto de ser um livro de verdade. Quero dizer, o que eu gostaria de fazer é publicar por conta própria, mas eu não sou muito boa nisso, tem um lado cheio de problemas nisso…

Você deveria trabalhar com a editora Third Man, você realmente deveria, pois eu estive na Third Man durante um fim de semana em Nashville, Tennessee, e eu amei. E apenas… a maneira com que eles meio que traduziram a tatilidade de propriedade, de segurar algo em suas mãos, o que é incrível. Eu realmente acho que você deveria lançar algo físico porque seria… e os fãs com certeza iriam amar e você já tem até o título, a propósito, caso você ainda não tenha escolhido o título. Meu trabalho é observar o que está entre as citações.

Eu tenho um título. Qual o seu?

Eu ia sugerir “Eu sou uma escritora, não um piloto”.

Soa como um best-seller.

Qual é o seu título?

No momento, a tentativa é de se chamar Violet Bent Backwards Over The Grass. Isso é só uma frase no meu preferido… é um dos meus favoritos que eu já escrevi.

Violet Bent Backwards Over The Grass?

Sim, “sete anos de idade com um dente de leão, apertado dentre suas mãos”.

Oh, isso é bom, isso é muito bom, Lana.

Sim, obrigada.

E entre vendas, voar de aviões e dirigir seu CSA SportCruiser, você está encontrando profundidade na sua escrita.

É muita energia.

Quantas música você tem para esse álbum?

Agora são 11.

11 músicas no álbum, e você está dizendo que será lançado no início de 2019. Você vai ser fiel a isso e não vai nos dar nenhum presente de Natal?

Eu quero lançar uma música em outubro, mas eu não sei se faz sentido, porque é uma música meio que independente, não é divertida. É uma música séria, que faz pensar.

Ouça a entrevista no player abaixo:

Transcrição por Clara Gurgel e tradução por Cássio Bauer e Fernanda Rios — Equipe Lana Del Lovers.
Entrevista original por Zane Lowe à Beats 1.